• Maroísa F. Pellegrini Baio
Conta o Espírito Humberto de Campos (Irmão X), em seu livro Boa Nova, psicografia de Francisco Cândido Xavier, que durante o governo do imperador romano Caio Júlio César Otaviano (63 a.C. – 14 d.C.), denominado o Augusto (Venerável), um sentimento de expectativa, de alegria e esperança pairava sobre todos, sem que se conhecesse o motivo. Grandes artistas de várias modalidades imprimiram em suas obras esse sentimento de alegria e euforia interior. Segundo Humberto de Campos, isso se dava porque a equipe de Espíritos Nobres, colaboradores de Jesus, se aproximava da Terra, preparando Seu nascimento e a implantação de Seu Evangelho entre os homens. A atmosfera espiritual da Terra se dulcificava, ao contato desses Espíritos Evangelizados.
Segundo Emmanuel(1) “começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor em todos os corações”.
Sob as ordens do Imperador Augusto foi instituído um recenseamento, prática também aplicada por outros governantes romanos que o sucederam. Segundo relatam os evangelistas, José, esposo de Maria, sendo natural de Belém, deveria comparecer a essa cidade para participar do recenseamento. Belém estava situada na Judeia (região sul de Israel), enquanto Nazaré, onde residiam os pais de Jesus, ficava na Galileia (Distrito Norte de Israel). Atualmente, Belém pertence ao território palestino (Cisjordânia) e a distância entre as cidades é de aproximadamente 160 km.
Após tão longa viagem, José e Maria, chegando em Belém, não encontraram um local para se instalarem. As hospedarias, que deveriam ser em pouco número, estavam lotadas, e o casal teve que se acomodar em uma estalagem. Essa passagem é bastante conhecida e não há necessidade de ser relatada na íntegra.
A pergunta que surge é a seguinte: por que motivo as pessoas que estavam abrigadas nas hospedarias não cederam um local mais adequado para que uma jovem gestante pudesse se acomodar com mais dignidade? O que estariam fazendo de tão importante para não se preocuparem com a presença de uma jovem em tão avançado estado de gestação?
A resposta surgiu em uma mensagem intitulada Bilhete a Jesus, novamente de autoria do Espírito Humberto de Campos, em seu livro Luz Acima, psicografia de Chico Xavier. O motivo: porque estavam fazendo contas!
Sim, contas! Eles estavam ali hospedados igualmente por causa do recenseamento. Se o governo romano exigia prestação de contas, os judeus de então se esmeravam, com base nas sagradas escrituras, em sonegar a declaração de seus bens, justamente para pagarem menos impostos aos romanos (alguma semelhança com os tempos atuais não é mera coincidência!). Contar rebanhos, produção agrícola e dimensionar propriedades: tal era a preocupação mais urgente naqueles dias. Quem iria se preocupar com o fato de que ali estava uma jovem mãe prestes a dar à luz?
Em meio a tantas preocupações de natureza imediata e urgente não havia espaço mental para lembrarem e meditarem nas antigas profecias sobre a vinda do tão esperado e proclamado messias, que nasceria na cidade de Davi – Belém – a casa do pão, o pão da vida...
No entanto, mesmo sabendo da indiferença com que seria recebido pelos homens, Jesus começou assim mesmo, humilde e ignorado, o seu apostolado de amor.
Os tempos passaram, os cenários mudaram, os homens trocaram de papéis, mas a humanidade continua a mesma e sempre preocupada em fazer contas, tantas contas, que não sobra tempo e nem lembrança da presença de Jesus, muito menos de seus ensinamentos, nem mesmo na época do Natal.
Na atualidade as preocupações não são tão diferentes daquela época; hoje conta-se com quanto dinheiro se dispõe para as compras de presentes, para a ceia de Natal, para as férias de final de ano etc.; e depois conta-se quanto tempo se levará para pagar as dívidas contraídas; contam-se quantas pessoas irão participar da ceia, quanto tempo os assados deverão ficar no forno, quantos pratos, copos e talheres, bebidas etc...
E tão depressa quanto chegou, a euforia e as comemorações se vão, deixando um vazio, uma tristeza e uma angústia que ninguém sabe explicar. É que, mais uma vez, a presença de Jesus não foi notada já que estavam todos preocupados demais, contando, contando... Para Ele reservou-se apenas um espaço e um tempo diminutos, distante dos interesses imediatos.
