Paulo da Silva Neto Sobrinho
Mar/2012
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Ao longo do tempo, vínhamos observando que o nome civil de Allan
Kardec apresentava, para nossa surpresa, uma variação na ordem das palavras
que compõem o seu nome civil. Até então, não havíamos nos preocupado muito
com isso, entretanto, ao preparar a palestra Terceira Revelação –
Espiritismo e Kardec, para ser apresentada no Grupo Espírita de
Fraternidade Albino Teixeira, em Belo Horizonte, MG, voltamos a perceber
essa divergência e aconteceu que resolvemos pesquisar visando saber as
causas disso, porquanto isso intrigou-nos demais.
Estaremos apenas levantando a questão da ordem das palavras,
portanto, não iremos buscar informações sobre usar “z” ao invés de “s” em
Denisard, um “p” ou dois “pp” e “i” ao invés de “y” em Hypolite, fatos que
estamos registrando para que você leitor tome ciência
disso.
Quando formos referenciar os documentos usaremos a numeração que
colocamos em cada fonte, conforme constam nas Referências
bibliográficas.
Vamos denominar de “Documentos oficiais”, aqueles produzidos por
órgão público ou particular encarregado de algum tipo de registro e
“Documentos não oficiais” os provenientes de outras fontes, incluindo, aí
algumas produzidas pelo próprio Kardec.
Nos documentos oficiais temos:
Então, aqui temos “Denisard” e “Léon” não mantendo-se
na mesma ordem, sendo que o primeiro a variação é a metade das ocorrências.
Via de regra, dar-se-ia preferência ao que se utilizou na certidão de
nascimento, caso na França seguisse o que ocorre aqui no Brasil nesse
particular.
Mais à frente iremos apresentar a imagem constante na
obra, da qual foram tomados todas as ocorrências; porém, algo já nos chamou
a atenção na certidão de nascimento: qual é a razão da virgula depois de
Denisard?
Novamente, apenas para registro, observe que na
certidão de óbito de Kardec lê-se Denisart e não Denisard, ou seja, em lugar
do “d”, apareceu-nos um “t”.
Vejamos agora como consta o nome de Kardec nos
documentos não oficiais:
Nas duas
ocorrências, onde Kardec não assinou o nome todo, ele coloca as iniciais
exatamente na ordem que utilizou em seu testamento, que, por sua vez, é
quase idêntica à que consta do Novo Dicionário Universal, publicado por
Maurice Lachâtre (1814-1900), a não ser pela
troca do “y” pelo “i” e o uso de dois
“pp”.
Vejamos como alguns autores das fontes, que foram por nós utilizadas,
tratam dessa questão.
Jorge Damas Martins (1957- ) e Stenio Monteiro de
Barros (1945- ) se limitaram a apresentar o nome conforme consta da certidão
de nascimento, da qual apresentam um fac-símile, que iremos mostrar mais à
frente.
Przemyslaw Grzybowski (1968- ) também menciona a
diferença na ordem e opta por aquela utilizada por Kardec, justifica dizendo
que foi ela que o Codificador assinou em suas obras.
Zêus Wantuil (1924- 2011) e Francisco Thiesen
(1927-1990), em nota explicativa sobre primeiro livro de Kardec –
Cours Pratique e Theórique d'Arithmétique, d'apres la méthode de
Pestalozzi, informam:
E mais à frente, no capítulo “Kardec e o seu nome
civil”, eles apresentam várias considerações pelas quais justificam optarem
por Hippolyte Léon Denizard Rivail.
E mais à frente, no capítulo “Kardec e o seu nome
civil”, apresentam várias considerações pelas quais justificam optar por
Hippolyte Léon Denizard Rivail, que será bem interessante ao presente
estudo, porquanto elenca a lista, objeto de sua consulta, razão pela qual
transcrevemos o seguinte trecho:
(WANTUIL e THIESEN, vol. I, 2004, p. 228-231) (grifo
nosso).
O escritor Jorge Rizzini (1924-2008), mantem-se firme
na escolha do nome que consta da certidão de nascimento, alegando que é esse
que vale, por originar de documento oficial. Além disso, ele tece as
seguintes considerações sobre a pesquisa de Wantuil:
Infelizmente o companheiro Jorge Rizzini restringiu demais a base de
Zêus Wantuil, que, como vimos logo acima, é bem mais extensa do que aquela
que nos quer fazer crer Rizzini, inclusive, nela se vê que a grande maioria
das fontes citadas por Wantuil utiliza Hippolyte Léon Denizard
Rivail.
Quanto à certidão de casamento, que Rizzini alega que
nela deve constar o nome da certidão de nascimento, que supõe que teria sido
apresentada, parece-nos que se deu justamente o contrário, pois observa-se
que, na certidão de casamento, consta exatamente a grafia não aceita por
Rizzini; mas aquela defendida por Wantuil, ou seja, Hippolyte Léon Denizard
Rivail.
Oportuno, também, ressaltar que não é só Wantuil que
cita a certidão de casamento, podemos encontrá-la em Jorge Damas e Stenio
Monteiro, que, inclusive, apresentam um fac-símile dela (MARTINS e BARROS,
1999, encarte entre as páginas 50 e 51).
