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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

DEVE-SE COBRAR MANUTENÇÃO NA CASA ESPÍRITA?

DEVE-SE COBRAR MANUTENÇÃO NA CASA ESPÍRITA?
Por José Muniz de Souza
Espírita, advogado e diretor executivo da Associação Espírita Luz de Cáritas

Adaptado para este estudo por:
Osvaldo Lira

  A incoerência espírita e a taxa de manutenção da Casa, dependendo da ótica como é vista temos um choque ao abordarmos tal assunto, peço que aqueles que lerem este artigo despojem de opiniões preconcebidas e se coloquem a uma analise mais profunda sobre este tema.
  Reitero que todos temos o direito de discordar como de concordar quero apenas levar um pouco de luz a este tema muito melindroso referente as casas espíritas.
  Antes de abordar o assunto, é preciso referir-nos sobre as Instituições espíritas que apresenta vários médiuns de cura, que incorporam os espíritos dos Doutores Adolfo Fritz, Bezerra de Menezes, Camilo Salgado, Nakamura, etc., e atendem o público para promover o socorro de doentes com enfermidades que a medicina ortodoxa não alcança, e, além do atendimento médico-espiritual oferecido, desenvolvem também, os trabalhos de esclarecimentos e desobsessão, atendimentos fraternos.
  Os espíritas a primeira vista, assustam-se, dizendo que isso é um absurdo, e argumentam que Espiritismo deve ser dado de graça, porque de graça o recebemos, e assim afirmou Jesus.
  Ora, sabemos disso.
  Aliás, trata-se do Capítulo XXVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, porém, parece que quem não entendeu bem o contido no citado capítulo são os que se alvoroçaram em críticas àqueles que levantam tal maneira de agir.
  Para que compreendamos bem, lembramos que recebemos de graça a mediunidade, as orientações do alto, as intuições, a presença dos Espíritos Caravaneiros, dos Espíritos médicos, enfim, todos os socorros espirituais por isso os repassaram de graça. Mas, como não se podem realizar sessões desobsessivas em praças públicas, ou em local ermo, torna-se evidente que precisamos de um prédio material, com conforto, recursos hídricos, luz elétrica, cadeiras, mesas, livros, geladeira, ventiladores, que implica em impostos, limpeza, organização, papéis, computador, etc., etc., e isso tudo custa dinheiro. Se custa dinheiro, não recebemos de graça, portanto não podemos dá-los de graça. Lógico e justo que as despesas materiais sejam rateadas entre os frequentadores. Afinal, querer receber de graça o que é oneroso para uma associação, é uma atitude, se não desonesta, insensível.
  Aliás, é típico do frequentador espírita, se calar, fingir que não sabe que a Instituição tem despesa, deixar que os administradores deem seu jeito, enquanto muitos têm condições de contribuírem e se eximem da tarefa, pois todas as vezes que necessitam são atendidos em plenitude por abnegados confrades.
  Os frequentadores do Espiritismo, em geral, fazem uma ideia ilógica e errônea, mas a seu favor, de que os espíritas que propalam tanto a caridade têm obrigação de lhes dar tudo, inclusive o que não faz parte da recomendação do Cristo, que são os custos materiais da casa. O erro estaria na implantação do Espiritismo no Brasil, que fez questão de deixar de lado suas raízes verdadeiras, incentivadas pelo próprio Kardec na Sociedade Espírita de Paris, onde todos os que frequentavam pagavam uma taxa para manutenção da Casa.
  As casas espíritas passam anos oferecendo os seus socorros ao público, e tentando contar com a compreensão, o bom senso e a boa vontade dos frequentadores para que custeassem as despesas materiais, que são feitas em benefício do próprio público, mas chegou a um ponto de atingir o esgotamento. Muitos curados, muitos beneficiados, muitos que deixavam de gastar grandes somas em remédios e viagens de curas ao exterior, nos pagamentos de planos especiais de saúde, mas ninguém, mesmo sendo exortados, se alerta com as necessidades materiais de uma Casa espírita.
