III - Forças Vitais Incompletas
O Espiritismo é um conjunto harmonioso e
belo; é uma Filosofia que estende as suas investigações sobre todos os
conhecimentos humanos; é uma ciência sólida, irresistível porque se baseia em fatos
que denunciam o seu caráter científico; é além de tudo uma luz poderosa que nos
ilumina a inteligência, aclara o raciocínio de tal modo que, muitas vezes, nos
maravilhamos de sua lógica irrepreensível, de sua harmonia de vistas com o Bem
e o Belo, os grandes fatores da verdadeira felicidade.
É por isso que, estudando o Espiritismo,
recusamos beber as águas turvas das interpretações dogmáticas, e não nos submetemos
aos conceitos escravistas das maiorias, mas acostumados ao livre exame
esmiuçamos o caráter religioso de todas as crenças, para auxiliar os que
conosco mourejam nas lutas da vida e forçá-los, de certo modo, a beber nessa
Fonte primordial da Verdade que dessedenta e purifica.
Tudo o que é da terra é instável e as
opiniões dos homens são fumarentas como as luzes que se desprendem da lenha
verde.
Mas passemos à teoria que, à surdina, vem
desviando as almas do caminho da Verdade.
- "Teoria gnômica: consiste ela na
crença da existência de um mundo imaterial, vivendo ao lado de nós e
manifestando a sua presença no nosso meio, em certas e determinadas ocasiões e
condições.
Fazem parte desse mundo, seres a quem dão
os nomes de fadas, silvanos, duendes, diabretes, gnomos, em geral seres não
acabados e espíritos vitais chamados elementares, que são justamente, segundo
os teoristas do ocultismo e da teosofia, os produtores dos fenômenos do
espiritismo.
Pelo que se vê, se penetrarmos no íntimo
dos autores dessa conjetura, essa teoria é uma espécie de fusão da "teoria
do ser coletivo", com a "teoria demoníaca", urdida pelo espírito
de sistema para armar mais uma emboscada à já triunfante Doutrina dos
Espíritos.
Com efeito, o que são seres vitais, não
acabados?"
Como podem espíritos vitais, seres não
acabados, dar provas cabais de inteligência superior ao homem que no dizer dos
"gnômicos" é um "espírito acabado?" Já se viu algum dia
dizer que a parte fosse superior ao todo?
Poderiam, esses compêndios de alta
filosofia, ter como autores "espíritos não acabados"?
Katie King, que por três anos consecutivos
confundiu um dos maiores sábios do mundo demonstrando-lhe a verdade da imortalidade,
o que a teosofia e o ocultismo não conseguiram, pode ser um "elemental, um
gnomo, um duende"?
Essas mensagens, ricas de moralidade,
substanciosas em exortações, convidando-nos à caridade, ao desapego às coisas
do mundo, podem ser obras de "silvanos e de fadas"?
Temos ouvido muitos partidários dessa
"teoria'' dizer que as sessões espíritas são freqüentadas por "elementares
e cascões", e que as grandes coisas que embelezam o Espiritismo são
assimiladas pelo espírito do médium, que sobe ao "astral superior",
porque, dizem eles, os Espíritos elevados não baixam à Terra.
É para lamentar tal dislate, tanto mais em
pessoas que se julgam criteriosas.
E por que motivo se negaria um Espírito
adiantado a baixar a esta atmosfera para guiar-nos ao bem, à verdade e a
justiça?
Serão eles melhores do que o Cristo Jesus
que, não só na carne, mas também em espírito, deu reiteradas comunicações e
manifestou-se por tanto tempo àqueles que, com sinceridade, invocavam o seu
santo nome?
Além disso, não parece mais lógico e mais
racional vir de preferência um espírito à Terra, Espírito adiantado, que
subirem os atrasados ao "astral superior?"
Felizmente pouquíssimos são os prosélitos
que a teoria gnômica tem feito, e a grande maioria dos que enchem as fileiras
da teosofia e do ocultismo, confessam ter a sua fé viva no Espiritismo, porque
aquelas seitas religiosas são incapazes de lhes demonstrar a imortalidade.
