a partir de maio 2011

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Homossexualidade na visão espírita


Postado por Orson Peter Carrara
 
 
Entrevista com Alessandro Viana Vieira de Paula

Juiz de Direito e vinculado ao Centro Espírita Allan Kardec, em Itapetininga-SP, onde reside, Alessandro é espírita há 25 anos. Palestrante, tem percorrido diversas instituições com diferentes temas de estudos à luz do Espiritismo. Entre eles, a temática polêmica da homossexualidade oferece valiosa reflexão por meio das respostas à nossa entrevista.

RIE – Como analisar o tema HOMOSSEXUALIDADE à luz do Espiritismo?
Alessandro Viana Vieira de Paula – O tema "homossexualidade" está em voga, na atualidade, em virtude de decisões recentes da justiça, seja acolhendo a união estável entre os homossexuais, seja concedendo a adoção para casais do mesmo sexo, bem como diante de condutas homofóbicas, divulgadas na mídia, onde os homossexuais sofrem agressões variadas por suas opções sexuais. No contexto espírita, deveremos analisar a questão sob a ótica do Evangelho, que nos recomenda a tolerância e o "não julgueis", assim como sob o prisma da reencarnação, que nos possibilita entender a ocorrência da homossexualidade e as questões emocionais e psicológicas a ela relacionadas. A homossexualidade tem como fator causal o espírito, que passa por um período de reajustamento das energias sexuais ou de fatores relacionados às experiências no masculino e no feminino, conforme veremos nas demais perguntas.

RIE – E as causas da ocorrência?
Alessandro – A causa mais comum diz respeito à chamada "inversão reencarnatória". O espírito reencarna em corpos femininos e masculinos, a fim de extrair o aprendizado inerente a cada tipo dessas experiências. Ao reencarnar como mulher, aprenderá o valor da renúncia, da sensibilidade, da maternidade, da docilidade. Ao vincular-se num corpo masculino, assimilará o valor da intrepidez, da ousadia, da força. Normalmente, as reencarnações de um espírito apresentam certa predominância no masculino ou no feminino, porque é um desafio para o espírito a opção da inversão reencarnatória em razão das lutas íntimas que propicia, sobretudo no campo da afetividade e da sexualidade. Mas, por necessidades de evolução, chega a hora da inversão, seja por opção, seja por expiação (mau uso das energias sexuais). É verdade que o espírito, na essência, é assexuado, mas, em razão da referida predominância, terá inclinações, gostos, trejeitos masculinos ou femininos e, ao reencarnar num corpo diverso de seu conteúdo emocional, poderá apresentar a tendência à homossexualidade (atração por pessoas do mesmo sexo). Também há outros fatores causais de menor incidência, como a questão educacional, a hiperatividade sexual do espírito ou o encontro de afeto de outras vidas que está num corpo idêntico à sua morfologia (masculino ou feminino) e sente uma atração injustificável e intensa, somente por essa pessoa, vindo a iniciar um relacionamento afetivo.

RIE – Por que o preconceito?
Alessandro – O preconceito decorre da nossa ignorância sobre o assunto e, como a homossexualidade difere do padrão aceito (heterossexualidade), naturalmente ocorre a não aceitação e a rotulação dos homossexuais. No meio espírita, há os equívocos de classificação como obsessão, imperfeição moral ou doença. Há desvios morais mais graves que comprometem o indivíduo com as leis divinas bem mais que a homossexualidade em descontrole ou ruidosa, exótica. O abuso do sexo, por exemplo, é gerador de compromissos expiatórios tanto na homossexualidade como na heterossexualidade, mas, em razão do preconceito, somos mais tolerantes com essa opção sexual do que com aquela, quando nosso julgamento é mais pesado, intolerante. Os espíritos nos ensinam que o caráter moral e ético do indivíduo tem mais prevalência para as leis de Deus do que simplesmente a opção sexual.

RIE – E a conciliação das recomendações do Evangelho com a realidade vivida em nossos dias?
Alessandro – Jamais poderemos nos esquecer de que Jesus é nosso modelo e guia para tudo, conforme consta da questão nº 625 de O Livro dos Espíritos. Em sua época, Jesus rompeu com os preconceitos vigentes, ensinando-nos a lição da fraternidade e da compaixão. As mulheres, as prostitutas, os pobres, os enfermos, sobretudo os hansenianos, eram menosprezados e tinham pouca ou quase nenhuma participação na vida social e religiosa. Jesus, para nos ensinar que todos somos irmãos, conviveu com todos, sem excluir ninguém, como, por exemplo, na passagem da mulher samaritana, e foi criticado pelos Fariseus por essa conduta elevada. Não pode escapar de nossas reflexões como Jesus agiria, na atualidade, em relação aos homossexuais. Certamente os envolveria com o mesmo amor que aquele externado aos heterossexuais. Por essa razão, a nossa conduta em relação a um filho, parente, amigo, ou qualquer homossexual deve ser de amizade, de ternura, de acolhimento fraternal, não havendo razão para qualquer discriminação de nossa parte, o que não significa que teremos que estimular ou incitar a homossexualidade deles.

RIE – E no ambiente das tarefas espíritas?
Alessandro – O princípio é o mesmo, isto é, a tolerância e condições iguais de trabalho, não havendo motivos para afastarmos os homossexuais da tarefa mediúnica, dos passes ou de qualquer atividade espírita. Qualquer conduta discriminatória não encontrará amparo no Evangelho e na Doutrina Espírita. O critério para admissão nas tarefas da Casa Espírita será o mesmo empregado para os heterossexuais, ou seja, conhecimento do Espiritismo e vocação para o trabalho. Conhecemos confrades homossexuais que são notáveis passistas ou médiuns, que atuam com dedicação e amor à causa. Afastá-los da tarefa porque são homossexuais seria uma atitude incoerente com a própria Doutrina Espírita. O mesmo critério deve ser utilizado no acolhimento aos que chegam à instituição. Afinal, é válida a exortação do Cristo: "Atire a primeira pedra quem estiver isento de erros".

RIE – O que dizer da decisão do STF sobre a união estável de pessoas do mesmo sexo?
Alessandro – A oficialização da união estável pelo STF representa a normatização de algo que já vem ocorrendo em nossa sociedade. Com ou sem a oficialização, continuaria havendo uniões de pessoas do mesmo sexo. Por ser uma situação real de nosso tempo, caberia ao STF pronunciar-se sobre o assunto, até porque há questões legais envolvidas. Então, parece-me acertada a decisão do STF no sentido de reconhecer a união estável, sobretudo em virtude das implicações jurídicas dessa relação.

RIE – O que disseram alguns espíritos de renome na Doutrina Espírita a propósito do tema?
Alessandro – A título de sugestão de leitura aos leitores, indico as obras "Vida e Sexo", de Chico Xavier, onde Emmanuel escreve um tópico sobre a homossexualidade, falando-nos da inversão reencarnatória e aduz que "Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual, sabendo-se que todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um". Na obra "Sexo e Obsessão", de Divaldo Pereira Franco, há referências sobre o assunto, havendo a afirmação de que a homossexualidade irá aumentar na Terra, em virtude da inversão reencarnatória por expiação (abuso do sexo). Na obra "A Minha Família, o Mundo e Eu", de Raul Teixeira, consta um capítulo sobre como agir diante dos filhos homossexuais. Allan Kardec fala do fenômeno da homossexualidade (não havia esse termo à época) na Revista Espírita de 1866, exatamente na edição de janeiro, com a notável matéria As mulheres têm alma?

