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segunda-feira, 12 de março de 2012

Os Fatos Espíritas e as Forças X:Cairbar Schutel


III - Forças Vitais Incompletas


O Espiritismo é um conjunto harmonioso e belo; é uma Filosofia que estende as suas investigações sobre todos os conhecimentos humanos; é uma ciência sólida, irresistível porque se baseia em fatos que denunciam o seu caráter científico; é além de tudo uma luz poderosa que nos ilumina a inteligência, aclara o raciocínio de tal modo que, muitas vezes, nos maravilhamos de sua lógica irrepreensível, de sua harmonia de vistas com o Bem e o Belo, os grandes fatores da verdadeira felicidade.
É por isso que, estudando o Espiritismo, recusamos beber as águas turvas das interpretações dogmáticas, e não nos submetemos aos conceitos escravistas das maiorias, mas acostumados ao livre exame esmiuçamos o caráter religioso de todas as crenças, para auxiliar os que conosco mourejam nas lutas da vida e forçá-los, de certo modo, a beber nessa Fonte primordial da Verdade que dessedenta e purifica.
Tudo o que é da terra é instável e as opiniões dos homens são fumarentas como as luzes que se desprendem da lenha verde.
Mas passemos à teoria que, à surdina, vem desviando as almas do caminho da Verdade.
- "Teoria gnômica: consiste ela na crença da existência de um mundo imaterial, vivendo ao lado de nós e manifestando a sua presença no nosso meio, em certas e determinadas ocasiões e condições.
Fazem parte desse mundo, seres a quem dão os nomes de fadas, silvanos, duendes, diabretes, gnomos, em geral seres não acabados e espíritos vitais chamados elementares, que são justamente, segundo os teoristas do ocultismo e da teosofia, os produtores dos fenômenos do espiritismo.
Pelo que se vê, se penetrarmos no íntimo dos autores dessa conjetura, essa teoria é uma espécie de fusão da "teoria do ser coletivo", com a "teoria demoníaca", urdida pelo espírito de sistema para armar mais uma emboscada à já triunfante Doutrina dos Espíritos.
Com efeito, o que são seres vitais, não acabados?"
Como podem espíritos vitais, seres não acabados, dar provas cabais de inteligência superior ao homem que no dizer dos "gnômicos" é um "espírito acabado?" Já se viu algum dia dizer que a parte fosse superior ao todo?
Poderiam, esses compêndios de alta filosofia, ter como autores "espíritos não acabados"?
Katie King, que por três anos consecutivos confundiu um dos maiores sábios do mundo demonstrando-lhe a verdade da imortalidade, o que a teosofia e o ocultismo não conseguiram, pode ser um "elemental, um gnomo, um duende"?
Essas mensagens, ricas de moralidade, substanciosas em exortações, convidando-nos à caridade, ao desapego às coisas do mundo, podem ser obras de "silvanos e de fadas"?
Temos ouvido muitos partidários dessa "teoria'' dizer que as sessões espíritas são freqüentadas por "elementares e cascões", e que as grandes coisas que embelezam o Espiritismo são assimiladas pelo espírito do médium, que sobe ao "astral superior", porque, dizem eles, os Espíritos elevados não baixam à Terra.
É para lamentar tal dislate, tanto mais em pessoas que se julgam criteriosas.
      E por que motivo se negaria um Espírito adiantado a baixar a esta atmosfera para guiar-nos ao bem, à verdade e a justiça?
Serão eles melhores do que o Cristo Jesus que, não só na carne, mas também em espírito, deu reiteradas comunicações e manifestou-se por tanto tempo àqueles que, com sinceridade, invocavam o seu santo nome?
Além disso, não parece mais lógico e mais racional vir de preferência um espírito à Terra, Espírito adiantado, que subirem os atrasados ao "astral superior?"
Felizmente pouquíssimos são os prosélitos que a teoria gnômica tem feito, e a grande maioria dos que enchem as fileiras da teosofia e do ocultismo, confessam ter a sua fé viva no Espiritismo, porque aquelas seitas religiosas são incapazes de lhes demonstrar a imortalidade.
