Na revista
Reformador encontramos o texto “Allan Kardec e o seu Nome Civil”
(p. 24-28) de autoria de Washington Luiz Nogueira Fernandes (?-), do qual
iremos transcrever e, conforme o caso, comentar alguns
trechos:
Está coberto de razão, entretanto, devemos buscar conhecer mais
certos detalhes que podem mudar aquilo que julgamos ser correto. No caso da
certidão de nascimento, inclusive, o próprio autor constata isso neste
texto, após Denizard há uma vírgula, e esse pequeno sinal gráfico pode mudar
tudo. Sobre esse detalhe, argumenta Washington Luiz, em sua
conclusão:
Estaria tudo certo não fosse o que nos traz Júlio Abreu Filho
(1893-1971), quanto à questão da vírgula:
Nota-se que não são concordantes as opiniões de Washington Luiz e
Júlio Abreu, quanto à questão da vírgula, embora, a deste último pareceu-nos
mais coerente, apesar da forma proposta não ser exatamente a que consta da
certidão de nascimento.
Para se ter uma boa ideia, dessa dificuldade, vejamos,
por exemplo, a certidão de nascimento de Kardec. Conseguimos três
fac-símiles; dois nas obras que utilizamos e um na Internet, aqui
estão:
Comparando-se as duas primeiras, vemos claramente que a fonte não
pode ter sido a mesma, pois há diferença entre elas, especialmente,
quanto à letra, que, embora seja muito semelhante não é a mesma. Fora a
questão do local onde consta os selos. A segunda e a terceira, também, bem
semelhantes não têm o nome de Kardec da mesma forma e disposição. Fato que
você, caro leitor, poderá pessoalmente constatar. O problema é que todos são
tidos como originais, o que nos fez lembrarmos da frase atribuída a S.
Jerônimo: “A verdade não pode existir em coisas que
divergem”.
Certamente, que nem temos condições técnicas para
apontar qual é a ordem correta; porém, mesmo assim arriscaríamos em dizer
que trata-se da ordem utilizada pelo próprio Kardec no seu testamento, por
razões, bem simples, por sinal:
1ª) geralmente que fornece o nome da criança na ocasião
do batismo são os próprios pais, então, o nome que consta da certidão de
batismo, presumimos que foram os pais de Kardec que o informaram ao pároco,
e, certamente, não dariam o nome errado;
2ª) seria totalmente fora de propósito que o pai de
Kardec, o juiz Jean Baptiste Antoine Rivail, como magistrado iria orientar o
filho a escrever um nome que não fosse o verdadeiro;
3ª) não acreditamos que o próprio Kardec escrevesse seu
nome errado, porquanto, portador de uma considerável cultura, isso, segundo
pensamos, o impediria de utilizar uma ordem diferente da
real;
4ª) a vírgula depois
de Denisard, constante da sua certidão de nascimento, que não faz sentido se
a ordem do nome de Kardec iniciasse com esse prenome, em função dessa
posição levaria o nome para Hypolite Leon Rivail,
Denisard ou talvez para Hypolite Leon Denisard Rivail, que é
exatamente aquela com a qual Kardec assinava.
E, para finalizar, gostaríamos de deixar claro que não
temos nenhuma intenção de que todos abracem essa forma com a qual estamos
vendo o caso e, além disso, não queremos contestar ninguém que já escreveu
sobre esse assunto, pois estamos apenas juntando as pesquisas realizadas,
para que o leitor, ávido de conhecimento, possa tê-las reunidas num só
lugar.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Mar/2012.
Referência bibliográfica:
(1) ABREU FILHO, J. O principiante espírita. São
Paulo: Pensamento, 1995.
(2) FERNANDES, W. L. N. Allan Kardec e o seu nome
civil. in. Reformador, ano 118, nº
2052. Rio de Janeiro: FEB, março 2000, p.
24-28.
(3) INCONTRI, D.
e GRZYBOWSKI, P. (org) Kardec Educador. Bragança
Paulista, SP: Ed. Comenius, 2005.
(4)
LACHÂTRE, M. Allan Kardec in. COSTA NUNES, B.
H et al. Em torno do Rivail. Bragança Paulista, SP: Lachâtre,
2004.
(5) MARTINS, J. D. e BARROS, S. M. Allan Kardec: análise
de documentos biográficos. São Paulo: Lachâtre,
1999.
(6) RIZZINI, J. Kardec, irmãs Fox e outros.
Capivari, SP: EME, 1995.
(7) WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan Kardec: o educador e
o codificador, vol. I. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
(8) WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan Kardec: o educador e
o codificador, vol. II. Rio de Janeiro: FEB,
2004.
Portal A ERA DO ESPÍRITO
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Caro amigo,
ResponderExcluirFavor verificar que o texto no Era do Espírito agora tem as três imagens que faltaram quando postaram o meu texto.
veja: http://www.aeradoespirito.net/ArtigosPN/KARDEC_E_O_SEU_NOME_CIVIL_PN.html
abr
Paulo Neto