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segunda-feira, 12 de março de 2012

Os Fatos Espíritas e as Forças X;Cairbar Schutel


V - A força do preconceito


De todas as forças que oprimem o Espiritismo, a que mais o tem prejudicado é a "força do preconceito".
Desde o primeiro vestígio com que o "amor próprio" maculou a alma humana, o preconceito procurou fazer dela um títere, e lhe vai sugando a seiva da vida.
Tudo tem passado e vem passando, mas o preconceito é o esbirro teimoso que faz mais vítimas no campo das lutas incruentas, que as metralhas nos campos de Marte.
Estas matam o corpo, aquele mata a alma.
Mas de todas as artimanhas que o preconceito tem usado para entravar a marcha do progresso humano é, sem dúvida, a religiosa que vem há tempo solapando todas as bases da moral e destruindo o cimento da Fé que os arautos da Espiritualidade preparam para o reerguimento das consciências oprimidas.
Quando Moisés subiu ao Sinai deixou o povo com Aarão à espera dos mandamentos que deveriam orientar as gentes para os altos surtos do amor, e quando voltou encontrou os israelitas adorando o bezerro de ouro fundido das jóias que cada um possuía. Impossível a Moisés fazer prevalecer os preceitos do decálogo. O Deus Espírito não podia ser aceito por um povo bruto e material, havia necessidade de um "deus de ouro".
Passaram-se os tempos e o preconceito, a despeito das novas verdades e grandes descobertas que têm transformado a face do mundo, continua a exercer o seu poder nas consciências.
A força do preconceito, para muitos, tem mais poder que a verdade. É este um dos motivos que impede a marcha ascensional do Espiritismo entre nós.
Sem dúvida, o preconceito é o fundamento de todas as idéias preconcebidas, que têm tentado abater a Verdade em suas múltiplas manifestações, mas o preconceito passará, também, porque a falsidade não pode prevalecer.
























VI - A preexistência e o subconsciente


A doutrina da preexistência do espírito está em intima relação com a da sobrevivência ao corpo.
A lei das vidas sucessivas vem em apoio a esta verdade consoladora e luminosa.
A vida não começa no berço e não termina no túmulo.
É nas vidas múltiplas na Terra e em outros mundos que adquirimos, conhecimentos e vamos nos libertando da ignorância que nos prende à infância do espírito.
É no perispírito que se gravam todas as imagens fornecidas à mente pelo mundo exterior, ele é o repositório de todas as aquisições, de todos os conhecimentos adquiridos, de tudo o que aprendemos, vimos, ouvimos e sentimos através das existências que percorremos..
Está, portanto, no perispírito a sede exclusiva da subconsciência.
A aceitação da subconsciência, em determinadas condições, implica, portanto, a aceitação da preexistência e da sobrevivência espiritual, bem como a reencarnação dos espíritos.
Quer isto dizer que os materialistas e os espiritualistas que não aceitam a reencarnação, não podem invocar a teoria do subconsciente para explicar fenômenos que estão na esfera do animismo; assim não explicam, porque não aceitam a doutrina das vidas múltiplas, a razão de ser da precocidade ou os "meninos prodígios", que tanto os maravilha.
De fato, como dar provas de conhecimentos que se não se adquiriu na Terra, se a alma começa e termina com o corpo ou se a alma, como dizem o Catolicismo e o Protestantismo foi criada com o corpo?
Como proclamar a "teoria do inconsciente" - com "aquisições anteriores." se se tem certeza que o indivíduo, com quem ou em quem se observa os fenômenos, nenhuma aquisição tem de tudo a que disse e dos altos conhecimentos que manifestou?
Um indivíduo, por exemplo, em estado de transe, de sonambulismo, fala do que não estudou, trata de assuntos altamente científicos ou filosóficos que não estão ao seu alcance em estado normal, quando não há aí interferência de um Espírito, uma outra personalidade, não há dúvida que a "teoria do subconsciente" ai é manifesta, mas sem dúvida alguma, também essa teoria não é um derivativo materialista e sim está intimamente ligada aos princípios espíritas da preexistência e vidas sucessivas.
O corpo humano nada pode; a espírito sim, quando mais ou menos livre. dum. organismo denso e grosseiro que constitui o seu invólucro na Terra, pode dominar esse invólucro, e ler, remontando à corrente do passado, uma a uma, as páginas da sua existência integral, cujas ações e idéias desfilam ao longo do trajeto de suas encarnações.
Inventem teorias e forças, e todas elas passarão aos clarões vivificantes da Verdade que orientará as almas para os destinos felizes que as esperam.






