Março de
2004
(Revisado em outubro de 2005)
“... e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas”(Paulo, 2Tm 4,4).“... se admitíssemos que Deus faz alguma coisa contrária às leis da natureza, seríamos também obrigados a admitir que Deus age em contradição com a sua própria natureza, o que é um absurdo”.(ESPINOSA, 1670).
Introdução
Relata-nos os textos
sagrados que o povo
hebreu, ao sair do
Egito, defrontou-se com
o Mar Vermelho, que se
dividiu em duas muralhas
após Moisés estender a
mão sobre ele, de modo
que todo o povo o
atravessou a pé enxuto.
Os egípcios, que os
perseguiam, foram
tomados pelas águas
quando se juntaram
novamente, perecendo
todo o exército do
Faraó.
Apesar desse “milagre”
impressionar, nunca
deixamos de questionar
se realmente isso
aconteceu, tal como se
encontra relatado na
Bíblia. Pelo que vimos
nos filmes épicos, é
muita água sô! Veremos,
neste estudo, se
conseguimos desvendar
esse mistério.
As passagens
relacionadas
Das várias Bíblias fonte
de nossa pesquisa,
somente a Bíblia de
Jerusalém traz a
verdadeira denominação
do local da passagem.
Optamos por colocar
todas as narrativas
conforme consta da
Bíblia de Jerusalém, por
ter sido ela composta
por uma equipe de
tradutores de católicos
e protestantes,
portanto, uma tradução
de consenso, que segundo
pensamos, evita, muito
mais que qualquer outra,
textos adaptados à
conveniência religiosa
de um segmento
específico.
Ex 13, 17-18:
Ora,
quando o Faraó deixou o
povo partir, Deus não o
fez ir pelo caminho no
país dos filisteus,
apesar de ser o mais
perto, porque Deus
achara que diante dos
combates o povo poderia
se arrepender e voltar
para o Egito. Deus,
então, fez o povo dar a
volta pelo caminho do
deserto do mar dos
Juncos, e os
israelitas saíram bem
armados do Egito.
Em nota de rodapé
explicam os tradutores:
A designação “o mar dos Juncos”, em hebraico yam sûf, é acréscimo. O texto primitivo dava apenas uma indicação geral: os israelitas tomaram o caminho do deserto para o leste ou o sudeste. – o sentido desta designação e a localização do “mar de Suf” são incertos. Ele não é mencionado na narrativa de Ex 14, que fala apenas do “mar”. O único texto que menciona o “mar de Suf” ou “mar dos Juncos” (segundo o egípcio) como cenário do milagre é Ex 15,4, que é poético.
Veremos, mais à frente,
que Keller, autor do
livro E a Bíblia
tinha razão...,
reforça essa afirmativa
sobre a designação desse
local.
Ex 14, 21-28:
Então
Moisés estendeu a mão
sobre o mar. E
Iahweh, por um forte
vento oriental que
soprou toda aquela
noite, fez o mar
se retirar. Este se
tornou terra seca, e as
águas foram divididas.
Os israelitas entraram
pelo meio do mar
em seco; e as águas
formaram como um muro à
sua direita e à sua
esquerda. Os egípcios
que os perseguiam
entraram atrás deles,
todos os cavalos de
Faraó, os seus carros e
os seus cavaleiros, até
o meio do mar...
Moisés estendeu a mão
sobre o mar e
este, ao romper da
manhã, voltou para o seu
leito. Os egípcios, ao
fugir, foram de encontro
a ele. E Iahweh derribou
os egípcios no meio do
mar. As águas voltaram e
cobriram os carros e
cavaleiros de todo o
exército de Faraó, que
os haviam seguido no
mar; e não escapou
um só deles.