IV - As Forças N, V, X


Em face dos fenômenos espíritas, todos os que não quiseram dar-se ao trabalho de estudar os grossos volumes que enchem as bibliotecas e que tratam de tão maravilhosos fatos, assim como da conseqüência lógica que dão lugar ou motivam esses fenômenos, pretendem explicar essas manifestações atribuindo-as a forças, a que deram nomes pomposos, como magnéticas, hipnóticas, nervosas, forças N, V, X, finalmente, de tantas feições quantas são as letras do alfabeto!
Mas, que coisas são forças magnéticas e hipnóticas?
"Não o sabemos, respondem-nos, como não sabemos o que seja a eletricidade".
E com esta evasiva julgam ter explicado o que ainda não estudaram e, portanto, não podem ensinar porque não compreendem e não sabem.
Os raios desta ou daquela letra do alfabeto serão entidades distintas que pensam, que tem vontade própria e que podem agir a seu talante?
"Também não o sabemos, dizem, aguardamos a resolução desta incógnita; para nós é este o X da questão!"
E continuam dissertando, para justificar as suas afirmações:
- "Hoje temos o telégrafo e o telefone sem fios; qual a força operante para transmitir os sons e produzir caracteres?"
Esvoaçando como a borboleta em torno da luz, os nossos materialistas queimam as asas da sua sabedoria e terminam por confessar a sua ignorância no assunto que se propuseram discutir.
Ignoramus et ignorabimus são as últimas palavras dos sacerdotes da "deusa matéria" que engendra o pensamento.
Baldados são os ingentes esforços para lhes demonstrar a fragilidade de tais "teorias", contrárias ao caráter inteligente dos fatos, que por si mesmos proclamam a sua ação, tendo por agentes os Espíritos encarnados e desencarnados, que não há dúvida, são os seus verdadeiros autores.
E quais são os autores da telegrafia e da telefonia sem fios?
Dispensam, por ventura, esses meios de comunicação e essas forças atuantes, os seres inteligentes, de um como de outro lado, munidas de aparelhos para o estabelecimento da corrente comunicativa? Tudo o que existe é uma criação que forçosamente tem por autor uma inteligência. Todos os fenômenos inteligentes não podem deixar de ter por causa seres inteligentes, encarregados de sua execução, de seu plano de ação.
Assim como a matéria por si só é inerte, as forças da natureza são cegas, mas se acham sob a direção de inteligências encarregadas de dirigi-las.
A matéria apresenta modalidades distintas quando estudada pelos homens, também as forças denunciam essa mesma variedade, sem bruscas transições nem lacunas perceptíveis, como tudo o que existe na natureza.
Uma pedra auxilia a manter de pé um grande edifício, um fluido atuando sobre uma mesa fá-la levitar no espaço, mas nem a pedra se colocou e sustentou o edifício por sua vontade, nem o fluido ergueu o móvel por sua própria determinação; e assim como a pedra é matéria e representa a força, fluido que é força para os Espíritos, nada mais é que matéria rarefeita atuando com grande velocidade para a manutenção de tal ou qual objeto no ar.
Pelas últimas experiências de Collie, Petterson e outros, não sabemos o ponto terminal da matéria, nem o ponto inicial da força; elas chegam a se confundir numa vibração harmônica e bela.
Por isso é que dissemos ser de bom aviso os homens de ciência não comprometerem a sua responsabilidade cientifica lembrando nomes para explicar teorias esdrúxulas, para, finalmente, explicarem fenômenos, cuja explicação verdadeira está só na alçada do Espiritismo.
É melhor estudar esta ciência porque ela não é um amontoado de fórmulas e de dogmas que forçam a razão, mas sim a resolução clara e lógica do problema da vida e da sobrevivência humana.

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