RIE – E a citação do Espírito Viana de Carvalho?
Alessandro – No livro "Atualidade do Pensamento Espírita", o referido espírito diz que a homossexualidade é uma experiência natural da evolução. Precisamos entender essa afirmação. Não se trata de estimular a homossexualidade, mas de reconhecer que, todos nós, em razão da necessidade da inversão reencarnatória, vivenciaremos essa luta íntima, esse desafio emocional de ter um corpo diferente de nossos aspectos psicológicos espirituais, isto é, a inclinação homossexual. Convém frisar que o importante será o que faremos dessa inclinação, pois haverá gradações de comprometimentos. Há aquele que traz a luta íntima da homossexualidade e consegue manter-se sem relacionamento afetivo e sexual (é o ideal), nutrindo-se das amizades que o cercam. Mas, a maioria dos espíritos sente a necessidade de ter uma companhia afetiva, sendo que alguns conseguem abdicar-se do sexo, canalizando as energias sexuais para outras áreas da vida. Num patamar de maior comprometimento, haverá aqueles que terão um parceiro e terão relações sexuais. O espírito Camilo, na obra "Educação e Vivências", adverte que seria salutar que os homossexuais evitassem o lesbianismo e a pederastia. Há outros homossexuais que terão vários parceiros, que promoverão alterações no corpo, que serão desregrados na sexualidade, tudo a comprometer com mais intensidade o êxito da reencarnação. Mas, convém lembrar que ocorrerá a mesma gradação de comprometimentos com o heterossexual, na exata medida em que se afastem ou mais se aproximem da vivência das lições do Cristo. Para ambos (hetero ou homossexual), incidirá a regra de que "o amor cobre uma multidão de pecados"; por isso, enfatizamos que o caráter tem prevalência na conduta humana.

RIE – Algo mais que gostaria de acrescentar?
Alessandro – Frisar que o artigo em questão não tem o condão de estimular a homossexualidade, mas de entender essa ocorrência à luz do Espiritismo e da reencarnação, a fim de que a tolerância possa marcar a nossa conduta. Enfatizo, ainda, que o Espiritismo é de grande valor aos irmãos homossexuais, porque explica a causa dessa luta íntima e orienta como não se comprometer com as leis divinas ou, em sendo impossível a abstenção total do relacionamento afetivo, como se comprometer o mínimo possível, buscando, em primazia, o melhoramento moral e espiritual. Quantos jovens e adultos homossexuais odeiam a si mesmos, e alguns buscam o suicídio ou as fugas psicológicas nas drogas e no álcool. A partir do Espiritismo, passam a entender a causa da inclinação homossexual, procurando ajustar suas condutas às diretrizes do Evangelho. Aos heterossexuais, a Doutrina Espírita exorta a tolerância e o acolhimento fraterno, evitando o julgamento alheio, até porque, como constou do artigo, a inclinação homossexual é uma experiência natural da evolução, de tal sorte que, se ainda não vivenciamos em nosso passado espiritual, certamente enfrentaremos essa situação, quando houver, no futuro, a inversão reencarnatória. Assim sendo, a orientação do Cristo "amai-vos uns aos outros como eu vos amei" é de profunda importância para a nossa paz e felicidade.

sábado, 21 de abril de 2012

Entrevista: Hermínio Corrêa de Miranda


Entrevista: Hermínio Corrêa de Miranda
Ismael Gobbo / Marlene Nobre
*

PUBLICADA NA FOLHA ESPIRITA, FEVEREIRO 2011
 

Hermínio Corrêa de Miranda, um dos mais respeitados escritores espíritas do Brasil, completou, em 5 de janeiro, 91 anos de idade. Do alto de seus belos e bem vividos anos, ele pode contemplar com a consciência do dever cumprido a bela missão de escritor que assumiu e cumpre com desvelado amor na seara de Jesus que ele tanto enaltece e agrada. 
Apesar de ser seu o aniversário, quem recebeu o presente foi a FE e seus leitores. Conforme podemos auferir das significativas notas que nos oferece neste precioso encontro, já lança a inteligência e o olhar para novos horizontes, servindo a Deus e ao próximo sempre, incansavelmente. 
A Hermínio os nossos parabéns, não só pelo aniversário, mas por toda a sua obra, desejando-lhe saúde e paz na companhia do Divino Mestre Jesus.

Folha Espírita – Hermínio, o que pode nos dizer sobre o The sorry tale, livro que você traduziu com o título de A história triste?
Hermínio Corrêa de Miranda
 – O problema aqui é falar pouco, pois há muito que dizer desse livro singular. Por longos anos me senti atraído por ele, mas foi difícil tê-lo em mãos. De repente, as coisas começaram a acontecer. Nossa dedicada confreira Yeda Hungria, de Niterói, trouxe-me um exemplar dos Estados Unidos. Para não tomar espaço demais na consagrada Folha Espírita, remeto à leitora e ao leitor a introdução que escrevi para ele. O livro chama-se A história triste (The sorry tale) e foi ditado à médium Pearl Curran por uma entidade enigmática que se identificou como Patience Worth. Trabalhei na tradução cerca de dois anos. Foi muito difícil e, assim como hesitei em assumir a tarefa, várias vezes me senti inclinado a desistir. A história, contudo – sobre o Cristianismo primitivo –, sempre foi um dos meus temas prediletos, como vocês sabem. Finalmente, a tradução ficou pronta e foi lançada pela Lachâtre, em junho de 2009. Consta de quatro volumes, sendo três deles a narrativa em si, e um no qual o fenômeno Patience Worth foi examinado num texto meu, que a editora me concedeu a honra de colocar ao lado de Ernesto Bozzano, um dos ícones da minha galeria pessoal. 

FE – O livro sobre os Cátaros merece também nosso destaque porque eles foram dizimados pela Igreja Católica por pregarem os mesmos princípios do Espiritismo. Em 2009, quando a AME-Internacional esteve em Toulouse – região deles –, realizando o 2º Congresso Francofônico de Medicina e Espiritualidade, fomos a Carcassone – cidade medieval que os abrigou. Durante todo o evento, sentimos a boa influência espiritual que eles deixaram ao longo dos séculos naquela região. Fale-nos um pouco sobre o livro, do seu envolvimento.
Miranda
 – Esse é outro daqueles assuntos que me ocuparam a mente durante muitos anos. Eu me sentia impulsionado a escrever algo sobre o malogrado ideal cátaro, o precursor historicamente mais próximo da obra definitiva de Kardec. Depois de muita pesquisa, meditação e prece, senti-me encorajado a enfrentar a tarefa, o que fiz com emoção e a necessária disposição para dizer o que precisava ser dito. Não sei se teria eu algum envolvimento no trágico episódio que tanto marcou a história. É possível que sim. Espero saber um dia.

