a partir de maio 2011

domingo, 29 de abril de 2012

Seitas e Cultos Catastrofistas


Jorge Hessen (Brasília - DF)
Segundo Emmanuel, “alguns anos antes de terminar o primeiro século, após o advento do Evangelho, já as forças espirituais operam uma análise da situação amargurosa do mundo, em face do porvir. Jesus chama aos espaços o Espírito João, que de uma caverna da ilha grega de Patmos, o apóstolo atônito e aflito, lê a linguagem simbólica do invisível. Recomenda-lhe Jesus que entregue os seus conhecimentos ao planeta como advertências a todas as nações e a todos os povos da Terra” (1) e o velho evangelista narra as suas visões repletas de alegorias e mistérios e transmite aos seus discípulos as advertências extraordinárias do Apocalipse.
Todos os fatos posteriores de João estão ali (Livro Apocalipse) previstos, para a História da humanidade. As guerras, as nações futuras, o mercantilismo, as lutas ideológicas da civilização ocidental estão ali pormenorizadamente entrevistos.
Muitos outros profetas de relativa importância se sucederam após João, mas nenhum foi, até os nossos dias, mais importante que o médico francês Michel de Notre-Dame, internacionalmente conhecido por Nostradamus. Este se impôs no conceito do mundo ocidental pelo elevado índice de acertos de suas previsões, em 400 anos de ocorrência.
Esclarece Kardec: “a forma empregada até agora nas predições faz delas verdadeiros enigmas, as mais das vezes indecifráveis. Hoje, as circunstâncias são outras; as predições nada têm de místicas. São antes advertências do que predições propriamente ditas. A humanidade contemporânea também conta seus profetas. Mais de um escritor, poeta, literário, historiador ou filósofo hão traçado, em seus escritos, a marcha futura de acontecimentos a cuja realização agora assistimos.”(2)
Nesse contexto, devemos reconhecer que é preocupante o surgimento de seitas e cultos catastrofistas que se multiplicam mundo afora, neurotizados por essa expectativa frenética de uma “nova era”. Aliás, o argumento do fim dos tempos é uma especialidade de alguns médiuns excêntricos que propagam catástrofes naturais (terremotos, furacões, epidemias, etc), médiuns esses que inclusive têm sites na internet e seguem alucinados aos sinais da “hora final”.
São comuns em várias partes do mundo, os grupos de pessoas fanáticas que abandonaram emprego, família, à espera do “grande final” e criam seitas bizarras. Só na França, segundo a Revista Isto É: “há cerca de 200 delas, com 300 mil adeptos. No Japão, vários “gurus” prevêem o final do mundo (3). Nos Estados Unidos, pasmem! 55 milhões de americanos acham que falta pouco para o mundo acabar. Para esses, os furacões que têm destruído a região central do país são anjos enviados para punir os homens, anunciando o Apocalipse. Isso porque são países industrializados, poderosos, o que teoricamente nos remete à suposição de serem povos mais adiantados intelectualmente.
Nos dias atuais nem precisamos ter o dom de premonição para anteciparmos a visão do cenário terrestre para breve. Basta analisarmos o destroçamento que o homem moderno tem operado na natureza por desenfreada ambição. A exploração da energia nuclear ainda não é assunto que está sob total controle humano. O desmatamento insano, a poluição do ar, o vigor da expansão do consumo de drogas, a banalização do comportamento sexual, seja através de revista, jornal, televisão, cinema, teatro, videocassete, TV a cabo, computador, etc. Há também, nesse contexto, um preocupante vaticínio sobre a drástica redução da reserva de água potável, para daqui a quatro décadas no orbe. Acerca disso, sabemos que algumas potências econômicas querem internacionalizar a Amazônia, por uma simples razão: cerca de 35% de precipitação de chuva no planeta ocorre daquela área, levando a região a ter maior reserva hídrica da Terra. A propósito, sabemos que muitos especialistas prevêem conflitos mundiais, tendo como motivo a corrida pela posse e controle do líquido vital.
A prática dos códigos evangélicos é a condição intransferível que determinará a grande transformação sócio, político e econômica do porvir. Nessa esteira, haverá de ser o final do mundo velho, desse mundo regido pela desmesurada ambição, pela corrupção, pelo aniquilamento dos preceitos éticos, pelo orgulho, pelo egoísmo, pela incredulidade.
Cremos que a Terra não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que destrua de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá em derrogação das leis naturais, conforme preceitua o Espiritismo.
“Tudo se processará exteriormente, como sói acontece, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.” (4)
Por mais difícil que seja o processo de seleção final dos valores morais da sociedade, não podemos olvidar que Jesus é o Senhor da Vida. Os Seus ensinamentos não passaram e não passarão jamais, e nessa perspectiva saibamos que nas Suas mãos repousam os destinos da Terra.
(1) Emmanuel, “A Caminho da Luz”, psicografia de Chico Xavier, Cap. 25, FEB/1981-RJ.
(2) Kardec, Allan “A Gênese”, Cap. XVI, item 17, 16ª ed., FEB/a973-RJ.
(3) Revista, “Isto É”, de 4 de agosto de 1999.
(4) Kardec, Allan, “A Gênese”, Cap. XVIII, item 27, 16ª ed., FEB/1973-RJ.
(Texto extraído da revista “O Médium”, da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora - MG, Ano 68 - Nº 610 - 11 e 12/99).
Universo Espírita - Fevereiro de 2000

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