Sobre os animais, este é um assunto que intriga e fascina. No tempo de Kardec, meados do século XIX, é um fato, que Kardec não teve o tempo de vida necessário para desenvolver ainda mais a primeira obra espírita, O Livro dos Espíritos, ou quem sabe escrever uma obra a parte para tratar sobre a alma dos animais.
Se bem que os Espíritos em respostas a diversas questões dessa obra, deixaram pistas importantes sobre a evolução do princípio inteligente nos diversos reinos e dimensões que o Universo comporta. Contudo, o codificador do Espiritismo na Revista Espírita de setembro de 1865 (Alucinação nos Animais), deu a seguinte explicação para este fato: "UM OUTRO MOTIVO HAVIA FEITO ADIAR A SOLUÇÃO RELATIVA AOS ANIMAIS. ESSA QUESTÃO TOCA PRECONCEITOS HÁ MUITO TEMPO ENRAIZADOS E QUE TERIA SIDO IMPRUDENTE CHOCAR DE FRENTE". Quer dizer, necessitava ele de argumentos mais sólidos para seguir adiante, por isso, nesse mesmo artigo disse que: "QUANDO VIER A SOLUÇÃO DEFINITIVA, EM QUALQUER SENTIDO QUE ELA OCORRA, DEVERÁ SE APOIAR SOBRE OS ARGUMENTOS PEREMPTÓRIOS QUE NÃO DEIXARÃO NENHUM LUGAR À DÚVIDA;...".
Referindo-se a resposta dada pelos Espíritos a questão 540, disse ele ainda nesse artigo que "O ESPIRITISMO VEIO DAR UMA IDÉIA-MÃE, E PODE-SE VER O QUANTO ESTA IDÉIA É FECUNDA." Com certeza, ele tinha razão em seu motivo, tanto que numa das importantes pistas deixada in LE os espíritos disseram: "...TUDO SERVE, TUDO SE ENCADEIA NA NATUREZA, DESDE O ÁTOMO PRIMITIVO ATÉ O ARCANJO, POIS ELE MESMO COMEÇOU PELO ÁTOMO. ADMIRÁVEL LEI DE HARMONIA, DE QUE O VOSSO ESPÍRITO LIMITADO AINDA NÃO PODE ABRANGER O CONJUNTO! "
Podemos perceber, que que ainda hoje, apesar do avanço da ciência relacionado a esta temática, as novas informações dentro do Movimento Espírita, ainda geram, espanto, ranger de dentes, comentários, perguntas bizarras e exóticas, mas também, abrem e iluminam mentes com sede de saber, pois é um desses temas que nos levam a conhecer a nossa origem, e servem para alavancar o conhecimento sobre a alma dos animais e o seu porvir.
Assim, se não fizermos um estudo profundo, primeiramente, dentro das obras básicas este tema dificilmente se tornará claro, porque se faz muita confusão entre alma ou princípio inteligente ou espírito elementar e Espírito, os seres que povoam o Universo além do mundo material. Diferente de Darwin que trata sobre a evolução das espécies, o Espiritismo trata afirmativamente da evolução do princípio inteligente ou alma.