FE – Você é um exemplo de senectude voltada para a ação construtiva, porque está voltado para a vivência da espiritualidade. Como você acha que os centros espíritas poderiam chamar a atenção dos mais idosos para o aproveitamento dessa fase da existência de maneira útil e proveitosa?
Miranda
 – Não tenho experiência suficiente com o Movimento Espírita. Como tenho dito, eu sempre desejei escrever. Foi uma opção que me vi forçado a fazer, a fim de não dispersar a atenção em muitas tarefas ao mesmo tempo, além das pesadas atribuições que tinha na vida profissional. A ideia é magnífica e precisa ser posta em prática. Imagino só quantos idosos – mulheres e homens – estão por aí, na expectativa de informações que raramente ou nunca lhes chegam ao conhecimento. Ou questionamentos para os quais não tenham respostas e nem a quem recorrer. É preciso abrir espaço para que eles possam falar de si e ouvir o que o Espiritismo tem a lhes dizer sobre a vida. Tenho uma sugestão a oferecer: a de começar tudo com uma conversa preliminar com jovens espíritas. Certamente estarão prontos para levar aos grupos que frequentam os idosos de sua família ou amigos e vizinhos. Devem fazer isso sem a menor intenção proselitista de arrebanhar gente, a fim de converter tantos quanto possível ao Espiritismo. É preciso ouvi-los falar de seus problemas, dúvidas e sonhos. E mais: para ensinarem aquilo que aprenderam em suas experimentações com a verdade, como diria Mahatma Gandhi. 
Estou certo de que tanto jovens como velhos terão muito sobre o que dialogar e muito que ensinar e aprender uns com os outros. Afinal de contas, os problemas e enigmas que a vida nos propõe a cada passo estão aí mesmo diante de todos nós. Nem sempre temos condição de entendê-los sem a ajuda de uma doutrina lúcida e inteligente como a espírita. Mesmo porque, como advertiu Kardec, o Espiritismo não é um conjunto de especulações teóricas e, sim, uma leitura objetiva das leis divinas que regem nossas vidas. Tanto faz crer como não, é assim que se passam as coisas. A troca de ideias é produtiva e constitui um dos poderosos motores do processo evolutivo de todos nós, desde que saibamos separar ideias-trigo de ideias-joio.
PS: Muito obrigado por sua generosa referência à minha assumida senectude. Se ainda estou por aqui, é porque o Pessoal daí de cima entende que eu deva ficar. E ficando, quero trabalhar, pois o Cristo nos alertou para o fato de que a seara é grande, mas os obreiros são poucos.

FE – Você tem alguns outros projetos já delineados para levar avante?
Miranda
 – Tenho, sim. Mais do que poderia pôr em prática numa só existência terrena. A gente tem mesmo de sonhar para que os sonhos um dia se realizem. Foi o que aprendi com uma canção que ouvi na Broadway, na década de 50, quando passei alguns anos em Nova York a serviço profissional. Posso lhe confidenciar, contudo, um desses sonhos. Há muitos anos desejo participar de um grupo que se proponha a passar a limpo a história do Cristianismo. Estou convencido de que temos de voltar às origens, ao tempo em que Jesus estava lá. Isso poderá ser feito consultando as memórias indeléveis guardadas na mente espiritual de gente que também lá estava. Essas testemunhas vivas não desapareceram para sempre tragadas pelos buracos negros da fantasia. Estão por aí mesmo, deste lado da vida ou do outro. Temos, além dessa fonte, o enigmático e ainda pouco estudado fenômeno da psicometria. Leitores interessados nesse assunto específico devem consultar um livrinho meu intitulado Memória cósmica. Como muito bem sabia e dizia Jesus, quando as criaturas se calam, as pedras falam. Elas falam de verdade e têm muita coisa para nos contar. Para mim, Cristianismo, quanto mais antigo melhor. Queremos beber outra vez daquela fonte na qual a eternidade falou pela voz d’Ele, o Mestre supremo. Não é esse um belo sonho?

FE – Qual mensagem deixaria para os nossos leitores neste 2011 que se inicia?
Miranda
 – A mensagem da esperança, uma esperança serena e convicta. A despeito da turbulência que impera em nosso planeta nestes tempos difíceis, o Universo não está abandonado à sua própria sorte. Nós é que passamos a nutrir a insensata ideia de que é possível abandonar Deus. Muitos nem sabem que Ele vive em nós, e nós n’Ele, “... como peixes no oceano”, segundo André Luiz, em sua poética e sábia linguagem. Portanto, nada há a temer, senão nossos insensatos desvios. Deus sempre soube o que fazer de nós por meio de suas leis sábias e justas.

Há muitos anos desejo participar de um grupo que se proponha a passar a limpo a história do Cristianismo
 
A coleção A história triste é composta pelo romance (3 volumes) e pelo livro O mistério de Patience Worth, no qual Hermínio Miranda e Ernesto Bozzano relatam o resultado de suas pesquisas a respeito do espírito que ditou o romance A história triste.
É um romance mediúnico com uma riqueza de detalhes que transportam o leitor por cenas geográficas e historicamente irrepreensíveis. É a emocionante história de Hatte, filho ilegítimo do imperador Tibério com Teia, escrava grega transferida para a Palestina, onde, numa tenda de leprosos, fora dos muros de Belém, dá à luz na mesma noite em que Jesus vem ao mundo. Amargurada, Teia batiza seu filho com o sugestivo nome de Hatte (ódio), sentimento que vai dominar toda a sua existência. Os caminhos dessas duas crianças vão se cruzar até o fim. Considerada a melhor, mais surpreendente e bem articulada narrativa ambientada nos tempos de Cristo, A história triste recebeu elogios no exterior de críticos especializados em literatura. A edição em português do romance foi publicada em três volumes: I - Panda, II - Hatte e III - Jesus.


Obras do autor em ordem alfabética 

A dama da noite (coleção "Histórias que os espíritos contaram"); A irmã do Vizir (coleção "Histórias que os espíritos contaram"); A memória e o tempo; A noviça e o faraó; A reencarnação na Bíblia; A reinvenção da morte (incorporada ao livro As duas faces da vida); Alquimia da mente; Arquivos psíquicos do Egito; As duas faces da vida; As marcas do Cristo, publicada em dois volumes; As mil faces da realidade espiritual; As sete vidas de Fénelon (série "Mecanismos secretos da história"). Autismo, uma leitura espiritual; Candeias na noite escura; Com quem tu andas? (com Jorge Andrea dos Santos e Suely Caldas Schubert); Condomínio espiritual; Cristianismo: a mensagem esquecida; Crônicas de um e de outro (com Luciano dos Anjos); De Kennedy ao homem artificial (com Luciano dos Anjos); Diálogo com as sombras; Diversidade dos carismas; Eu sou Camille Desmoulins (com Luciano dos Anjos), publicada também em francês com o título Je suis Camille Desmoulins; Guerrilheiros da intolerância; Hahnemann, o apóstolo da medicina espiritual; Histórias que os espíritos contaram; Lembranças do futuro (incorporada ao livro As duas faces da vida); Memória cósmica; Nas fronteiras do além; Nossos filhos são espíritos; O Espiritismo e os problemas humanos (com Deolindo Amorim); O evangelho gnóstico de Tomé; O exilado (coleção "Histórias que os espíritos contaram"); O mistério de Patience Worth (com Ernesto Bozzano); O pequeno laboratório de Deus (anteriormente intitulada Negritude e Genealidade); O que é fenômeno mediúnico (série "Começar"); Os cátaros e a heresia católica; Reencarnação e imortalidade; Sobrevivência e comunicabilidade dos espíritos; Swedenborg, uma análise crítica.

