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Belo Horizonte, MG (Brasil)
A lei da evolução é como a da gravidade e outras da natureza, ninguém a segura.
No passado, apenas os líderes religiosos sabiam ler. E pegou a moda de que apenas eles podiam ensinar a religião. Com o crescimento da população alfabetizada, eles, para manterem seu status quo de únicos donos das verdades religiosas, acabaram proibindo os leigos de lerem a Bíblia. E a Igreja tinha razão para isso, pois, por ignorância, as pessoas interpretavam a Bíblia apenas literalmente, quando seus textos são mais simbólicos. E, hoje, é o grande abuso dessas interpretações literais, mas também metafóricas da Bíblia, que mais divide os cristãos.
Porém, graças à evolução cultural das pessoas, o Cristianismo caminha para uma nova realidade. Não são apenas os padres, bispos e os pastores que entendem de questões bíblicas e teológicas. E há até leigos que sabem mais desses assuntos do que eles, tanto pela sua inteligência como pela sua dedicação, por hobby ao estudo dessa área. E quem estuda um assunto por hobby, sabe mais. Com a aceleração da evolução cultural, as polêmicas religiosas vão se multiplicar. Daí que vamos ter muitos católicos e evangélicos que vão dizer, como já acontece muito, que creem na reencarnação e outras doutrinas que, oficialmente, o Cristianismo condena. É até comum o indivíduo ter hoje mais de uma religião, o que irrita os líderes religiosos. E nada lhe vai acontecer, se ele não for membro duma hierarquia religiosa. E os padres e pastores vão parar de pregar certas doutrinas, que eles sabem que seus fiéis não as aceitam mais, como já acontece, nas comunidades religiosas de melhor nível cultural. Mas isso é feito discretamente, pois eles não querem complicações com seus superiores. Um padre ou pastor, que já crê na reencarnação, não pode defendê-la de público.
Em 1904, num exemplo da mistura de crenças oriundas da evolução cultural do mundo moderno, o italiano Dr. José Lapponi, antropólogo e médico dos papas Leão XIII e Pio X, lançou a famosa obra científica e espírita “Hipnotismo e Espiritismo”, a qual foi apoiada pelo Papa Leão XIII. Estudioso profundo dos fenômenos espíritas, e com o aval de famosos corifeus da ciência de sua época, Lapponi defende o Espiritismo, demonstrando de modo convincente e contundente que ele é uma realidade objetiva histórica, bíblica e científica. E eu afirmo aqui que o católico que ler essa obra, no mínimo, se tornará simpatizante do Espiritismo. Não foi, pois, à-toa que a Federação Espírita Brasileira (FEB) a traduziu para o português.
Mas, chegando às partes finais do livro, o autor assusta o leitor, dizendo que o Espiritismo é imoral e deve ser evitado, embora não negue a realidade dos fenômenos espíritas de cuja autenticidade, como vimos, faz uma brilhante apologia no desenrolar de toda a sua obra.
Ficou em mim uma dúvida se Lapponi foi totalmente sincero ou se ele teve que, na última hora, sacrificar parte da sua verdade, para poder contar com a valiosa aprovação citada do seu trabalho literário pelo Papa Leão XIII, precavendo-se, assim, contra prováveis condenações desta sua monumental obra em defesa da realidade dos fenômenos espíritas!
http://www.oconsolador.com.br
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