Ricardo Orestes Forni [iost@terra.com.br]
Quando falamos em amor, nos referimos ao Amor que nos faz sentir parte do Universo; que nos faz sentir cocriadores das coisas positivas; que nos dá a certeza de que fomos criados para algo muito maior do que os limites do mundo físico. Esse amor nos faz servir ao mundo sem sermos servidos e muito menos compreendidos pelos seres que ainda vivenciam o amor paixão, gerador do sentimento de posse. Quando esse amor se ausenta, ocorrem fatos como esses a que iremos nos referir. O acontecimento foi noticiado pela imprensa escrita e televisionada, mas manteremos sigilo dos nomes por uma questão de respeito às pessoas envolvidas.
Uma jovem com curso superior, com familiares, pai e mãe, chega ao ponto de, num ato de desespero e angústia supremos, contratar um matador para tirar-lhe a própria vida. Confesso que nunca tinha lido reportagem que revelasse tão grande sofrimento íntimo. Muitas vezes as notícias são de pessoas que contratam alguém para matar a outrem, mas a si própria...
A jovem, pela história noticiada na imprensa, era portadora de uma instabilidade emocional (doença depressiva?) que submetida aos fatos da existência chegou ao ato extremo de programar a própria morte. Os fatos começaram a se avolumar quando numa discussão com uma amiga e sócia, essa última revelou a ela, para agredi-la, que a mesma era filha adotiva. A ausência do amor é capaz dessas atitudes. Esse tipo de revelação não é fácil de ser absorvida por uma pessoa adulta normal, quanto mais por pessoas com problemas emocionais. Ensina André Luiz que abençoadas serão as suas palavras sempre que você fale situando-se na posição dos ausentes ou no lugar dos que lhe ouvem a voz. A ausência do amor na sócia fez com que a mesma atirasse-lhe no rosto a realidade de filha natural com o objetivo de alcançá-la na profundidade do ser, ferindo-a intensamente.
Tendo se casado, a jovem resolveu prestar um concurso e colocou as seguintes condições para Deus: que se fosse para ela ser reprovada no exame físico, que Deus não permitisse que ela passasse no exame escrito. É comum colocarmos nas mãos de Deus os problemas que recebemos para resolver na vida. Quem não ouviu alguém dizer que não aguenta mais os filhos e, por isso, vai entregá-los para Deus? Quem não ouviu alguém dizer que não sabe mais o que fazer com esse ou aquele problema e que, por isso, vai entregar os acontecimentos nas mãos de Deus? A jovem fez o mesmo e, o que é pior, foi reprovada na parte prática do concurso o que veio acrescentar mais angústia na intimidade da sua alma, dizendo-se descrente da existência de um Ser supremo o que escancarou ainda mais as portas dos seus desequilíbrios a sugestões pessimistas.
Na sucessão dos fatos, o casamento sem filhos devido aos problemas emocionais que a jovem tinha consciência de possuir, foi desfeito acrescentando mais uma carga de sofrimento àquela vida em curso. No bilhete de despedida que deixou para os familiares, a moça revela seus sentimentos de amor pelo ex-marido.
Quando estava tentando se reerguer perante a sua autoestima marcando um encontro com um rapaz na véspera do dia dos namorados, outra decepção: o encontro foi desmarcado de última hora pelo pretendente.
Convencida de que a vida estava definitivamente contra ela, numa forma de suicídio indireto, procurou pelo matador que se espantou com a proposta de receber para eliminar a vida dela mesma. O assassino tentou fugir diante da vítima após receber o dinheiro combinado no local onde o crime deveria ser perpetrado. Entretanto, a moça o ameaçou dizendo que iria atrás dele e o faria pagar por não ter cumprido com o acertado. Fez a ameaça e avançou sobre o revólver do criminoso que, então, feriu-a mortalmente. A ausência do amor proporciona situações profundamente lamentáveis como essas. No bilhete deixado por ela, revela sentir no suicídio a solução para todos os seus problemas, suas frustrações, suas angústias. Através do suicídio direto o Espírito culmina na pior situação de deixar a escola da Terra. Ensina Joanna de Ângelis que no fundo de todas as razões predisponentes para o autocídio, excetuando-se as profundas neuroses e psicoses de perseguição, as maníaco-depressivas – que precedem de antigas fugas espetaculares à vida e que o Espírito traz nos refolhos do ser como predisposições à repetição da falência moral – se encontra o orgulho tentando, pela violência, solucionar questões que somente a ação contínua no bem e a sistemática confiança em Deus podem regularizar com a indispensável eficiência. Ensina ainda Joanna que há sem dúvida, agravantes e atenuantes, no exame do suicídio... Todavia, seja qual for o motivo, a circunstância para o crime de retirada da vida, tal não consegue outro resultado senão o de atirar o delituoso ao encontro da vida estuante, em circunstância análoga àquela da qual pensou evadir-se, com os agravantes que não esperava defrontar...
O suicídio representa a falência de uma sociedade que, pela ausência do amor, tornou-se insensível aos gritos ocultos do desesperado que, antes de consumar a própria morte, clama por socorro de alguma maneira...
Matão, 9 de Outubro de 2011 http://www.oclarim.com.br
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