IV - As Forças N, V, X
Em face dos fenômenos espíritas, todos os
que não quiseram dar-se ao trabalho de estudar os grossos volumes que enchem as
bibliotecas e que tratam de tão maravilhosos fatos, assim como da conseqüência
lógica que dão lugar ou motivam esses fenômenos, pretendem explicar essas
manifestações atribuindo-as a forças, a que deram nomes pomposos, como magnéticas,
hipnóticas, nervosas, forças N, V, X, finalmente, de tantas feições quantas são
as letras do alfabeto!
Mas, que coisas são forças magnéticas e
hipnóticas?
"Não o sabemos, respondem-nos, como
não sabemos o que seja a eletricidade".
E com esta evasiva julgam ter explicado o
que ainda não estudaram e, portanto, não podem ensinar porque não compreendem e
não sabem.
Os raios desta ou daquela letra do
alfabeto serão entidades distintas que pensam, que tem vontade própria e que
podem agir a seu talante?
"Também não o sabemos, dizem,
aguardamos a resolução desta incógnita; para nós é este o X da questão!"
E continuam dissertando, para justificar
as suas afirmações:
- "Hoje temos o telégrafo e o
telefone sem fios; qual a força operante para transmitir os sons e produzir
caracteres?"
Esvoaçando como a borboleta em torno da luz,
os nossos materialistas queimam as asas da sua sabedoria e terminam por
confessar a sua ignorância no assunto que se propuseram discutir.
Ignoramus et ignorabimus são as últimas
palavras dos sacerdotes da "deusa matéria" que engendra o pensamento.
Baldados são os ingentes esforços para
lhes demonstrar a fragilidade de tais "teorias", contrárias ao
caráter inteligente dos fatos, que por si mesmos proclamam a sua ação, tendo
por agentes os Espíritos encarnados e desencarnados, que não há dúvida, são os
seus verdadeiros autores.
E quais são os autores da telegrafia e da
telefonia sem fios?
Dispensam, por ventura, esses meios de
comunicação e essas forças atuantes, os seres inteligentes, de um como de outro
lado, munidas de aparelhos para o estabelecimento da corrente comunicativa?
Tudo o que existe é uma criação que forçosamente tem por autor uma inteligência.
Todos os fenômenos inteligentes não podem deixar de ter por causa seres
inteligentes, encarregados de sua execução, de seu plano de ação.
Assim como a matéria por si só é inerte,
as forças da natureza são cegas, mas se acham sob a direção de inteligências
encarregadas de dirigi-las.
A matéria apresenta modalidades distintas
quando estudada pelos homens, também as forças denunciam essa mesma variedade,
sem bruscas transições nem lacunas perceptíveis, como tudo o que existe na
natureza.
Uma pedra auxilia a manter de pé um grande
edifício, um fluido atuando sobre uma mesa fá-la levitar no espaço, mas nem a
pedra se colocou e sustentou o edifício por sua vontade, nem o fluido ergueu o
móvel por sua própria determinação; e assim como a pedra é matéria e representa
a força, fluido que é força para os Espíritos, nada mais é que matéria
rarefeita atuando com grande velocidade para a manutenção de tal ou qual objeto
no ar.
Pelas últimas experiências de Collie,
Petterson e outros, não sabemos o ponto terminal da matéria, nem o ponto
inicial da força; elas chegam a se confundir numa vibração harmônica e bela.
Por isso é que dissemos ser de bom aviso
os homens de ciência não comprometerem a sua responsabilidade cientifica lembrando
nomes para explicar teorias esdrúxulas, para, finalmente, explicarem fenômenos,
cuja explicação verdadeira está só na alçada do Espiritismo.
É melhor estudar esta ciência porque ela
não é um amontoado de fórmulas e de dogmas que forçam a razão, mas sim a
resolução clara e lógica do problema da vida e da sobrevivência humana.
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