Traduções com comentários 

A feira dos casamentos (de J. W. Rochester, psicografada por Vera Ivanova Kryzhanovskaia); A história triste, publicada em três volumes (de Patience Worth, psicografado por Pearl Lenore Curran); O mistério de Edwin Drood (de Charles Dickens, com final psicografado por Thomas P. James; Processo dos espíritas (de Madame Pierre-Gaetan Leymarie)

http://programamuitasvidas.blogspot.com.br

domingo, 18 de dezembro de 2011

“Estamos na Terra para aprender a amar”Padre François Brune:


JOSÉ LUCAS
jcmlucas@gmail.com
Óbidos, Portugal


  Autor do livro “Os Mortos nos Falam”, o conhecido estudioso e 
teólogo francês fala sobre suas experiências no campo das comunicações com os chamados mortos

O padre François Charles Antoine Brune (foto), teólogo e especialista em misticismo oriental e ocidental, sacerdote ordenado em 1960, é desde 1987 considerado um observador atento da investigação psíquica e da chamada Transcomunicação Instrumental (TCI).
 
Conferencista muito apreciado por estes e outros temas afins, é também autor de muitos livros, entre os quais "Os Mortos nos Falam” e “Linha Direta com o Além”. Graduado pela Sorbonne em Latim e Grego, com cinco anos de estudos de pós-graduação em Filosofia e Teologia no Instituto Católico de Paris e um ano adicional na Universidade de Tuebingen, na Alemanha, ele possui os mais altos graus de Teologia, Grego e Hebraico Bíblico, Hieróglifos Egípcios e Babilônicos da Assíria. E é, ainda, pós-graduado em Escrituras Sagradas pelo Instituto Bíblico de Roma.

A seguir, a entrevista que nos concedeu, em que fala sobre suas experiências no campo das comunicações com os chamados mortos:

Tem você alguma experiência pessoal com a Transcomunicação Instrumental (TCI)?
Nunca fiz nenhuma tentativa para receber, eu próprio, as vozes através da TCI. Mas assisti, frequentemente, a pesquisas feitas e estive muitas vezes presente quando as vozes se manifestaram por magnetofone (gravador) e tive também a ocasião, em Grosseto, Itália, com Marcelo Bacci, de falar diretamente com uma entidade, através do alto-falante de um aparelho de rádio.

Conheço seu livro “Os Mortos nos Falam” e um outro escrito em parceria com um professor da Sorbonne, Rémy Chauvin. 
Sim, “Linha Direta com o Além” (“À l’ Écoute de l’Au-delá”). Há também uma tradução em castelhano.

E tem também uma em português… Quem é que se comunica através dos médiuns ou pela TCI? São pessoas falecidas? 

Penso que a maior parte das vezes comunicamo-nos com os mortos, que vivem agora numa outra dimensão. Mas por vezes temos tido contactos também com extraterrestres, creio eu, até porque muitos pesquisadores o afirmam. Parece-me também possível o contacto com energias, simplesmente, como por exemplo no caso de Manfred Boden.

Vou fazer-lhe uma pergunta que poderá parecer provocatória: não será um paradoxo para um padre católico a Igreja Católica acreditar que Jesus se fez homem para salvar a Humanidade? Ora, se há Humanidade ou seres inteligentes noutros planetas, é porque a Humanidade não está só na Terra. Como fica então a teologia católica? 
Para mim, isso não é nenhum problema, pois não posso falar em nome da teologia católica, até porque não há sobre isso qualquer posição oficial. Apenas posso dar a minha opinião pessoal. O que penso é que todos esses planetas, todos esses mundos, todos esses seres inteligentes foram criados pelo mesmo Deus – não há outro – e foram também criados pelo amor e, provavelmente, eles conheceram o mesmo drama da liberdade. Tenho mesmo tendência a crer que o Filho de Deus reencarnou em cada um destes mundos e que foi certamente recebido da mesma forma triunfante como o foi na Terra. Além disso, há mesmo alguns textos que parecem vir desses mundos e que afirmam isso. Tal corresponde um pouco também ao que já diziam os padres gregos nos primeiros séculos do Cristianismo: segundo a categoria da época, o Filho de Deus fez-se Homem com os Homens, Anjo com os Anjos, Arcanjo com os Arcanjos, Querubim com os Querubins e Serafim com os Serafins… É um pouco a mesma ideia, afinal!

Serão necessários novos paradigmas para que a Ciência descubra o Espírito? 

Sim, creio que a Ciência deve adaptar-se a uma realidade que lhe escapa neste momento. Podemos fazer uma comparação: se eu for à pesca, para apanhar peixes tenho de lançar a linha e tenho de adaptá-la à posição do peixe. Não posso pedir ao peixe que siga o atalho que corresponde à posição da linha! As linhas são as teorias científicas para “apanhar” a realidade. Se conservo essa mesma linha, nunca conseguirei “apanhar” a tal realidade que me escapa. É, pois, necessário que a Ciência aceite mudar esses paradigmas, para se adaptar a novos níveis de realidade que de momento, repito, lhe escapam.

É verdade que no Vaticano há padres cientistas que pesquisam esta área? 

Sim, tenho a certeza que existe uma pequena equipe, composta de dois ou três padres, que estão ao corrente e que conhecem estes fenômenos. Se fazem eles próprios as pesquisas, isso já não sei. Havia o padre Andreash Resh, que criou um Instituto de Parapsicologia, o Instituts für Grenzgebiete der Wissenschaft – IGW, em Innsbruck. Ele ensinou durante muitos anos os fenômenos paranormais num Instituto que dependia da Universidade Pontifical de Latrão. Ele abandonou esses cursos para se dedicar, agora, a outros trabalhos. Mas contou-me que, por vezes, alguns cardeais lhe chegaram a pedir se não poderiam obter quaisquer comunicações, por exemplo, das suas mães. (risos)

A prova científica da imortalidade será considerada uma revolução para a humanidade, como o foi a Revolução Industrial? 

Sim, normalmente deveria ser até uma revolução ainda maior, mas nunca será assim, sabe? Na Idade Média, no Ocidente, todos ou quase todos acreditavam na vida eterna. E não se tornaram santos por causa disso! Continuou a haver criminosos, havia homens cheios de orgulho, homens ávidos de poder, de dinheiro… Essa verdade não fez o mundo mudar muito! Atualmente, cremos menos na vida eterna e estamos talvez mais em risco de nos tornarmos “monstros”, mas não bastará “encontrar” a vida eterna para que todos se tornem “santos”.