Transcrevemos da nota de
rodapé a seguinte
explicação:
Esta narrativa apresenta-nos o milagre de duas maneiras: 1º) Moisés levanta a sua vara sobre o mar, que se fende, formando duas muralhas de água entre as quais os israelitas passam a pé enxuto. Depois, quando os egípcios vão atrás deles, as águas se fecham e os engolem. Esta narrativa é atribuída à tradição sacerdotal ou eloísta. 2º) Moisés encoraja os israelitas fugitivos, assegurando-lhes que nada têm que fazer. Então, Iahweh faz soprar um vento que seca o “mar”, os egípcios ali penetram e são engolidos pelo seu refluxo. Nesta narrativa, atribuída à tradição javista, somente Iahweh é que intervém; não se fala de uma passagem do mar pelos israelitas, mas apenas da miraculosa destruição dos egípcios. Esta narrativa representa a tradição mais antiga. É somente a destruição dos egípcios que afirma o canto muito antigo de Ex 15,21, desenvolvido no poema de 15,1-18. Não é possível determinar o lugar e o modo deste acontecimento; mas aos olhos das testemunhas apareceu como uma intervenção espetacular de “Iahweh guerreiro” (Ex 15,3) e tornou-se um artigo fundamental da fé javista (Dt 11,4; Js 24,7 e cf. Dt 1,30; 6,21-22; 26,7-8). Este milagre do mar foi posto em paralelo com outro milagre da água, a passagem do Jordão (Js 3-4); a saída do Egito foi concebida de maneira secundária à imagem da entrada em Canaã, e as duas apresentações misturam-se no cap. 14. A tradição cristã considerou este milagre como uma figura da salvação, e mais especialmente do batismo (1Cor 10,1).
Embora muitas vezes
explicam certas
passagens bíblicas, não
levam em consideração as
suas próprias
explicações para análise
de outros textos. Por
isso insistem que tal
ocorrência se trata de
“milagre”, mas como já
deixamos transparecer,
logo de início, só se
por delírio poético do
autor bíblico.
Ficamos em dúvida de
como as coisas realmente
aconteceram, já que pelo
texto da Bíblia Moisés
estendeu a mão sobre o
mar, enquanto que o
historiador Josefo,
dizendo sobre o que se
encontra nos Livros
Santos, narra da
seguinte forma:
Este admirável guia do povo de Deus, depois de ter acabado a sua oração, tocou o mar com sua vara maravilhosa e no mesmo instante ele se dividiu, para deixar os hebreus passar livremente, atravessando-o a pé enxuto, como se estivessem andando em terra firme. (História dos Hebreus, pág. 87).
Assim, temos duas
versões para o mesmo
fato. Por outro lado,
Josefo narra de forma
espetacular o retorno
das águas ao leito do
mar, com o perecimento
dos egípcios, coisa não
encontrada na Bíblia da
mesma forma. Vejamos:
O vento juntara-se às vagas para aumentar a tempestade: grande chuva caiu dos céus; os relâmpagos misturaram-se como ribombo do trovão, os raios seguiram-se aos trovões e para que não faltasse nenhum sinal dos mais severos castigos de Deus, na sua justa cólera, punindo os homens, uma noite sombria e tenebrosa cobriu a superfície do mar; do modo que, de todo esse exército, tão temível, não restou um único homem que pudesse levar ao Egito a notícia da horrível catástrofe. (História dos Hebreus, pág. 87).
A rota inicial do Êxodo
Partiram de Ramsés para
Sucot, daí seguiram a
Etam, de onde foram até
Piairot, ponto em que
partiram e atravessaram
o mar, acampando em
Mara, no Deserto de Etam.
(Ex. 13,20; 14.2.9.15;
15,22; Nm 33, 5-8). Ver
no mapa 1 abaixo, cuja
rota está traçada em
linha vermelha:
|
|
|
||
|
Mapa 1:
Ampliação do
local da
passagem
|
Mapa 2:
Visão global da
rota do êxodo
|
Observar no Mapa 1
(destaque da área
realçada no retângulo
azul no Mapa 2) que na
região da passagem pelo
“Mar Vermelho” existe
até uma rota comercial
(linha pontilhada),
demonstrando que não se
necessitava de nenhum
milagre para passar pelo
local. Keller, num mapa
colocado em seu livro
E a Bíblia tinha
razão..., informa
que essa área é
denominada de “mar dos
Juncos”, o que de fato
pode-se confirmar no
mapa acima que foi
retirado da Bíblia
Anotada, Mundo Cristão.
Bem abaixo, ainda no
Mapa 1, na região
indicada como de
ajuntamento de água, se
refere ao Golfo de Suez,
não se trata
especificamente do Mar
Vermelho, que fica bem
mais abaixo, conforme se
pode ver mais claramente
no Mapa 2, que, segundo
nossos cálculos, dista
cerca de
360 km
do local da passagem.