Houve um grande esforço do codificador desde a Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, no O Livro dos Espíritos, para explicar o significado da palavra ALMA em relação a Doutrina Espírita, quanto a isso, assim diz ele: "...outra palavra sobre a qual igualmente devemos entender-nos porque é uma das chaves de toda doutrina moral e tem suscitado numerosas controvérsias por falta de uma acepção bem determinada: é a palavra alma." Neste mesmo capítulo da introdução de LE, que trata da Alma, Princípio Vital e Fluido Vital, Kardec diz ser dever insistir o tanto que for necessário para explicar o real significado da palavra ALMA, informando que "poder-se-ia, assim dizer, e talvez fosse o melhor, · a alma vital - indicando o princípio da vida material; (Ver qq. de 60 em diante de LE) (*) · a alma intelectual - o princípio da inteligência, e (ver q. 23 de LE) · a alma espírita - o da nossa individualidade após a morte. (ver q. 76 de LE) Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras, mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. De conformidade com essa maneira de falar, · a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; (Ver qq. de 60 em diante de LE) · a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e (ver q. 23 de LE) (1) · a alma espírita somente ao homem. " (ver q. 76 de LE) (*) O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. (Allan Kardec in nota a q. 67 de LE) Por isso, é necessário procurar entender o que significa a ALMA na sua essência e de acordo com a Doutrina Espírita. Comecemos, então, pelas respostas que os Espíritos deram as resposta às q. 23, 27 e 76 de LE. 23. Que é o espírito? -- O princípio inteligente do Universo. Na resposta à questão 27 os Espíritos afirmam que "existem dois elementos gerais no Universo a matéria e o espírito" (princípio inteligente, espírito elementar ou alma). Logo na primeira vista podemos perceber que nas duas perguntas, a palavra espírito, como geralmente e encontrada ao longo das obras básicas, nesta pergunta, a letra "e" da palavra espírito esta escrita em letra minúscula e não em maiúscula. Para entendermos do porquê disso, vamos primeiro ver o que diz Kardec na obra O Que é o Espiritismo, cap. II, Dos Espíritos, em nota ao item 14: · A alma é, assim, um ser simples; (q. 23 de LE) · o Espírito um ser duplo e (q. 76 de LE) · o homem um ser triplo. (Kardec em nota a q. 135 de LE) (2) Em dois artigos da Revista Espírita de maio de 1864 e janeiro de 1866, encontramos informações semelhantes: Continuando na nota de Kardec ele diz que "Seria portanto mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, FILOSOFICAMENTE É ESSENCIAL FAZER-SE A DIFERENÇA." Para fazermos essa diferença, é necessário, analisarmos a resposta à q. 76 de LE e depois as perguntas e respostas das questões 134a e 149 de LE: 76. Como podemos definir os Espíritos? -- Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material. Atentemos também para a nota de Kardec dada para essa resposta dos Espíritos: "A palavra Espírito é aqui empregada para designar os seres extra-corpóreos e não mais o elemento inteligente Universal." Aqui se trata do ser duplo, ou seja, de um ser composto de alma ou princípio inteligente com perispírito (3). Esses seres povoam o mundo dos Espíritos, ALÉM, do mundo material. Agora para perceber como em sua sensatez Kardec fazia a diferença entre a Alma ou Princípio Inteligente e Espírito vamos atentar para as perguntas 134a e 149 de LE e suas consecutivas respostas: 134-a. O que era a alma, antes de unir-se ao corpo? -- Espírito. 149. Em que se transforma a alma no instante da morte? -- Volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que ela havia deixado temporariamente. Acredito que agora fica mais fácil entender a pergunta e a resposta da q. 134 de LE: 134. O que é a alma? -- Um Espírito encarnado. Não?! Então, atentemos, porque este capitulo II, do livro segundo de LE trata da ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS, ou dos seres que povoam o Universo além do Mundo material e não do princípio inteligente, como trata a resposta da q. 23 de LE. Sendo assim, a alma do CORPO FÍSICO é composta de um Espírito encarnado, ou seja, de um princípio inteligente com o seu corpo perispiritual, e assim podemos entender da essencialidade de FILOSOFICAMENTE FAZER-SE A DIFERENÇA. Vejamos ainda o item 13 da obra O Que é o Espiritismo, cap. II, Dos Espíritos, para percebermos melhor essa diferença: · A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem; (Kardec em nota a q. 135 de LE) · a alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado Espírito. (q. 76 de LE) Em refutação aos que acusavam o Espiritismo de materializar a alma dando-lhe um corpo semimaterial, o codificador do espiritismo afirma, em boa lógica e sensatamente na Revista Espírita de dezembro 1862, Causas da Obsessão e meios de Combate: "Agora outro parêntese para responder