Dos casos que conhece, que objetivos têm os Espíritos, as pessoas falecidas, que se comunicam através da TCI ou dos médiuns? O que dizem eles? 
Dois motivos fundamentais: o primeiro é o de consolar os seres queridos que deixaram na Terra e que se encontram, muitas vezes, desesperados; o segundo é o de confirmar que a vida continua imediatamente após a morte, que Deus existe – dizem-no frequentemente – que nos espera, que nos criou por amor e que todo o sentido da nossa vida na Terra é o de crescer nesse Amor!

Que outros cientistas conhece que estejam a pesquisar esta área da comunicabilidade com o mundo espiritual? 

Há muitos já, atualmente! Há o Sinesio Darnell, em Espanha, o Prof. Senkowski, o Hans Otto König, temos também, na Itália, o Daniele Gullà, o Paolo Presi e ainda mais, no Brasil, em França… Infelizmente, não há um nível científico muito elevado, em França, nesse campo. Seria preciso muito mais. Creio que o melhor trabalho está a ser feito, atualmente, em Itália. Houve resultados extraordinários com Adolf Holmes, na Alemanha, mas esse não era um pesquisador, era alguém que recebia uma grande quantidade de mensagens, de comunicações, mas que não tinha formação científica para fazer pesquisas. No Luxemburgo, igualmente, o casal Julles e Maggy obteve numerosas e magníficas comunicações, mas não possuía os meios intelectuais e laboratoriais para realizar essas pesquisas. Da mesma forma, o alemão Klaus Schreiber, falecido recentemente, não tinha os meios necessários para a pesquisa científica. Há muito poucos cientistas interessados nestes fenômenos, infelizmente muito poucos, mesmo…

Mas as experiências são válidas, não são? 

Sem dúvida, tudo isso não impede que os resultados obtidos sejam extraordinários, nem entendidos. Conheci muito bem o casal Julles e Maggy, conheci também Adolf Holmes, pessoalmente, e sei que não existe qualquer espécie de fraude! Assisti a algumas experiências com ele, com o casal que já referi, no Luxemburgo, e com Marcelo Bacci também! Bacci não tem formação científica e, no entanto, consegue resultados extraordinários… Só que não consegue prosseguir os estudos!

Tem alguma mensagem que queira transmitir aos Espíritas Portugueses, ou aos Portugueses, em geral? 
Gostaria que continuassem a trabalhar neste sentido. Que continuem a progredir no Amor, cada um na sua vida, porque estamos na Terra para aprender a amar. Que utilizem estes meios de comunicação com o Além para confortarem a sua fé e mesmo a fé cristã, apesar do estado catastrófico em que se encontra a Igreja. Esta Igreja que não é fiel à mensagem do Cristo, mas esperemos que um dia se renove, é preciso que se trabalhe para isso… Mas, principalmente, é necessário conservar a fé, a fé cristã…!


Esta entrevista foi publicada originalmente no Jornal de Espiritismo da ADEP, de Portugal.
http://www.oconsolador.com.br

domingo, 31 de julho de 2011

“No meio espírita, somos todos parceiros”


ORSON PETER CARRARA 
orsonpeter@yahoo.com.br 
Matão, São Paulo (Brasil)


A Web Rádio Fraternidade consolida-se na divulgação do Espiritismo e sua experiência indica o caminho a seguir na tarefa de levar ao
grande público os ensinamentos espíritas


Rubens de Castro Silva (foto), formado em Comunicação Social e profissionalmente jornalista e assessor de imprensa, nasceu e reside em Uberlândia-MG. Vinculado à Seara Espírita Vinha de Luz, onde coordena uma reunião pública e uma reunião mediúnica, Rubens fundou e mantém, com outros companheiros, a Rádio Fraternidade, que, valendo-se da Internet, dedica-se à divulgação sistemática da doutrina espírita, em todas as 24 horas de cada dia.
Fale-nos sobre a Rádio Fraternidade. Ela é sintonizada exclusivamente     por     meio    da

Internet? Qual o seu endereço na Web?
A Rádio Fraternidade é uma emissora veiculada na rede mundial de computadores. Com isso ela é uma emissora, pelo menos por enquanto, exclusivamente pela internet. Ela pode ser acessada no endereço:www.radiofraternidade.com.br.


Como surgiu a ideia de formar uma rádio pela internet?