Temos então, pela
geografia da região, que
o Mar Vermelho é, vamos
assim dizer, divido pela
Península do Sinai em
dois golfos, o Golfo de
Suez e Golfo de Ácaba.
Como se diz popularmente
“cada um é cada um”, ou
melhor, geograficamente
falando, golfo é golfo,
não é o mar propriamente
dito.
Algumas explicações dos
tradutores
Fora as que já
fornecemos, logo após as
passagens anteriormente
transcritas, seria ainda
interessante lermos
outras que se nos
apresentam.
O local da travessia do Mar Vermelho foi provavelmente a extensão norte do Golfo de Suez, ao sul do atual porto de Suez. Embora a expressão literal seja “mar dos Juncos”, a referência é ao mar Vermelho, não simplesmente a alguma região alagadiça. (Bíblia Anotada, pág. 98, em relação à Ex 13,18).Mar Vermelho: lit. “mar dos Juncos”. A expressão designa tanto o atual mar Vermelho como também a região pantanosa e de lagunas, atravessada hoje pelo canal de Suez. É o cenário da passagem dos israelitas pelo “mar Vermelho” (Bíblia Vozes, pág. 91, em relação à Ex 10,19).A descrição da passagem pelo mar Vermelho corresponde a um fenômeno de ordem natural, como o sugere a menção do “vento forte” (v.21) que põe o mar, isto é, uma região pantanosa, em seco. Tal fenômeno foi providencial para salvar os israelitas (v.24) e fazer perecer os egípcios (v.27): de madrugada as condições climáticas foram favoráveis à passagem segura dos israelitas; de manhã mudaram bruscamente e os egípcios pereceram. Nisto Israel viu a mão providencial de Deus (v.31), expressa pela nuvem e pelo fogo (13,21), pelas águas que formam alas para os israelitas passarem (14,22) e pela vara milagrosa de Moisés (v.16.21.26). (Bíblia Vozes, pág. 97, em relação à Ex 14,21-31).Em toda essa narração da passagem do mar Vermelho é difícil estabelecer o que haja de verdadeiramente histórico e o que haja de fruto de reelaborações épicas. Tampouco é possível indicar o ponto exato em que se deu a travessia. Por certo, há uma intervenção milagrosa de Deus que, embora servindo-se de fenômenos naturais, pode ordená-los no tempo e lugar para que facilitassem a fuga dos hebreus e o castigo dos egípcios. Em todo o A.T. a passagem do mar Vermelho foi sempre considerada como o exemplo mais esplêndido do socorro providencial de Deus, e em o N.T. é ainda considerada como a figura da salvação, mediante a ablução batismal. (Bíblia Vozes, pág. 97, em relação à Ex. 14,15-31).
Mesmo que em algumas
delas se reconheça que
não é mesmo o mar
Vermelho, mas o mar dos
Juncos, ou que o que
aconteceu foi um
fenômeno de ordem
natural, que colocou a
região pantanosa em
seco, não deixam de
envidar esforços em seus
argumentos para levá-lo
à conta de milagre,
contrariando o bom senso
em detrimento da fé
racional.
A arqueologia confirma
os fatos?
Agora sim é que iremos
ver o que Keller tem
mesmo a nos dizer sobre
esse assunto. Vejamos:
Esse “milagre do mar” tem ocupado incessantemente a atenção dos homens. O que até agora nem a ciência nem a pesquisa conseguiram esclarecer não é de modo algum a fuga, para a qual existem várias possibilidades reais. A controvérsia que persiste é sobre o cenário do acontecimento, que ainda não foi possível fixar com certeza.A primeira dificuldade está na tradução. A palavra hebraica “Yam suph” é traduzida ora por “mar Vermelho”, ora por “mar dos Juncos”. Repetidamente se fala do “mar dos Juncos”: “Ouvimos que o Senhor secou as águas do mar dos Juncos[1] à vossa entrada, quando saístes do Egito...” (Josué 2.10). No Velho Testamento, até o profeta Jeremias, fala-se em “mar dos Juncos”. O Novo Testamento diz sempre “mar Vermelho” (Atos 7.36; Hebreus 10.29).Às margens do mar Vermelho não crescem juncos. O mar dos juncos propriamente ficava mais ao norte. Dificilmente se poderia fazer uma reconstituição fidedigna do local – e essa é a segunda dificuldade. A construção do Canal de Suez no século passado modificou extraordinariamente o aspecto da paisagem da região. Segundo os cálculos mais prováveis, o chamado “milagre do mar” deve ter acontecido nesse território. Assim, por exemplo, o antigo lago de Ballah, que ficava ao sul da estrada dos filisteus, desapareceu com a construção do canal, transformando-se em pântano. Nos tempos de Ramsés II, existia ao sul uma ligação do golfo de Suez com os lagos amargos. Provavelmente chegava mesmo até mais adiante, até o lago Timsah, o lago dos Crocodilos. Nessa região existia outrora um mar de juncos. O braço de água que se comunicava com os lagos amargos era vadeável em diversos lugares. A verdade é que foram encontrados alguns vestígios de passagens. A fuga do Egito pelo mar dos Juncos é, pois, perfeitamente verossímil. (E a Bíblia tinha razão..., pág. 146).[1] As traduções em português consultadas citam sempre “mar Vermelho”. (N. do T.)