a uma objeção oposta por alguns à teoria dada pelo Espiritismo do estado da alma. Acusam-no de materializar a alma, ao passo que, conforme à religião, a alma é puramente imaterial. Como a maior parte das outras, esta objeção provém de um estudo incompleto e superficial. O Espiritismo jamais definiu a natureza da alma, que escapa às nossas investigações. Não diz que o perispírito constitua a alma: o vocábulo perispírito diz positivamente o contrário, pois especifica um envoltório em torno do Espírito. Que diz a respeito o Livro dos Espíritos? “Há no homem três coisas: a alma, ou espírito, princípio inteligente; o corpo, envoltório material; o perispírito, envoltório fluídico semi-material, servindo de laço entre o Espírito e o Corpo.” E porque, com a morte do corpo, a alma conserva o envoltório fluídico, não está dito que tal envoltório e a alma sejam uma só e mesma coisa, pois que o corpo não é único com a roupa ou alma não é una com o corpo. A Doutrina Espírita nada tira à imaterialidade da alma. Apenas lhe dá dois invólucros, em vez de um, durante a vida corpórea e só um após a morte do corpo, o que é, não uma hipótese, mas um resultado da observação. E é com o auxílio desse envoltório que melhor se compreende a sua individualidade e melhor se explica a sua ação sobre a matéria." E na Revista Espírita de Junho 1863, Algumas Refutações, (2º. artigo), continua no mesmo diapasão: "O Espiritismo é acusado, por alguns, de estar fundado sobre o mais grosseiro materialismo, porque admite o perispírito, que tem propriedades materiais. É ainda uma falsa conseqüência tirada de um princípio incompletamente informado. JAMAIS o Espiritismo confundiu a ALMA com o PERISPÍRITO, que não é senão um envoltório, como o corpo dele é um outro. Tivesse ela dez envoltórios, isso não tiraria nada à sua essência imaterial." Concluindo sobre a necessidade de se fazer a diferença sugerida por Kardec entre Alma e Espírito, prestemos atenção a este dizer do Espírito Lamennais encontrada no item 51 de O Livro dos Médiuns: "...Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada...". Perceberam o uso da palavra ALMA, pois é, trata-se do princípio inteligente conforme a resposta a q. 23 de LE ou do espírito elementar fazendo abstração absoluta do perispírito. Ainda nesse item de LM, o Espírito Lamennais diz: "Vós pesquisais o perispírito, e nos atualmente, pesquisamos a alma. Esperai, pois". Podemos dizer que esse tempo do esperais pois, chegou, depois de tantos estudos sobre o períspirito, ou seja, de falar do Espírito, o ser duplo, chegou o momento de estudarmos para conhecer melhor a Alma ou Princípio Inteligente ou espírito elementar ou ainda do espírito considerado em si mesmo e feita total abstração do seu perispírito ou invólucro semi-material. Fazendo essa diferença como sugere Kardec, vamos estudar agora o capítulo que trata dos três reinos in LE, e atentar para evolução do princípio inteligente em suas diversas fases e agindo no Universo em seus diversos reinos, do átomo ao "arcanjo", em especial da q. 604 em diante, considerando, que Kardec na sua época, não conheceu A Teoria da Evolução das Espécies proposta por Charles Darwin, como pode ser observado acessando o link abaixo para ler o último livro escrito e publicado por Allan Kardec. Esta obra surgiu em março de 1869 e foi lançado no mesmo mês em que o Mestre Lionês partiu para a pátria espiritual, o Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita: DOS TRÊS REINOS Pesquisa com base in O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro II, Cap. XI, itens de 585 à 613 (A. Kardec). Colaborou com o desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palha Pesquisa: Elio Mollo Hermes Trismegisto já ensinava, no antigo Egito, que: “a pedra se converte em planta; a planta em animal; o animal em homem, em Espírito; o Espírito em Deus.” Ensinamento hinduísta, que remonta a milhares de anos, oferece esta versão poética da evolução: "a alma dorme na pedra, (4) sonha no vegetal, se agita no animal e desperta no homem." (5) Nesse diapasão, mas com alguma diferença, grifa Leon Denis: “Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente.” PERISPÍRITO – 2ª. Edição Revista e Ampliada – Zalmino Zimmermann O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR – 18a. edição, página 123 - Léon V. Denis (1846-1927) * * * Dentre os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da Natureza, alguns operam com conhecimento de causa usando do livre-arbítrio, outros não. Podemos estabelecer uma comparação: consideremos essas miríades de animais que, pouco a pouco, fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos. Há aí um fim providencial, pois essa transformação da superfície do globo é necessária à harmonia geral. Entretanto, são animais de ínfima ordem que executam essas obras, provendo às suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus. Do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto. Enquanto