Tínhamos em 2008 dois programas espíritas na rádio comercial em Uberlândia, ambos com mais de 10 anos no ar. A rádio mudou sua grade e os programas saíram do ar. O tempo passou, quando acordo uma manhã com uma ideia fixa: criar uma rádio pela internet. Além da ideia de fazer isso, o próprio nome já estava na cabeça e definido. Deveria ser Rádio Fraternidade. A sensação era de que havia chegado de uma reunião no Plano Espiritual. Pensei comigo: Como fazer uma rádio pela internet? Era um grande desafio. Ao verificar que o domínio estava livre, “corremos” para registrá-lo. Lembro que tudo isso começou no início do mês de dezembro de 2008. “Apanhamos” muito até conseguir aprender. Funcionamos cerca de um mês e meio em testes. De forma oficial e em definitivo a rádio foi ao ar com uma programação de 24 horas no dia 1º de fevereiro de 2009.
Os custos são altos? E de onde surgem os recursos?
Na internet, os custos são mínimos. Usando a experiência da Web Rádio Fraternidade diria que você precisa do ponto de internet no estúdio da rádio, onde é gerada a programação, o servidor de streaming, a hospedagem do site, o pessoal para produzir a página, microfones e a mesa de som, que pode ser bem simples. Basicamente é isso. Para transmissão ao vivo, uma internet 3G, e um notebook. Muitos amigos chegaram se oferecendo para ajudar. Hoje temos amigos locutores que estão oferecendo sua voz, de forma gratuita, e gravando as vinhetas e spots que veiculamos na rádio. Antes disso éramos poucos. Isso já nos ajuda. Mas, falando dos custos, eles são cotizados entre aqueles que fazem parte da equipe com cada um colaborando como pode. A ajuda que sempre pedimos para todos é a divulgação da rádio.
Quais as maiores dificuldades de manter a programação?
A tarefa técnica de colocar no ar 24 horas de programação requer muito tempo no trabalho. Considero que o começo foi muito mais difícil, principalmente aprender a usar os recursos técnicos. Somando-se a isso a formatação de uma grade de programação, definir os programas que veicularíamos etc. Muitas vezes a tarefa nos custou noites e os dias de férias. Hoje temos muitos colaboradores que somam com o trabalho na rádio a partir de várias partes do mundo. Amigos que fazem sua participação gravando programas ou mensagens em seus próprios computadores e nos enviam. Acho que o grande desafio é encarar o trabalho com a responsabilidade que a Doutrina Espírita exige de cada um de nós. Como o trabalho na casa espírita, por exemplo. Acho que o amor é a essência principal desse tipo de tarefa.
Há retorno da parte dos ouvintes?
Muito retorno. Uma manifestação que nos emocionou muito foi a de um ouvinte que, do outro lado do mundo, no Japão, nos escrevera dizendo acessar a rádio pelo seu iphone. Ou seja, ele escutava a rádio pelo celular, enquanto se dirigia para o trabalho. Dá para imaginar? Isso é fantástico. Mas recentemente, em janeiro, quando estávamos perto de completar 2 anos da rádio, recebemos uma declaração via e-mail de uma ouvinte do exterior. Era um momento em que enfrentávamos dificuldades técnicas. Mas as palavras dela mostraram quanto o trabalho no bem ultrapassa fronteiras. Dizia: “olá, Rádio Fraternidade, sou brasileira, tenho 73 anos, morei 33 anos na Suécia. Há 3 anos fiquei viúva e me mudei para Portugal. Aqui me sinto muito doente e triste. Mas agora agradeço a Deus e tenho tido a companhia da Rádio Fraternidade e por isso vos agradeço muito”. Essas palavras vieram num momento delicado do nosso trabalho.
Há contatos do exterior também?
Sim. Temos contatos em várias partes do mundo. Aliás, na Suíça amigos nossos abraçaram a causa e têm-nos ajudado reportando o trabalho de nossos expositores espíritas no “velho mundo”. Muitas pessoas também acessam e interagem com a gente de Portugal. Recebemos acesso dos EUA, Canadá, China, Japão, Alemanha, Austrália, Itália, Grécia, Chile, Uruguai, Argentina etc. Já recebemos acesso de mais de 80 países. Aliás, estamos abertos aos confrades nesses países a interagirem conosco. Nosso objetivo é ajudar a divulgar os trabalhos espíritas ali existentes. É só entrar em contato com a gente.
Quais os resultados mais positivos já colhidos?
O resultado é o consolo que chega aos ouvintes. Costumo dizer que esse não é um trabalho meu ou da equipe. Esse é um trabalho acima de tudo de Jesus.  Somos necessitados de aperfeiçoamento, cheios de imperfeições e nos colocamos como instrumento Dele para, através desse pequenino e singelo trabalho, somar esforços e levar o esclarecimento que a Doutrina Espírita nos oferece. E principalmente usar do termo FRATERNIDADE para podermos unir povos e disseminar a Boa Nova ajudando a construir um mundo melhor, que só será alcançado com pessoas melhores, a partir da transformação de cada um de nós.
Há projetos para o futuro?
Sim, muitos, como mais programas ao vivo, uma maior interação com o ouvinte. Claro que outro sonho seria a possibilidade de ter a Web Rádio Fraternidade também em ondas hertzianas, chegando aos lares das pessoas que ainda não têm internet, através do rádio AM ou FM. Mas reconhecemos que é um custo ainda alto. Outro projeto é a transmissão mais constante e ao vivo de eventos artísticos, palestras e seminários espíritas. Já fizemos várias experiências muito positivas com a transmissão de eventos desse tipo com tecnologia de internet 3G. E isso é muito legal. Este ano estivemos em Goiânia, ao vivo, no período do carnaval, transmitindo o 27º Congresso Espírita de Goiás.
Algo mais a acrescentar?
                                                   
Diria que o trabalho no Bem é fundamental para todos nós. Muitas vezes as pessoas entram em contato pedindo orientações de como montar uma Web rádio. E sempre me coloco na condição de ajudar. Na divulgação da Boa Nova, no nosso meio espírita, de forma alguma somos concorrentes uns dos outros. Precisamos nos unir e deixar de lado o personalismo. Precisamos, nestes tempos de transformação, lembrar que somos todos instrumentos, cada um chegando a um público. Nas redes de comunicação comerciais temos concorrências. Aqui não! No meio espírita, somos todos parceiros. A causa de Jesus é mais importante.
Suas palavras finais.
Usamos muito na Rádio Fraternidade o lema deixado por Emmanuel: “O maior bem que podemos fazer em prol da Doutrina Espírita é a sua divulgação”. Acho que é isso que precisamos fazer e, claro, com a seriedade e a responsabilidade que a causa exige. Diria aos amigos leitores que abracemos a causa do Cristo e vivamos os seus ensinamentos tão bem esclarecidos através de Allan Kardec nas Obras Básicas. Qualquer trabalho no bem exige disciplina, desprendimento, força de vontade e amor naquilo que se faz.




domingo, 3 de abril de 2011

transformação do planeta

extraido de a revista "bem estar" encarte de O Diario da região,de São José do Rio Preto[sp]


Entrevista
Transformação espiritual do planeta depende de nós
São José do Rio Preto, 30 de agosto de 2009 
  Banco de Imagem  

Rita Fernandjes


04:48 - A evolução espiritual está condicionada ao desenvolvimento intelectual e moral, ou seja, é uma conquista de várias existências dedicadas ao trabalho, ao estudo e ao aprimoramento moral. A explicação é do médico sanitarista e professor universitário Ademar Arthur Chioro dos Reis, terceiro vice-presidente da Confederação Espírita Pan-americana (Cepa). De acordo com Reis, é esse aprimoramento que permite o processo de transformação do planeta, que está deixando de ser de provas para ser um planeta de regeneração. “A evolução material e espiritual permitirá que o bem prevaleça sobre o mal. O sofrimento e a dor darão lugar a um mundo de paz e felicidade”, diz.


A diferença, assegura Reis, é que a partir desta transformação, as pessoas não serão mais suscetíveis à dor e ao sofrimento. “Graças ao estágio evolutivo que alcançaram, esses espíritos mantêm uma vida pautada pelo trabalho, o estudo e a tarefa de apoiar o progresso de outros espíritos e mundos menos evoluídos”, afirma. O médico explica, porém, que não existe um prazo para esta mudança, embora o processo seja dinâmico, progressivo e esteja subordinado ao livre-arbítrio. “Observamos progressos significativos, mas temos ainda muito a fazer para aperfeiçoar as leis humanas e garantir a paz entre os povos, a justiça, a fraternidade, a igualdade, a tolerância, o respeito à diferença, preservar a natureza, eliminar a fome, o arbítrio e a exploração dos mais fracos”, diz.


Leia abaixo a entrevista de Reis à Revista Bem-Estar:


Bem-Estar - É verdade que a escala espírita dos mundos é da seguinte forma: primitivo, provas e expiações, regeneração, felizes e divinos? O que muda espiritualmente em cada estágio?
Ademar Arthur Chioro dos Reis - Trata-se de uma escala didaticamente proposta aos espíritos pelo professor Rivail (ou Allan Kardec, como ficou amplamente conhecido o fundador do espiritismo), a partir da observação científica que empreendeu por meio da mediunidade. Trata-se, objetivamente, de uma visão dinâmica e evolucionista, reconhecendo que o mundo material, assim como as inteligências que nele habitam, submete-se à evolução como uma lei natural. Foi a partir da investigação criteriosa das manifestações dos espíritos que Kardec logo percebeu que estes se encontram, encarnados ou desencarnados, em diferentes estágios de evolução intelectual e moral. Como se unem pela lei de afinidade acabam conformando mundos com diferentes dimensões evolutivas (material, espiritual, intelectual e moral).