As observações de Keller
se encaixam
perfeitamente com
algumas das explicações
dadas pelos tradutores,
ficando, desta forma,
sem propósito qualquer
argumento contrário, a
não ser que algum dia a
ciência venha em socorro
dos que querem enxergar
as coisas sob ponto de
vista religioso,
sustentando os fatos
como milagres.
É bom deixar registrado
que na Bíblia de
Jerusalém, vinte e uma
passagens reportam a
esse episódio, sendo que
em dezesseis se usa Mar
dos Juncos e apenas
cinco vezes Mar
Vermelho. [1].
Fatos semelhantes
A respeito da passagem
do mar Vermelho, Josefo
nos relata outro
acontecimento idêntico:
“... ninguém deve considerar como coisa impossível, que homens, que viviam na inocência e na simplicidade desses primeiros tempos, tivessem encontrado, para se salvar, uma passagem no mar, que se tenha ela aberto por si mesma, quer isso tenha acontecido por vontade de Deus, pois a mesma coisa aconteceu algum tempo depois aos macedônios, quando passaram o mar da Panfília, sob o comando de Alexandre, quando Deus se quis servir dessa nação para destruir o império dos persas, como o narram os historiadores que escreveram a vida desse príncipe. Deixo, no entanto, a cada qual que julgue como quiser”. (História dos Hebreus, pág. 87).
Observar que nesta fala
de Josefo é dito dum
fato semelhante
acontecido com os
macedônios, que também a
pé enxuto passaram o mar
da Panfília.
No livro de Josué
(3,14-17) o povo de
Israel atravessou o rio
Jordão, após as suas
águas terem se dividido.
Muitos também têm esse
episódio como um
milagre. Entretanto,
vejamos as seguintes
notas explicativas dos
tradutores:
Sabemos que as águas do Jordão, no seu leito estreito e profundo, vão minando as margens, provocando de vez em quando grandes desabamentos de terras que podem obstruir por completo, a torrente. A partir desse lugar, o leito permanece seco até que as águas rompem uma passagem e encontram de nosso o seu caminho. A história conta-nos que isso aconteceu em 1267, 1914 e 1927. Em nada diminuiria a ação de Deus se se tivesse servido miraculosamente, nesse momento exato, destes elementos locais. (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 286 em relação à Js 3, 16).Relaciona-se esse fato com o ocorrido em 1267, segundo o cronista árabe [de nome Huwairi, conforme Ed. Paulinas, pág. 222] o Jordão cessou de correr durante dez horas, porque desmoronamentos do terreno haviam obstruído o vale, precisamente na região de Adamá-Damieh. (Bíblia de Jerusalém, pág. 317, em relação à Js 3, 16)....O Jordão, de fato, é um pequeno rio que, em alguns lugares, permite a travessia a pé enxuto, principalmente graças à abundância de pedras em seu leito. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 238, em relação à Js 4, 3).
Outra Versão do êxodo
Sempre que estivermos
pesquisando algo para
saber o que de fato
aconteceu é recomendável
vermos outras fontes.
Vejamos uma outra versão
da saída dos hebreus do
Egito:
Estas são as etapas que
os israelitas
percorreram, desde que
saíram da terra do
Egito, segundo os
esquadrões, sob a
direção de Moisés e
Aarão. Moisés registrou
os seus pontos de
partida, quando saíram
sob as ordens de Iahweh.