se ENSAIAM para a vida, antes que tenham PLENA consciência de seus atos e estejam no completo GOZO do seu livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se constituem os agentes. Primeiramente, executam. Mais tarde, QUANDO suas inteligências já TIVEREM ALCANÇADO UM CERTO DESENVOLVIMENTO, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral. É ASSIM QUE TUDO SERVE, QUE TUDO SE ENCADEIA NA NATUREZA, DESDE O ÁTOMO PRIMITIVO ATÉ O ARCANJO, QUE TAMBÉM COMEÇOU POR SER ÁTOMO. ADMIRÁVEL LEI DE HARMONIA, que o nosso acanhado espírito não pode ainda apreender em seu conjunto! (LE-540) * * * Os minerais e as plantas A divisão da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos: reino mineral, reino vegetal e reino animal, em que segundo alguns, a espécie humana forma uma quarta classe. Todas estas divisões são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista material, há apenas seres orgânicos e inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro classes. (LE-585) Essas quatro classes apresentam, com efeito, caracteres determinados, muito embora pareçam confundir-se nos seus limites extremos. A matéria inerte, que constitui o reino mineral, só tem em si uma força mecânica. As plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, também compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso, uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de suas individualidades. O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus. As plantas não têm consciência de que existem, pois que não pensam; só têm vida orgânica. (LE-586) As plantas recebem impressões físicas que atuam sobre a matéria, mas não têm percepções. Conseguintemente, não têm a sensação da dor. (LE-587) Independe da vontade delas a força que as atrai umas para as outras, porquanto não pensam. É uma força mecânica da matéria, que atua sobre a matéria, sem que elas possam a isso opor-se. (LE-588) Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, executam movimentos que denotam grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, conforme se observa na segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma armadilha com o fim de capturar e matar aquele inseto. Daí surgem perguntas como estas: São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a Natureza vegetal e Natureza animal? Constituem a transição de uma para outra? Responderemos que, na NATUREZA TUDO É TRANSIÇÃO, por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a outra e, no entanto, todas se prendem umas às outras. As plantas não pensam; por conseguinte carecem de vontade. Nem a ostra que se abre, nem os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego e natural. (LE-589) O organismo humano nos proporciona exemplo de movimentos análogos, sem participação da vontade, nas funções digestivas e circulatórias. O piloro se contrai, ao contacto de certos corpos, para lhes negar passagem. O mesmo provavelmente se dá na sensitiva, cujos movimentos de nenhum modo implicam a necessidade de percepção e, ainda menos, da vontade. Nas plantas há uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem, é que um ao outro convém; quer dizer: é que há entre eles afinidade, e a isto não damos o nome de instinto. (LE-590) Nos mundos superiores tudo é mais perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas, como os animais sempre animais e os homens sempre homens. (LE-591) Os animais e o homem Pelo que toca à inteligência, comparando o homem e os animais, parece difícil estabelecer-se uma linha de demarcação entre aquele e estes, porquanto alguns animais mostram, sob esse aspecto, notória superioridade sobre certos homens. A este respeito é completo o desacordo entre os nossos filósofos. Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo físico, é como os animais e menos bem dotado do que muitos destes (a Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação). Seu corpo se destrói, como o dos animais, é certo, mas ao seu Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. Os homens não se devem rebaixar mais do que os brutos! Devem saber distinguirem-se deles. Reconhece-se o homem pela faculdade de pensar em Deus. (LE-592) Dizer que os animais só obram por instinto não é adequado. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto, mas pode-se observar que MUITOS OBRAM DENOTANDO ACENTUADA VONTADE, é que têm inteligência, porém limitada. (LE-593) Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio. Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza. Os animais não possuem uma linguagem formada de sílabas e palavras. Porém, possuem um meio de se comunicarem entre si. Dizem uns aos outros muito mais coisas do que podemos imaginar, Mas, essa mesma linguagem de que dispõem é restrita às necessidades, como restritas também são as idéias que podem ter. Entretanto, há animais que carecem de voz. Esses parece que nenhuma linguagem usam, contudo compreendem-se por outros meios. Para se comunicar reciprocamente, o homem não dispõe só da palavra, mas também de outros meios, assim como os mudos. Facultada lhes sendo a vida de relação, os animais possuem meios de se prevenirem e de exprimirem as sensações que experimentam. Os peixes também se entendem entre si. O homem não goza do privilégio exclusivo da linguagem. Porém, a dos animais é instintiva e circunscrita pelas suas necessidades e idéias, ao passo que a do homem é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência. (LE-594) Efetivamente, os peixes que, como as andorinhas, emigram em cardumes, obedientes ao guia que os conduz, devem ter meios de se advertirem, de se entenderem e combinarem. É possível que disponham de uma vista mais penetrante e esta lhes permita perceber os sinais que mutuamente façam. Pode ser também que tenham na água um veículo próprio para a transmissão de certas vibrações. Como quer que seja, o que é incontestável é que lhes não falecem meios de se entenderem, do mesmo modo que a todos os animais carentes de voz e que, não obstante, trabalham em comum. Diante disso, que admiração pode causar que os Espíritos entre si se comuniquem sem o auxílio da palavra articulada? OS ANIMAIS NÃO SÃO SIMPLES MÁQUINA. Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam, é limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade que possuem é restrita aos atos da vida material. (LE-595) A aptidão que certos animais denotam para imitar a linguagem do homem, que parece se revelar mais nas aves do que no macaco, cuja estrutura apresenta mais analogia com a humana, origina-se de uma particular conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo instinto de imitação. O macaco imita os gestos; algumas aves imitam a voz. (LE-596) Os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, pois há neles algum PRINCÍPIO INDEPENDENTE da matéria e que sobrevive ao corpo (1). Podemos dizer que é uma alma, dependendo do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus. (LE-597) Após a morte, A ALMA DOS ANIMAIS CONSERVA A SUA INDIVIDUALIDADE (5), mas quanto à CONSCIÊNCIA do seu EU, NÃO. A VIDA INTELIGENTE LHE PERMANECE EM ESTADO LATENTE. (LE-598) À alma dos animais não é dado escolher a espécie de animal em que encarne, pois que lhe falta livre-arbítrio. (LE-599) Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. (LE-600) OS ANIMAIS ESTÃO SUJEITOS, COMO O HOMEM, A UMA LEI PROGRESSIVA, e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes. (LE-601) Nada há nisso de extraordinário; tomemos os nossos mais inteligentes animais, o cão, o elefante, o cavalo, e imaginemo-los dotados de uma conformação apropriada a trabalhos manuais. Que não fariam sob a direção do homem? Os animais progridem pela força das coisas, razão por que não estão sujeitos à expiação. (LE-602) Nos mundos superiores, os animais não conhecem a Deus. Para eles o homem é um deus, como outrora os Espíritos eram deuses para o homem. (LE-603) TUDO NA NATUREZA SE ENCADEIA POR ELOS QUE AINDA NÃO PODEMOS APREENDER MUITO BEM. Assim, as coisas aparentemente mais díspares têm pontos de contacto que o homem, no seu estado atual, nunca chegará a compreender. Por um esforço da inteligência poderá entrevê-los; mas, somente quando essa inteligência estiver no máximo grau de desenvolvimento e liberta dos preconceitos do orgulho e da ignorância, logrará ver claro na obra de Deus. Até lá, suas muito restritas idéias lhe farão observar as coisas por um mesquinho e acanhado prisma. Não é possível que Deus se contradiga pois, NA NATUREZA, TUDO SE HARMONIZA MEDIANTE LEIS GERAIS, que por nenhum de seus pontos deixam de corresponder à sublime sabedoria do Criador. A inteligência é uma propriedade comum, um ponto de contacto entre a alma dos animais e a do homem, porém OS ANIMAIS SÓ POSSUEM A INTELIGÊNCIA DA VIDA MATERIAL. NO HOMEM, A INTELIGÊNCIA PROPORCIONA A VIDA MORAL. (LE-604) Considerando-se todos os pontos de contacto que existem entre o homem e os animais, não é lícito pensar que o homem possui duas almas. Dupla, no homem, só a Natureza. O corpo, porém, tem seus instintos, resultantes da sensação peculiar aos órgãos. Há nele a natureza animal e a natureza espiritual. Participa, pelo seu corpo, da natureza dos animais e de seus instintos. Por sua alma, participa da dos Espíritos. Quanto mais inferior é o Espírito, tanto mais apertados são os laços que o ligam à matéria. Como já dissemos, o homem não tem duas almas; a alma é sempre única em cada ser. São distintas uma da outra a alma do animal e a do homem, a tal ponto que a de um não pode animar o corpo criado para o outro. Mas, conquanto não tenha alma animal, que, por suas paixões, o nivele aos animais, o homem tem o corpo que, às vezes, o rebaixa até ao nível deles, por isso que o corpo é um ser dotado de vitalidade e de instintos, porém ininteligentes estes e restritos ao cuidado que a sua