Bem-Estar - Já começou o processo de transformação de provas e expiações para regeneração no planeta Terra? Quando começou este processo e em quanto tempo é estimado para ser totalmente de regeneração?
Reis - Não há uma nítida separação, um momento determinado que caracterize essa transformação. O processo é dinâmico, progressivo e está subordinado ao nosso livre-arbítrio. Somos, como dizia o filósofo espírita José Herculano Pires, co-construtores do universo. Observamos progressos significativos, mas temos ainda muito a fazer para aperfeiçoar as leis humanas e garantir a paz entre os povos, a justiça, a fraternidade, a igualdade, a tolerância, o respeito à diferença, preservar a natureza, eliminar a fome, o arbítrio e a exploração dos mais fracos... Não há, portanto, um marco temporal para a superação de um determinado estágio evolutivo. A superação depende, fundamentalmente, do esforço, do suor e do trabalho empreendido para a construção de um mundo melhor.


Bem-Estar - O que vai mudar efetivamente quando o planeta for de regeneração?
Reis - Viveremos num mundo hegemonicamente marcado pela tolerância, a fraternidade, o respeito pelo próximo e o amor. A evolução, material e espiritual, permitirá que o bem prevaleça sobre o mal. O sofrimento e a dor darão lugar a um mundo de paz e felicidade. Não se trata de um mundo contemplativo. O trabalho, o estudo, o lazer e as demais atividades humanas serão marcadas pela predominância da paz, da serenidade e da felicidade. A espiritualidade permite que vislumbremos esse mundo não como uma construção utópica, inalcançável. Por meio da lei palingenésica, das sucessivas vidas, nós mesmos seremos beneficiários do que cultivarmos a cada instante de nossas vidas, dos esforços que empreendermos no aprimoramento ético e intelectual de nossa civilização. A espiritualidade proporciona uma visão profundamente otimista do futuro, um pacto intergeracional de responsabilidade com a vida, a natureza e as diferentes gerações, unidas num processo civilizatório por meio da reencarnação.


Bem-Estar - A espiritualidade já providenciou a vinda de espíritos mais evoluídos para este processo de transformação? Existe uma linha que fala em pessoas “índigos”. Seriam esses os espíritos que vão fazer parte desta mudança?
Reis - O progresso é uma lei natural. Não depende da intervenção da espiritualidade, como se fôssemos robôs cumprindo um programa previamente traçado. Temos autonomia para cumprir nossos desígnios. Nossa responsabilidade aumenta proporcionalmente ao grau de evolução intelecto-moral. Evoluímos porque se trata de uma lei natural. Somos seres dotados de perfectibilidade e buscamos intimamente a felicidade. Crescemos a partir das lições que vivenciamos. A partir dos acertos e erros aprimoramos habilidades, preferências, virtudes e aptidões. A conquista desta evolução é fruto do trabalho, do esforço, da vontade, individual e coletiva, e não da manipulação da espiritualidade. É verdade que somos influenciados - positiva ou negativamente - pelos seres a quem nos unimos pela lei de afinidade, mas não somos marionetes nas mãos dos desencarnados. Aliás, essa relação é de mão dupla, na medida em que também influenciamos os desencarnados. O que muitos não entendem é que nascer, morrer, renascer e progredir sempre é o processo natural da vida do espírito imortal. Não há outro caminho para a evolução do espírito e da própria humanidade.


Bem-Estar - É verdade que o objetivo desses espíritos evoluídos é promover o conhecimento e o amor?
Reis - A missão dos espíritos evoluídos não é viver em contemplação. Como disse anteriormente, a evolução está condicionada ao desenvolvimento intelectual e moral, conquista de várias existências dedicadas ao trabalho, ao estudo e ao aprimoramento moral. Se não são mais suscetíveis à dor e ao sofrimento, graças ao estágio evolutivo que alcançaram, esses espíritos mantêm uma vida pautada pelo trabalho, o estudo e a tarefa de apoiar o progresso de outros espíritos e mundos menos evoluídos.


Bem-Estar - Quando o planeta for de regeneração, o que vai acontecer com os espíritos inferiores?
Reis - Não serão mais a maioria. Podem permanecer ainda por aqui, construindo sua jornada evolutiva ou reencarnar em outros mundos mais consentâneos com seu estágio de evolução. Por vezes, reencarnar em mundos que não são dotados do mesmo grau de desenvolvimento material e tecnológico pode servir de estímulo, atuando como um meio desafiador. De certa forma é isso que parece ter ocorrido em nossas civilizações antigas, cujas vultosas obras e a habilidade para transformar a natureza continua sendo um desafio para a compreensão humana. Refiro-me às pirâmides e outras maravilhas das civilizações antigas. Uma das hipóteses é que seja fruto de legiões de espíritos mais desenvolvidos intelectualmente, mas que não acompanharam o processo evolutivo em seus planetas. Aqui na Terra, em ambiente absolutamente inóspito, vieram expiar novos desafios e dar seguimento ao seu processo evolutivo, contribuindo indiretamente para o progresso da civilização humana. A teoria espírita, centrada na imortalidade da alma e na evolução infinita através da reencarnação, permite alargar a nossa compreensão sobre a origem, a missão e o destino do homem e do mundo.


Bem-Estar - O que cada pessoa precisa fazer para conseguir a evolução espiritual e estar apta para viver nesta nova fase da Terra?
Reis - Não há receitas, mas acredito que compreender que somos espíritos imortais, dotados de livre-arbítrio e que somos responsáveis por tudo o que fomos, somos e seremos, que cada ação gera reação, permite uma nova visão do homem e do mundo. O espiritismo é revolucionário exatamente porque comprova que a morte do corpo físico não é o fim. Que a vida continua e que vale, até o último instante de nossa existência corpórea, lutar pelo aprimoramento intelectual e moral.


Bem-Estar - O senhor acredita que o mundo sofre as consequências das escolhas feitas no passado, como ignorância, egoísmo e materialismo? Por quê?
Reis - A predominância da ignorância, do orgulho, do egoísmo e a supremacia do materialismo retratam o atual estágio de evolução de nosso planeta. Os espíritos têm sua trajetória evolucionária desde o átomo até os seres mais superiores da criação. O progresso material e espiritual é inexorável. Essa é a lei da natureza. Compreender essa realidade é buscar o aprimoramento individual e coletivo. O homem é o sujeito, protagonista de sua própria história, sendo totalmente responsável pelo que é e pelas circunstâncias em que se encontra.


Bem-Estar - O senhor acredita que no futuro será possível viver em uma sociedade sem guerras e preconceitos?
Reis - Quando prevalecer no mundo a justiça, a fraternidade, a tolerância e o amor ao próximo não haverá lugar para guerras e preconceitos, expressão do egoísmo e do orgulho. Não sei quanto tempo demorará, porque depende da nossa atitude. Não podemos perder a esperança de viver num mundo cada vez melhor. Para isso, precisamos colocar toda a nossa energia, vontade e trabalho para cumprir a nossa parte nesta árdua tarefa e parar de esperar que a espiritualidade o faça por nós.