Estas são as etapas,
segundo os seus pontos
de partida. Partiram de
Ramsés no primeiro mês.
No décimo quinto dia do
primeiro mês, no dia
seguinte à Páscoa,
partiram de mão erguida,
aos olhos de todo o
Egito... Os israelitas
partiram de Ramsés e
acamparam em Sucot. Em seguida
partiram de Sucot e
acamparam em Etam, que
está nos limites do
deserto. Partiram de
Etam e voltaram em
direção de Piairot, que
está diante de
Baal-Sefon, e acamparam
diante de Magdol.
Partiram de Piairot e
alcançaram o deserto,
depois de terem
atravessado o mar, e
depois de três dias de
marcha no deserto de
Etam acamparam
em Mara. Partiram
de Mara e chegaram a
Elim. Em Elim havia doze
fontes de água e setenta
palmeiras; ali
acamparam. Partiram
de Elim e acamparam
junto ao mar dos Juncos.
Em seguida partiram do
mar dos Juncos e
acamparam no deserto de
Sin. Partiram do
deserto de Sin e
acamparam em Dafca. Partiram de
Dafca e acamparam
em Alus. Partiram
de Alus e acamparam em
Rafidim; o povo não
encontrou ali água para
beber. Partiram de
Rafidim e acamparam no
deserto do Sinai...
Nessa versão, que
reduzimos até a chegada
ao Sinai, não há a menor
menção à abertura do mar
Vermelho, não é
interessante? Mas
poderiam nos perguntar,
de onde você a retirou?
Responderemos
serenamente: da Bíblia?
Como da Bíblia? Sim, é
exatamente isso mesmo,
essa passagem foi
transcrita da própria
Bíblia, quem o quiser
comprovar então leia Nm
33,1-49. Com qual das
versões ficaremos como
sendo a verdadeira? Por
ela a passagem pelo mar
dos Juncos foi coisa
normal, e não poderia
ser de outra forma, já
que até mesmo uma rota
comercial existia
naquele local, conforme
poder-se-á comprovar
pela linha pontilhada no
mapa 1.
Conflitos inexplicáveis
Leiamos as seguintes
passagens:
O Faraó mandou aprontar
o seu carro e tomou
consigo o seu povo;
tomou seiscentos carros
escolhidos e todos os
carros do Egito, com
oficiais sobre todos
eles. E Iahweh endureceu
o coração de Faraó, rei
do Egito, e este
perseguiu os israelitas,
enquanto saíam de braço
erguido. Os egípcios
perseguiram-nos, com
todos os cavalos e
carros de Faraó, e os
cavaleiros e o seu
exército, e os
alcançaram acampados
junto ao mar, perto de
Piairot, diante de Baal
Sefon.
(Ex 14,6-9).
Os egípcios que os
perseguiam entraram
atrás deles, todos os
cavalos de Faraó, os
seus carros e os seus
cavaleiros, até o meio
do mar
(Ex 14,23).
As águas voltaram e
cobriram os carros e
cavaleiros de todo o
exército de Faraó, que
os haviam seguido no
mar; e não escapou um
só deles.
(Ex 14,28)
O primeiro conflito é
como os egípcios
poderiam estar ainda
usando os cavalos, uma
vez que, quando a peste
maligna, uma das pragas
divinas, os atingiu
morrem todos os animais
(Ex 9, 6)?
Segundo os estudiosos é
provável que o Faraó
daquela época tenha sido
Ramsés II. O relato diz
que todos morreram não
escapando um só, mas
será que um evento
desse, evolvendo o
próprio Faraó, não tenha
sido registrado pelos
egípcios? Será que houve
uma falha entre os
escritores da época?
Apesar de nossos
esforços em procurar
saber como Ramsés II
morreu, só encontramos
essas referências:
“Ramsés morreu com aproximadamente 90 anos e gerou pelo menos 90 filhos. Quando estudaram a múmia de Ramsés, viram grandes problemas com seus dentes. Pode ser que tenha morrido por infecção. Sabe-se que nos seus últimos dias sofreu bastante”. (fonte: http://www.caiozip.com/ramses.htm).“Como o grande Ramsés morreu? Provavelmente de velhice”. (National Geografic, Ed 26ª, texto de Rick Gore, in Ramsés, o Grande, p. 35).“Ramsés II morreu em agosto de 1213 a.C., com cerca de 90 anos”. (National Geografic, Ed. 26ª, texto de Kent R. Weeks, in
Entretanto, fosse sua
morte provocada pela
maneira descrita na
Bíblia fatalmente
haveria registro disso
em outras fontes. Por
conseguinte, caso o
Faraó não tenha morrido
afogado, fato que é o
mais provável, então o
relato bíblico é
fictício; eis o dilema.