conservação requer. (LE-605) Encarnado no corpo do homem, o Espírito lhe traz o princípio intelectual e moral, que o torna superior aos animais. As duas naturezas nele existentes dão às suas paixões duas origens diferentes: umas provêm dos instintos da natureza animal, provindo as outras das impurezas do Espírito, de cuja encarnação é ele a imagem e que mais ou menos simpatiza com a grosseria dos apetites animais. Purificando-se, o Espírito se liberta pouco a pouco da influência da matéria. Sob essa influência, aproxima-se do bruto. Isento dela, eleva-se à sua verdadeira destinação. Os animais tiram o princípio inteligente que constitui a alma de natureza especial de que são dotados do elemento inteligente universal. A inteligência do homem e a dos animais emanam de um único princípio, porém, no homem, passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal. (LE-606) O estado da alma na sua primeira encarnação é o da infância na vida corporal. A inteligência apenas desabrocha: a alma se ensaia para a vida. O Espírito passa essa primeira fase do seu desenvolvimento numa série de existências que precedem o período a que chamamos Humanidade. Na Natureza tudo se encadeia e tende para a unidade. Nesses seres, cuja totalidade estamos longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para Lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. A GRANDEZA DE DEUS se reconhece nessa ADMIRÁVEL HARMONIA, mediante a qual TUDO É SOLIDÁRIO NA NATUREZA (#). Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as Suas criaturas. A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto, entretanto, não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito, desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Não é freqüente o caso; constitui antes uma exceção. (LE-190 e 607)
O Espírito do homem não tem, após a morte, consciência de suas existências anteriores ao período de humanidade, pois é desse período que começa a sua vida de Espírito. Difícil mesmo é que se lembre de suas primeiras existências humanas, como difícil é que o homem se lembre dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos do tempo que passou no seio materno. Essa a razão por que os Espíritos dizem que não sabem como começaram. (LE-608 e 78)
Conforme a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado, durante algumas gerações, pode o homem conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos só muito lentamente se efetuam, porque ainda não têm a secundá-los a vontade. Vão em progressão mais rápida, à medida que o Espírito adquire perfeita consciência de si mesmo. (LE-609) Os Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação não se enganaram, mas a questão não fora desenvolvida (2). Demais, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. O homem é, com efeito, um ser à parte, visto possuir faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação do seres que podem conhecê-Lo. (LE-610) (2) Nota de Elio Mollo: Já que esta questão ainda não foi desenvolvida, podemos deduzir que dependendo dos mundos: Se for predominantemente mineral estes serão os seres principais desse mundo; Se houverem minerais e vegetais, os vegetais, pelas suas características, serão os seres a parte da criação; Se houverem minerais, vegetais e animais, os animais, pelas suas características inteligente, serão os seres a parte da criação; Se houverem minerais, vegetais, animais e homens, os homens, pelas suas características inteligente, com livre-arbítrio e senso moral, serão os seres a parte da criação. E assim por diante. Metempsicose O terem os seres vivos uma origem comum no princípio inteligente não é a consagração da doutrina da metempsicose. Duas coisas podem ter a mesma origem e absolutamente não se assemelharem mais tarde. Quem reconheceria a árvore, com suas folhas, flores e frutos, do gérmen informe que se contém na semente donde ela surge? Desde que o Princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período da humanização, já não guarda relação com o seu estado primitivo e já não é a ALMA dos animais, como a árvore já não é a semente. De animal só há no homem o corpo e as paixões que nascem da influência do corpo e do instinto de conservação inerente à matéria. Não se pode, pois, dizer que tal homem é a encarnação do Espírito de tal animal. Conseguintemente, a metempsicose, como a entendem, não é verdadeira. (LE-611) O Espírito que animou o corpo de um homem não poderia encarnar num animal, pois isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente. Os Espíritos não podem degenerar; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda. (LE-612 e 118)
Tanto na idéia ligada à metempsicose, como em muitas outras crenças, se depara esse sentimento intuitivo. O homem, porém, o desnaturou, como costuma fazer com a maioria de suas idéias intuitivas. (LE-613) http://www.aeradoespirito.net |
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