a partir de maio 2011

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A CRENDICE DOS EXPERIMENTADORES



ARTIGO: Crônicas do jornal “Mundo Espírita”, sob o título “Na Hora da Consulta”
FONTE: Mundo Espírita – Carlos Imbassahy – 3 de agosto de 1946

Volto a tratar de antigos escritos do prof. Leopoldo Aires, em vista de um amigo pedir-me esclarecimento a respeito.
Num artigo publicado na “Centelha” de São Paulo, dissera eu que o meu eminente patrício teria pregado um “carapetão” ao reverendo Otoniel Mota, quando lhe fizera crer que os médiuns só recebiam espíritos por estarem cheios de “espiritice”
Longe de mim querer melindrar o digno articulista. Há pessoas que, por apaixonado sectarismo ou acendrado amor a uma causa, lançam umas tantas afirmativas que fogem à verdade, e daí “os carapetões”, embora suponham os seus autores, muito sinceramente, que estão certo. É o caso do prof. Leopoldo Aires.
Não se trata de um insciente. Passavam pelo seu gabinete médiuns e sensitivos, estes não espiritualistas, e entre os fenômenos observados se conta a escrita automática; é senhor de uma biblioteca no assunto e vinte e cinco anos de meticulosa leitura; andou por hospitais e casas de saúde, onde muito viu e aprendeu. Temos, portanto, o direito de exigir do estudioso pesquisador, mais esclarecidos informes e mais justas explicações. Muito se pedirá a quem muito se houver dado.
 Vejamos uma das asserções. Assim diz o mestre:
 “O desejo da sobrevivência arrisca os pesquisadores espíritas às mais flagrantes falsificações e não os forra à contingência de se enganarem através de sua sugestibilidade. Facile credimus quod volimus”.
 Ora, não pode haver mais retumbante engano em matéria de pesquisa e pesquisadores. Com vinte e cinco anos de estudos e uma biblioteca no assunto, é de pasmar não saiba o honrado escritor que nenhum psiquista digno desse nome, salvo, talvez, raríssimas exceções, tenha entrado no campo das experiências com o desejo da sobrevivência, com o desejo de Espíritos  ou com o espírito cheio de desejos. Muitos, ao contrário, eram absolutamente infensos ao Espiritismo e começaram seus estudos no firme propósito de desmascará-lo.
 Dale Owen, por exemplo, principiou a investigação tão só para mostrar o erro em que se achava o pai. O resultado, contra sua expectativa e seus desejos, levou-o à crença no fenômeno e na imortalidade. Veja-se do autor – Footfalls on the Boundaries of Another World e The Debatable Land.
 O professor George Sexton começou por furiosa campanha contra os fenômenos psíquicos. Pouco tempo depois, espantava a todos que o conheciam pelo seu livro – o Materialismo Científico calmamente considerado(Scientific Materialism Calmy Considered).
 John Edmonds, o eminente jurista e legislador americano, presidente do mais alto tribunal de seu país, autor de vários trabalhos, confessa: Fui investigar, convencido da impostura, e tentando desmascará-la, cheguei à conclusão diversa e sinto-me no dever de divulgá-la.(New York Courier-1-8-1853) 
Walter Winn, redator de importante periódico, escritor festejado que afirmava sua crença na sobrevivência do filho, declara: - Deve-se notar que comecei meus estudos com o maior dos ceticismo. (Rupert Lives, 1918)
 Para Conan Doyle, que foi um dos maiores propagandista do Espiritismo na Inglaterra, “os fenômenos espíritas eram a maior tolice da terra e chegava a admirar-se de que os homens sãos pudessem acreditar em tais coisas(The New Revelation).
 Bozzano era um filósofo materialista, positivista, de um cepticismo rabbioso. Quem lê as obras de Flammarion vê que ele só cedeu à hipótese espírita quando a aluvião de provas já lhe não podia deixar dúvidas.
Paul Gibier diz na sua obra O Espiritismo: Declaramo-lo franca e altamente: No começo dessas pesquisas tínhamos a convicção íntima que nos achávamos em face de uma colossal mistificação, que era preciso desvendar. Levamos muito tempo para nos desfazer de tal idéia.(intr. Págs. XXI, XXII, Ed. De 1896).
Lombroso, no prefácio ao seu trabalho sobre Espiritismo e Hipnotismo declara que os seus amigos procuraram dissuadi-lo de estudar o assunto, afirmando que ele iria manchar a sua reputação, e o acabrunharam de objeções. E o psiquiatra pensava com eles!
Aliás, correm mundo as primeiras opiniões do grande criminalista, contrárias ao psiquismo. E os adversários nunca as esquecem quando pretendem enfileirar Lombroso entre os negativistas.
William Barret não era espírita. Pensava, porém, que seria loucura resolver a quadratura do círculo ou o movimento perpétua, em razão da extensão do nosso saber, mas que outras questões havia que só nos pareciam impossíveis em razão da nossa ignorância. Entre estas figuravam as psíquicas.
Chegou às conclusões da imortalidade “não por uma exame rápido e superficial, mas por 40 anos de infatigáveis trabalhos”. (No Sólio do Invisível). Lembra-nos, ainda, que o Dr. Hodgson encetou suas longas e difíceis investigações com  as mesmas dúvidas dos seus críticos; que Hyslop, da Universidade de Columbia, era agnóstico; que Myers, como Hodgson, foi forçado a aceitar a hipótese espírita; e ele, mesmo, assegura que as testemunhas criam ver o que descreviam por má observação ou a  alucinação que se produz no início da hipnose”.
Ora, suas primeiras experiências foram em casa de um senhor que estava longe de ser espírita, ele e os seus. Começou, então, a luz a entrar-lhe pelos olhos, voluntariamente cerrados.
Lembra-nos, por fim, o dialogo entre Hunt e Ruskin.
Holman Hunt perguntou a Ruskin: - Mas você tinha declarado que abandonara a crença na imortalidade. – É verdade – respondeu Ruskin, - mas as provas fornecidas pelo Espiritismo me obrigaram a mudar de opinião.
Como vê o nosso correspondente, se, na matéria que estudamos coubesse o aforismo do professor Aires, no que acreditariam os psiquistas era na falácia da hipótese espírita e na falsidade da comunicação, e provavelmente, na mortalidade da alma.
Já se vê, pois, que as afirmativas do nosso caro Aires vão de encontro à verdade absoluta dos fatos, o que, entretanto, nós devemos relevar, já em atenção ao muito que nos merece, já por sua sinceridade e boa fé

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