No entanto, seria interessante se, aproveitando as comemorações junto à família e amigos, fosse feito um inventário das nossas ações. Perdoamos setenta vezes sete vezes cada ofensa recebida? Multiplicamos os talentos que o Senhor nos concedeu para a promoção do bem comum? Dividimos os recursos extras com que fomos beneficiados, amparando os mais necessitados? Adicionamos doses de alegria e entusiasmo no cumprimento de nossas obrigações? Subtraímos os obstáculos inesperados com coragem e bom ânimo? Aplicamos alguns trocados na poupança da caridade? Aproveitamos alguns minutinhos do dia (temos 1440 minutos à nossa disposição!) para leitura e meditação de alguma passagem do Evangelho? Em qual investimento estamos aplicando o tempo, o maior de todos os patrimônios?
Poucos compreendem por que e para que Jesus veio até nós. O motivo sublime é o amor; do alto da nossa pequenez espiritual não conseguimos dimensionar a solicitude de Jesus por nós. E o objetivo, conforme expôs Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. I, item 4), foi o de “ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na terra, mas no Reino dos Céus; ensinar-lhes o caminho que os conduz até lá, os meios de se reconciliarem com Deus e os advertir sobre a marcha das coisas futuras, para o cumprimento dos destinos humanos”.
Como sempre, homens e nações continuam debruçando seus interesses sobre números e cifras, em busca de uma compensação material para uma carência que é puramente de natureza espiritual, conforme assinalou Humberto de Campos na mensagem supracitada:
“Sabemos que os homens, fanatizados pela estatística das formas perecíveis, examinam os gráficos, de olhos preocupados, movimentando-se entre tabelas e números, mas erguem corações ao alto, amargurados e tristes, torturados pela sede de infinito...”
O nascimento de Jesus durante o período de um recenseamento é portador de um simbolismo que ficará para sempre registrado: o Natal é uma época de aferição de valores. Valores espirituais e não materiais. E ninguém gosta de prestar contas, seja do que for. Mas essa prestação de valores não é feita diante de um tribunal ou de um governo; ela ocorre no íntimo da consciência. E o resultado não é nem um pouco animador; continuamos longe, muito longe das lições que o humilde menino veio nos trazer. No balanço final, estamos a dever, e muito!
Na belíssima mensagem que Humberto de Campos nos legou, cuja leitura se torna indispensável na época das comemorações do Natal, ele finaliza o texto com palavras extremamente comoventes:
“Quem sabe, Senhor, poderias voltar, consolidando a tua glória, como o fizeste há quase vinte séculos? Entretanto, não nos atrevemos ao convite direto. As estalagens do mundo estão ainda repletas de gente negociando bens transitórios e melhorando o inventário das posses exteriores. Os governos estão empenhados em orçamentos e tributos. Os crentes(2) pousam olhos apressados em teu Evangelho de Redenção e repetem fórmulas verbais, como os judeus de outro tempo, que mastigavam a lei sem digeri-la. Quase certo que não encontrarias lugar entre as criaturas. E não desejamos que regresses de novo para nascer num estábulo, trabalhar à beira das águas, ministrar a revelação em casas e barcos de empréstimo e morrer flagelado na cruz. Trabalharemos para que a tua glória brilhe entre os homens, para que a tua luz se faça nas consciências, porque, em verdade, Senhor, que adiantaria o teu retorno se a estatística das coisas santas não nos oferece a menor garantia de vitória próxima? Como insistir pela tua volta pessoal e direta se na esfera dos homens ainda não existe lugar onde possas nascer, trabalhar e morrer?”
E Jesus nasceu assim, num clima de total indiferença quanto à Sua Presença, pela maioria dos homens de ontem, de hoje, e ainda do amanhã... E mesmo assim Ele continua sua tarefa de amor, silencioso e humilde, aguardando nosso demorado despertar...
