a partir de maio 2011

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Santa Ceia: o símbolo do compartilhamento


Santa Ceia: o símbolo do compartilhamento
Quando tomamos conhecimento das novas tecnologias nos admiramos dos avanços da mente humana. Quando passamos a fazer uso dessas tecnologias nos alegramos por usufruir de seus recursos e de suas facilidades. Do ferro à brasa à internet em nuvens quanta diferença. São prenúncios de uma nova época para a humanidade.
Uma das coisas que me atraem a atenção nesses dias é o afloramento do ser “gregário” aristotélico. Dissenso ao pensamento da maioria, o homem não tem se afastado uns dos outros atrás de uma tela de computador, ao contrário, se aproximam por meio desse instrumento. Distâncias se encurtam. Vivemos conectados convivenciando as experiência com conhecidos e desconhecidos – alguns desses que há muito não víamos. Temos cada vez mais a impressão de que tudo o que afeta o outro também nos afeta, a impressão de sermos células de um único tecido. Mudaram-se os parâmetros do convívio, sentimos falta do contato físico, das rodas de amigos. Atingiremos o equilíbrio.
A palavra do momento é compartilhar. Nos desenhos animados modernos, predominantes em canais especializados da tevê paga, a toada do enredo também é compartilhar, não competir, mas dividir responsabilidades e alegrias. Nas tão faladas “redes sociais”, compartilhar também é a tônica dominante. Compartilham-se fotos, receitas, músicas, vídeos, piadas, protestos, raivas... compartilham-se emoções enfim. O desejo de que o outro sinta o que estamos sentindo, saiba o que sabemos... O que nos desperta o sentido de alteridade, ou seja, permitimos que o outro também nos toque com aquilo que sente, com aquilo que sabe.
Talvez esta seja a maior lição da Santa Ceia: compartilhar. Tendo pegado o pão e o vinho compartilhou entre seus discípulos, orientando: façam isso em minha memória, ou seja, dividam aquilo que vos alimenta o corpo, e aquilo vos alegra o espírito.
 Longe do insulamento, distante do egoísmo, Jesus, guia de nossa vida, propõe-nos vivermos em comunidade, como em um único corpo, numa sociedade onde os recursos matérias não sejam tão díspares e as alegrias sejam vivas. No corpo, os dedos dos pés são nutridos como os das mãos, resguardadas as funções particulares de cada um. Somos individualidades, mas com direitos coletivos de acesso aos bens materiais que nos favoreçam o progresso e as alegrias do espírito, que nos enleva a alma.
 Por este prisma, compartilhar o corpo e o sangue de Jesus simboliza dividir equânime e fraternamente tudo aflui pela misericordiosa Providência Divina.
Uma Páscoa de reflexões e paz compartilhada a todos.

Paulo Henrique Sant’Ana da Costa




 
É cirurgião-dentista, especialista em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP). Além das aditividades clínicas é professor universitário, sendo pós-graduado em ciências na área de concentração microbiologia, tendo desenvolvido pesquisa em biologia molecular de procariotos. Foi professor de grandes universidades como a USP e a UFMS.
Nas lides espiritistas é colaborador do Centro Espírita Allan Kardec em Penápolis, São Paulo. Escreve mensalmente na coluna da USE do Jornal Regional. Apresenta, nos primeiros sábados do mês o programa radiofônico “A Caminho da Luz”, organizado pela USE local, que vai ao ar pela rádio difusora. Também como trabalha palestrante  na divulgação doutrinária.

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