Conclusão
De nada adianta usar as
interpretações piedosas
de muitas das religiões
tradicionais para
sustentar esses fatos,
pois ao homem inquiridor
dos dias atuais,
alegações desse tipo não
convencem, já que ele
prefere que se busque a
verdade dos fatos.
Devemos, mesmo à custa
de muita indignação por
parte de algumas
pessoas, apontar os
equívocos de
interpretação, as
interpolações, bem como
as deliberadas
adulterações, para
mostrar a verdade limpa
e pura, que muito mais
agrada que uma mentira
evidenciada pelos fatos.
Devem, pois, os teólogos
rever seus conceitos e,
diga-se de passagem, em
sua maioria são dum
passado remoto que, por
força dos conhecimentos
atuais, tornaram-se
obsoletos. “A verdade
ainda que tardia”, diria
Tiradentes numa situação
dessa.
Finalizando, veremos a
opinião de Espinosa a
respeito de milagres
desse tipo:
O homem comum chama, portanto, milagres ou obras de Deus aos fatos insólitos da natureza e, em parte por devoção, em parte pelo desejo de contrariar os que cultivam as ciências da natureza, prefere ignorar as causas naturais das coisas e só anseia por ouvir falar do que mais ignora e que, por isso mesmo, mais admira. Isso, porque o vulgo é incapaz de adorar a Deus e atribuir tudo ao seu poder e à sua vontade, sem elidir as causas naturais ou imaginar coisas estranhas ao curso da natureza. Se alguma vez ele admira a potência de Deus, é quando imagina como que a subjugar a potência da natureza.
O que temos dito é que o
maior milagre, no caso
do Mar Vermelho, não é
propriamente abri-lo em
duas muralhas, mas
transportá-lo para o
local onde aconteceu a
travessia, pois aí teria
que acontecer um
extraordinário fenômeno
para deslocá-lo em cerca
de
360 km.
Referência
Bibliográfica:
A Bíblia Anotada.
Trad. PINTO, O. C. São
Paulo: Mundo Cristão,
1994.
Bíblia de Jerusalém.
São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia do Peregrino.
São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia Sagrada -
Edição Barsa.
Rio de Janeiro: Catholic
Press, 1965.
Bíblia Sagrada
- Edição Pastoral.
São Paulo: Paulus, 2001.
Bíblia Sagrada.
Aparecida, SP:
Santuário,1984.
Bíblia Sagrada.
Brasília, DF: SBB, 1969.
Bíblia Sagrada.
Petrópolis, RJ: Vozes,
1989.
Bíblia Sagrada.
São Paulo: Ave Maria,
1989.
Bíblia Sagrada.
São Paulo: Paulinas,
1980.
Escrituras Sagradas,
Tradução do Novo Mundo
das. Cesário Lange, SP:
STVBT, 1986.
ESPINOSA, B.
Tratado
Teológico-Político.
trad. AURÉLIO, D. P. São
Paulo; Martins Fontes,
2003.
JOSEFO, F. História
dos Hebreus.
Trad. PEDROSO, V. Rio de
Janeiro: CPAD, 1990.
KELLER, W. E a
Bíblia tinha razão...
São Paulo:
Melhoramentos, 2000.
National Geografic
Especial nº
26 A, São
Paulo: Abril, junho de
2002.
http://www.caiozip.com/ramses.htm,
consultado em
26.10.2005, às 10.00 hs.
[1] Ex 10,19; 13,18;
15,4; 15,22; Nm 33,10;
33,11; Dt 11,4; Js 2,10;
4,23; 24,6; Jz 11,16; Ne
9,9; Jd 5,13; 1Mc 4,9;
Sl 106,7; 106,9; 136,13;
Sb 10,18; 19,7; At 7,36
e Hb 11,29.
http://www.aeradoespirito.net
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