1. XAVIER, F. C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, RJ. FEB. 1980. 10 ed.
2. O autor se refere aos crentes em geral e não especificamente aos seguidores dessa corrente religiosa.
http://www.oclarim.org/site/
Conta o Espírito Humberto de Campos (Irmão X), em seu livro Boa Nova, psicografia de Francisco Cândido Xavier, que durante o governo do imperador romano Caio Júlio César Otaviano (63 a.C. – 14 d.C.), denominado o Augusto (Venerável), um sentimento de expectativa, de alegria e esperança pairava sobre todos, sem que se conhecesse o motivo. Grandes artistas de várias modalidades imprimiram em suas obras esse sentimento de alegria e euforia interior. Segundo Humberto de Campos, isso se dava porque a equipe de Espíritos Nobres, colaboradores de Jesus, se aproximava da Terra, preparando Seu nascimento e a implantação de Seu Evangelho entre os homens. A atmosfera espiritual da Terra se dulcificava, ao contato desses Espíritos Evangelizados.
Segundo Emmanuel(1) “começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor em todos os corações”.
Sob as ordens do Imperador Augusto foi instituído um recenseamento, prática também aplicada por outros governantes romanos que o sucederam. Segundo relatam os evangelistas, José, esposo de Maria, sendo natural de Belém, deveria comparecer a essa cidade para participar do recenseamento. Belém estava situada na Judeia (região sul de Israel), enquanto Nazaré, onde residiam os pais de Jesus, ficava na Galileia (Distrito Norte de Israel). Atualmente, Belém pertence ao território palestino (Cisjordânia) e a distância entre as cidades é de aproximadamente 160 km.
Após tão longa viagem, José e Maria, chegando em Belém, não encontraram um local para se instalarem. As hospedarias, que deveriam ser em pouco número, estavam lotadas, e o casal teve que se acomodar em uma estalagem. Essa passagem é bastante conhecida e não há necessidade de ser relatada na íntegra.
A pergunta que surge é a seguinte: por que motivo as pessoas que estavam abrigadas nas hospedarias não cederam um local mais adequado para que uma jovem gestante pudesse se acomodar com mais dignidade? O que estariam fazendo de tão importante para não se preocuparem com a presença de uma jovem em tão avançado estado de gestação?
A resposta surgiu em uma mensagem intitulada Bilhete a Jesus, novamente de autoria do Espírito Humberto de Campos, em seu livro Luz Acima, psicografia de Chico Xavier. O motivo: porque estavam fazendo contas!
Sim, contas! Eles estavam ali hospedados igualmente por causa do recenseamento. Se o governo romano exigia prestação de contas, os judeus de então se esmeravam, com base nas sagradas escrituras, em sonegar a declaração de seus bens, justamente para pagarem menos impostos aos romanos (alguma semelhança com os tempos atuais não é mera coincidência!). Contar rebanhos, produção agrícola e dimensionar propriedades: tal era a preocupação mais urgente naqueles dias. Quem iria se preocupar com o fato de que ali estava uma jovem mãe prestes a dar à luz?
Em meio a tantas preocupações de natureza imediata e urgente não havia espaço mental para lembrarem e meditarem nas antigas profecias sobre a vinda do tão esperado e proclamado messias, que nasceria na cidade de Davi – Belém – a casa do pão, o pão da vida...
No entanto, mesmo sabendo da indiferença com que seria recebido pelos homens, Jesus começou assim mesmo, humilde e ignorado, o seu apostolado de amor.
Os tempos passaram, os cenários mudaram, os homens trocaram de papéis, mas a humanidade continua a mesma e sempre preocupada em fazer contas, tantas contas, que não sobra tempo e nem lembrança da presença de Jesus, muito menos de seus ensinamentos, nem mesmo na época do Natal.
Na atualidade as preocupações não são tão diferentes daquela época; hoje conta-se com quanto dinheiro se dispõe para as compras de presentes, para a ceia de Natal, para as férias de final de ano etc.; e depois conta-se quanto tempo se levará para pagar as dívidas contraídas; contam-se quantas pessoas irão participar da ceia, quanto tempo os assados deverão ficar no forno, quantos pratos, copos e talheres, bebidas etc...
E tão depressa quanto chegou, a euforia e as comemorações se vão, deixando um vazio, uma tristeza e uma angústia que ninguém sabe explicar. É que, mais uma vez, a presença de Jesus não foi notada já que estavam todos preocupados demais, contando, contando... Para Ele reservou-se apenas um espaço e um tempo diminutos, distante dos interesses imediatos.