VII - Espírito - força e matéria


Não negamos a existência da força, como não negamos as propriedades da matéria, mas não nos é possível admitir que a uma ou a outra fossem concedidos os atributos que só ao Espírito foi permitido gozar.
Espírito, força, matéria, eis, pois, a trindade real, indefectível que se apresenta aos olhos humanos e cujo estudo reclama a sua atenção.
Por que querer fazer abstração de um, que é causa preponderante da manifestação das outras, quando no nosso modo de julgar tudo o que se apresenta no cenário da vida não pode renunciar o fator inteligente com as suas prerrogativas industriais, científicas e artísticas?
Diante de uma simples cadeira construída de tábua nós reconhecemos uma entidade operante, uma inteligência e nem nos lembramos da matéria e da força que se lhe acham adstritas; entretanto, em face de coisas de muito maior valor e difícil execução que uma cadeira, negamos a ação espiritual e nos perdemos no labirinto das teorias abstratas que não falam ao sentimento, nem ao raciocínio!
Os fatos nada mais são que caracteres: eles representam a palavra escrita das nossas aptidões, produtos do grau de inteligência com que o Criador nos galardoou; e, quando esses fatos se manifestam de forma que não podem ser produtos humanos, é que existem seres imperceptíveis aos nossos limitadíssimos sentidos carnais que os engendraram para denunciarem aos homens a existência de um mundo extracorpóreo, cujos Espíritos vivem, sentem, amam e odeiam, e têm vontade própria, inteligência e liberdade de ação.
O homem não precisa fazer conjeturas, refundir os elementos esparsos das filosofias incongruentes, idéias que se chocam e se destroem para explicar as causas dos Fatos Espíritas que vêm valorizar a Moral e dar novo incremento à ciência, porque as teorias negativistas são como os castelos de cartas que caem ao mais leve sopro.
Mas, então, perguntar-nos-á o leitor: o Espiritismo atribui aos Espíritos, às Almas dos que impropriamente chamamos mortos todos os fenômenos psíquicos atualmente observados em todo o mundo? O Espiritismo diz que todos os fenômenos são produzidos pelos Espíritos, não só desencarnados, que constituem o mundo supra-sensível, mas também pelos encarnados que vivem na Terra.
Aos primeiros deu-se o nome de fenômenos espíritas, porque são produzidos pelas "almas dos mortos"; aos segundos, anímicos, porque são produzidos pelas "almas dos vivos". Mas é sempre a alma, o espírito, o autor das manifestações.
Desça o homem do pedestal em que falsamente se colocou, e reconhecerá as suas aptidões, compreenderá a sua existência independente do corpo carnal e sua sobrevivência à morte desse corpo, instrumento que é da sua manifestação na Terra.
Para que fazer dos agentes causa, quando nós sabemos, perfeitamente, que para todos os atos da vida não podemos dispensar os intermediários da nossa vontade que a ela se acham subordinados?
Estamos nos tempos em que o raciocínio, como atributo da inteligência, precisa ser aplicado para o discernimento do que estudamos.
As palavras vãs nada explicam e ainda têm o inconveniente de levar a desorientação àqueles que nos lêem, e que nos ouvem, pois aceitam-nas às mais das vezes por subserviência, outras para fazer favor, mas não por compreenderem e se convencerem do que dissemos.
Os fatos ai estão e vão se repetindo como tem acontecido em todas as épocas.
Verifiquem os fatos, mas estudem-nos em suas múltiplas fases que hão de encontrar neles este lema: Espiritismo.



















VIII - Ciência bastarda


A inteligência foi doada às almas para a conquista de seu progresso e de sua felicidade.
Rude no começo, cultivada depois e, por fim esclarecida, vai ela se enaltecendo, crescendo em todos os conhecimentos, até que em alto surto desvende horizontes amplos e se ponha em relação com a natureza das coisas criadas.
Algemada a um amontoado de dogmas, cerceada pelos mistérios, condenada à escravidão, presa aos estreitos círculos do convencionalismo, a inteligência é como um pássaro enclausurado a quem se fura os olhos: canta, trina as suas chorosas melodias, que não são mais que repetir os anseios de liberdade, as reminiscências das alturas, onde em vôos altivos expandia seu gênio livre em busca de outras terras e outros céus, outros ares, outras paragens onde admirava as magnificências do Cosmos.
Querer delimitar a inteligência é paralisar o seu progresso, é condená-la ao desespero, à loucura, à morte!
Qual a sábio, o escriba que se julga de posse de todo o poder, de toda a crença, de toda a sabedoria, de toda a verdade?
Qual dos humanos é o mais inteligente, o mais rico de conhecimentos, o mais consciente dos seus dons, da sua tarefa, do seu dever?
E aquele que paira nas alturas, como ilustrou ele a inteligência, como adquiriu conhecimentos, compenetrou-se dos seus dons e obteve a noção do cumprimento do dever?
Estas qualidades, verdadeiros ornamentos da alma, tê-las-ia ele tirado dos dogmas, aprendido na abstração dos mistérios, encontrado no convencionalismo do sectarismo religioso ou cientifico?
O que é a ciência de hoje senão e glória adquirida pelos mártires da fé e da sabedoria?
O que será a ciência de amanhã senão os louros que se vão colhendo no meio dos combates do pensamento, sustentado pelos mártires da fé e da sabedoria?
Na história da humanidade e seu progresso incessante para a Luz, salientam-se as grandes perseguições e os repetidos ataques do oficialismo cientifico e religioso, contra as descobertas e contra os missionários que, enfrentando o obscurantismo comodista, embora com sacrifício da própria vida, têm abatido as barreiras da ignorância, fazendo repercutir no mundo o retinir do camartelo do progresso, abrindo assim, às inteligências, novas veredas promissoras dos altos destinos que nos esperam.
A inteligência não pode estacionar. Tudo caminha, tudo evolui em busca de luzes mais claras, de felicidades mais estáveis e verdadeiras.

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