Bem-Estar - O que cada pessoa precisa fazer para garantir um futuro de paz e sem guerras?
Reis - No plano individual, cultivar, na consciência e no coração, uma cultura de paz. Praticar a paz, ser solidário e fraterno. Mas ficamos incompletos se tentarmos uma autotransformação sem levar em conta a sociedade ao nosso redor. É preciso compreender que somos todos irmãos, em situações diversas de aprendizado. É preciso lutar contra toda e qualquer forma de injustiça e intolerância. Compreender que o homem é sujeito do seu destino e que pode fazer a diferença, acima de tudo, se acreditar no poder transformador da educação e do exemplo. O desenvolvimento intelectual e moral é a chave para a evolução consciente do espírito e da própria humanidade.


Raio X:
Ademar Arthur Chioro dos Reis é médico sanitarista, professor universitário e secretário de Saúde de São Bernado do Campo. Atualmente é conferencista e escritor espírita, membro fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e do Centro Espírita Allan Kadec, de Santos. Reis também é o terceiro vice-presidente da Confederaçao Espírita Pan-americana (Cepa

felicidade

extraido da revista "BEM ESTAR,encarte de O DIARIO DA REGIÃO,são josé do rio preto[sp]


Felicidade
Somos herdeiros de nós mesmos
São José do Rio Preto, 4 de outubro de 2009 
  Orlandeli/Editoria de Arte  

Rita Fernandjes


A felicidade é consequência de aprimoramento espiritual de cada um de nós e exige esforço contínuo. Segundo o promotor de Justiça e dirigente espiritual Marcos Antonio Lelis Moreira, de Rio Preto, segue adiante no seu aperfeiçoamento aquele que vive sem prejudicar a ninguém, em paz e com a consciência tranquila. “Somos herdeiros de nós mesmos e poderemos vivenciar experiências difíceis, dolorosas, consequências de nossos equívocos de vidas passadas, mas que servem hoje como métodos educacionais para o nosso aprendizado, tudo conforme a programação de Deus para o nosso progresso”, explica. “Por isso, nada de desânimo, precisamos seguir adiante e conquistar a nossa felicidade”, diz. Leia abaixo a entrevista de Lelis à Revista Bem-Estar


Bem-Estar - Por que, na sua opinião, muitas pessoas buscam a felicidade como se fosse uma luta, ou seja, como se fosse algo muito difícil de alcançar? Muitas pessoas acreditam que a felicidade é um privilégio de poucos, quando na verdade não é...
Marcos Antonio Lelis Moreira - Necessitamos aprender que felicidade é um estado d’alma e não uma conquista transitória de coisas, pessoas ou posições sociais. Todos renascemos com a possibilidade da conquista da felicidade relativa, própria deste nosso plano terreno e é preciso trabalharmos para merecê-la, vencendo o nosso egoísmo e o orgulho. Não há, portanto, privilégios. A felicidade é consequência de aprimoramento espiritual de cada um de nós, exige esforço contínuo.


Bem-Estar - De acordo com a doutrina espírita, a felicidade depende de quais fatores (estado de espírito, sintonia com o bem e seres superiores, estado emocional...)?
Lelis - Dizem os espíritos superiores que a felicidade resulta na fé no futuro e na consciência tranquila. Tem fé no futuro aquele que acredita em Deus, que é a Inteligência Suprema, a Causa Primária de todas as coisas, Soberanamente Justo e Bom, acredita nas Suas Leis, que são eternas e justas, no Seu Amor Incondicional, compreendendo que nada ocorre ao acaso. Diante desta verdade, segue adiante no seu aperfeiçoamento sem prejudicar a ninguém, em paz, com a consciência tranquila. É verdadeiramente uma criatura feliz. Acrescentam as entidades espirituais que a felicidade material é a posse do necessário para viver, nos levando a refletir que somos infelizes por culpa nossa, pois teimamos em ter o supérfluo.


Bem-Estar - Quais são as influências das vidas passadas para o alcance da felicidade nesta existência?
Lelis - As nossas vidas são solidárias. Somos artífices do nosso destino. Disse Jesus uma grande verdade: que a sementeira é livre, mas a colheita é obrigatória e acrescentou cada um conforme as suas obras. Assim somos herdeiros de nós mesmos e poderemos vivenciar experiências difíceis, dolorosas, consequências de nossos equívocos de vidas passadas, mas que servem hoje como métodos educacionais para o nosso aprendizado, tudo conforme a programação de Deus para o nosso progresso. Por isso, nada de desânimo, precisamos seguir adiante e conquistar a nossa felicidade.


Bem-Estar - Até que ponto a nossa infelicidade é consequência da vida passada ou do livre-arbítrio?
Lelis - Quando nos envolvemos com a infelicidade, sem motivo aparente, sem culpa real de nossa parte, podemos concluir que agimos errado em vidas pretéritas e recebemos de volta os resultados de nossas ações infelizes, quando prejudicamos o nosso próximo. É a demonstração prática da lei da ação e reação, da causa e do efeito e, por isso, não podemos reclamar de ninguém e trabalhar intensamente para reverter o quadro que vivenciamos, e melhorar a nossa vida o máximo possível. Na verdade o exercício do livre-arbítrio, sem discernimento, com carência de maturidade, nos impulsiona a escolhas equivocadas e sofremos as consequências dolorosas dos nossos atos, mas elas são importantes experiências para o nosso crescimento espiritual.


Bem-Estar - É verdade que para crescer espiritualmente não importa o que fizemos no passado, mas sim o que estamos fazendo agora? Por quê?
Lelis - O importante é ter disposição em crescer, reconhecer a nossa essência espiritual e investir no nosso enriquecimento, isto é, brilhar a nossa luz, como afirma Jesus. Não nos encontramos na vida física, simplesmente, para usufruir de suas delícias. Na verdade a reencarnação é uma proposta de Deus para todos nós. É uma bela oportunidade de crescimento espiritual. Devemos, pois, agir, fazer o melhor e amar muito. Não podemos perder de vista o roteiro para as nossas realizações felizes: O Evangelho de Jesus. Praticar os seus ensinamentos é o verdadeiro caminho do crescimento espiritual.


Bem-Estar - É verdade que após o desencarne, as vivências no plano espiritual vão depender do estado emocional em que a pessoa se encontra no momento de sua morte? Por exemplo, o espírito de uma pessoa em depressão ou rancorosa terá mais dificuldades no plano espiritual comparado ao espírito de uma pessoa que morre em paz, feliz e serena? Por quê?
Lelis - Morrer é um fenômeno natural, fisiológico, todavia, a desencarnação é um processo complexo, refletindo uma série de fatores e circunstâncias. Experiência única, por isso, podemos afirmar que não há desencarnações iguais. Entretanto, podemos citar alguns fatores que favorecem nossa chegada e vivência no plano espiritual, como a nossa conduta digna, o nosso desprendimento dos bens terrenos, o exercício pleno do amor. Assim, vale analisar a nossa existência por aqui, para sabermos como será a nossa vida por lá na espiritualidade, acrescentando que ainda temos tempo de mudar. No livro “Céu e Inferno”, de Allan Kardec, há várias comunicações de espíritos sobre a vida espiritual. Vale a pena ler.