No entanto, seria interessante se, aproveitando as comemorações junto à família e amigos, fosse feito um inventário das nossas ações. Perdoamos setenta vezes sete vezes cada ofensa recebida? Multiplicamos os talentos que o Senhor nos concedeu para a promoção do bem comum? Dividimos os recursos extras com que fomos beneficiados, amparando os mais necessitados? Adicionamos doses de alegria e entusiasmo no cumprimento de nossas obrigações? Subtraímos os obstáculos inesperados com coragem e bom ânimo? Aplicamos alguns trocados na poupança da caridade? Aproveitamos alguns minutinhos do dia (temos 1440 minutos à nossa disposição!) para leitura e meditação de alguma passagem do Evangelho? Em qual investimento estamos aplicando o tempo, o maior de todos os patrimônios?
Poucos compreendem por que e para que Jesus veio até nós. O motivo sublime é o amor; do alto da nossa pequenez espiritual não conseguimos dimensionar a solicitude de Jesus por nós. E o objetivo, conforme expôs Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. I, item 4), foi o de “ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na terra, mas no Reino dos Céus; ensinar-lhes o caminho que os conduz até lá, os meios de se reconciliarem com Deus e os advertir sobre a marcha das coisas futuras, para o cumprimento dos destinos humanos”.
Como sempre, homens e nações continuam debruçando seus interesses sobre números e cifras, em busca de uma compensação material para uma carência que é puramente de natureza espiritual, conforme assinalou Humberto de Campos na mensagem supracitada:
“Sabemos que os homens, fanatizados pela estatística das formas perecíveis, examinam os gráficos, de olhos preocupados, movimentando-se entre tabelas e números, mas erguem corações ao alto, amargurados e tristes, torturados pela sede de infinito...”
O nascimento de Jesus durante o período de um recenseamento é portador de um simbolismo que ficará para sempre registrado: o Natal é uma época de aferição de valores. Valores espirituais e não materiais. E ninguém gosta de prestar contas, seja do que for. Mas essa prestação de valores não é feita diante de um tribunal ou de um governo; ela ocorre no íntimo da consciência. E o resultado não é nem um pouco animador; continuamos longe, muito longe das lições que o humilde menino veio nos trazer. No balanço final, estamos a dever, e muito!
Na belíssima mensagem que Humberto de Campos nos legou, cuja leitura se torna indispensável na época das comemorações do Natal, ele finaliza o texto com palavras extremamente comoventes:
“Quem sabe, Senhor, poderias voltar, consolidando a tua glória, como o fizeste há quase vinte séculos? Entretanto, não nos atrevemos ao convite direto. As estalagens do mundo estão ainda repletas de gente negociando bens transitórios e melhorando o inventário das posses exteriores. Os governos estão empenhados em orçamentos e tributos. Os crentes(2) pousam olhos apressados em teu Evangelho de Redenção e repetem fórmulas verbais, como os judeus de outro tempo, que mastigavam a lei sem digeri-la. Quase certo que não encontrarias lugar entre as criaturas. E não desejamos que regresses de novo para nascer num estábulo, trabalhar à beira das águas, ministrar a revelação em casas e barcos de empréstimo e morrer flagelado na cruz. Trabalharemos para que a tua glória brilhe entre os homens, para que a tua luz se faça nas consciências, porque, em verdade, Senhor, que adiantaria o teu retorno se a estatística das coisas santas não nos oferece a menor garantia de vitória próxima? Como insistir pela tua volta pessoal e direta se na esfera dos homens ainda não existe lugar onde possas nascer, trabalhar e morrer?”
E Jesus nasceu assim, num clima de total indiferença quanto à Sua Presença, pela maioria dos homens de ontem, de hoje, e ainda do amanhã... E mesmo assim Ele continua sua tarefa de amor, silencioso e humilde, aguardando nosso demorado despertar...
1. XAVIER, F. C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, RJ. FEB. 1980. 10 ed.
2. O autor se refere aos crentes em geral e não especificamente aos seguidores dessa corrente religiosa.
http://www.oclarim.org/site/
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