  Observamos que do grande fluxo de pessoas que procuram a casa, bem como os que procuram outras instituições espíritas, agiam e agem como aves de arribação. Chegam, descansam-se, alimentam-se, curam-se e logo partem. Só regressam noutro verão, quando são novamente visitados por outra enfermidade. Deixam as despesas que provocaram para os dedicados espíritas de boa vontade. Estes sim agem como verdadeiros mendigos, pedindo de casa em casa, objetos usados para realizarem bazares e angariar fundos para manutenção da Instituição, na mais pura intenção de que estão fazendo o máximo para ajudar o necessitado. Necessitado? De quê?
  Mais tarde a ave de arribação voltará sorridente, cumprimentando a todos, pedindo novamente socorro, e receberá de novo, mas novamente sumirá ao se sentir satisfeita, deixando os banheiros sujos, a conta de luz a ser paga, a água a espera, as paredes e bancos necessitando reformas. Algumas até reclamam, exigindo bancos estofados como viram nas igrejas reformadas, no intervalo em que ficaram distante do convívio espírita.
  “Todo Centro Espírita deve ser uma Associação, segundo nosso Código Civil em vigor”. Associação é uma instituição jurídica que precisa impor taxa de contribuição a cada associado ou frequentador para mantê-la, conforme diz a Lei.
  Todo aquele que procura ajuda em uma Associação (coloca-se aqui qualquer igreja ou denominação que valha) é convidado a associar-se, posto que uma Associação seja fundada para prestar socorro aos seus associados. E é esse o objetivo jurídico de qualquer associação existente no Brasil. Para associar-se, como consequência, é preciso pagar uma taxa de responsabilidade do associado, que se destina a manutenção da casa. Como a pessoa quer frequentar a Casa, mas não deseja associar-se, então, justo será que ela pague a taxa de manutenção com validade de trinta (30) dias, doutra feita o associado é que estaria pagando as despesas que não deu causa. As despesas que o frequentador deu causa, na parte material, mais uma vez lembramos, nada têm a ver com o Espiritismo, portanto, não podemos dá-las de graça, pois não as recebemos de graça.” ( Este enfoque é colocado no ponto de vista jurídico )
  O que seria condenável é se os recursos angariados fossem usados em benefício próprio dos dirigentes, mas isso não ocorre. Os recursos são da própria Instituição, contabilizados, e nela empregados. 
  Temos constatado a grande precariedade que enfrentam os Centros Espíritas de todo o Brasil. Todas as Casas Espíritas deveriam cobrar uma taxa de manutenção de seus associados, e de quem as frequenta, para ter uma sede bonita, bem acabada. Mas por que não o fazem? Certamente por medo da opinião pública. Se cobrassem estariam cobrando os custos materiais, e não os recursos espirituais assim sendo nada recebendo pelo socorro espiritual que prestam.
  Por outro lado, não somos contra, se um grupo de pessoas abnegadas resolverem se reunir, custear todas as despesas de uma Associação, para prestar socorro a todos, indistintamente, sem nada cobrar da parte material. Isso depende de cada associação. Porém, se isso ocorrer, não será bom exemplo, pois contribuirá para que as pessoas abastadas continuem se aproveitando da boa vontade das outras, não aprendam a disciplinar o convívio social perfeito, onde se deve dividir tudo igualitariamente numa sociedade, principalmente as despesas. Além do mais, servirá para incentivar a omissão, que já é praxe, e dificultar a subsistência de uns cem números de Centros Espíritas que apresentam construções velhas, toscas, feias, sem conforto, quando merecem um prédio de boa apresentação para divulgação da Terceira revelação de Deus.
  Como dizemos anteriormente é algo que muitos não concordam, e temos que respeitar as várias opiniões, mas fica algo que devemos pensar dar sempre o peixe, ou ensinar a pescar? Buscar sempre e compartilhar ou receber e não contribuir?
  Dai a Cezar o que é de Cezar (despesas materiais, pois estamos encarnados) e a Deus o que é de Deus (bênçãos, pois somos também espíritos eternos).
  Seja qual for sua posição em relação ao tema, busque sempre ser um excelente Cristão, pois no leme de nossas vidas está JESUS. 
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