a partir de maio 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mulheres Sujeitai a Vosso Marido - Parte 3

 

A literatura judaica, principalmente a partir dos profetas, tem representado a manutenção da Aliança ou a relação de Deus com a humanidade, através do símbolo da união conjugal onde Deus é o marido e a humanidade a esposa.
Entendamos que toda vez que os textos bíblicos falam do povo de Israel ou do povo de Deus está se referindo a toda a humanidade que caminha consciente para Deus.
Vemos esta relação expressa nos livros dos profetas Oséias, Jeremias, Isaías, Malaquias, entre outros.
O Novo Testamento retoma o tema em muitas passagens, podemos citar Mateus, 9: 15; 25: 1 a 15; Apocalipse, 21: 2, entre outras, inclusive a do encontro de Jesus com a samaritana (João, 4).
O Povo de Israel (humanidade) é visto pelos profetas como sendo uma prostituta, pois adulterou a relação com Deus; a humanidade é, então, a esposa que traiu seu marido.
Interessante aqui notar que aquela que nos traz o filho do homem, que é quem instrumentaliza-nos para a volta ao Criador e à manutenção da Aliança, é justamente a virgem, ou seja, a que se manteve fiel ao Esposo, pois a virgem é antípoda em relação à prostituta.
Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.1 Assim se manifesta Maria expressando sua fidelidade.
Da mesma forma podemos dizer que Maria de Magdala foi uma virgem do Evangelho e não uma prostituta, enquanto Judas Iscariotes, naquele momento evolutivo, foi talvez a maior prostituta do Evangelho. E aqui cabe uma consideração, foi através de uma virgem (Joana d’Arc) que Judas se redimiu e tornou-se fiel a Deus, no plano das reencarnações.
Deste modo, quando Paulo, que dominava toda esta cultura judaica, e pensava como um judeu de seu tempo, mesmo que transformado pelas luzes do Evangelho, dizia que a mulher devia se submeter ao seu marido, é como se carinhosamente dissesse: “Ouve ó Israel (humanidade) esteja sujeita a Deus”, e isto ele reforça quando diz: como ao Senhor.
Ou seja, com uma fidelidade urgente a ser mantida, pois aquele que tem amadurecimento das questões espirituais, sabe do quanto já erramos por adulterarmos em relação aos propósitos divinos e quanto é bom mantermo-nos na segurança de um Pai que é essencialmente misericórdia.
E o apóstolo aprofunda:
Porque o homem é o cabeça da mulher; cabeça aqui deve ser entendido como origem ou fonte, e não como chefe ou dominador.2
Aliás, esta é a relação Deus – humanidade; Deus é a origem, a fonte, e não dominador. Deus é amor, e amor pressupõe liberdade e não constrangimento, \por isso educa-nos através do livre arbítrio.
Do mesmo modo Cristo é o cabeça, a origem da igreja, que aqui deve ser entendida como “reunião da comunidade”, comunidade esta que surge para o estudo dos textos originais do Evangelho, pressupondo participação de todos, inclusive das mulheres que eram já neste tempo sempre presente nas reuniões e muitas vezes líderes e fundadoras das igrejas. (Cf. Atos, 16: 14 e 15; Colossenses, 4: 15, entre outras referências.)
No versículo 24 deste capítulo Paulo afirma:
como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido.
A grande dificuldade que temos de entender este texto está na nossa originária rebeldia que faz com que detestemos sujeitar-nos ao que quer que seja. Queremos ser o que manda, jamais o que obedece, mesmo após Jesus ter nos ensinado que aquele que quiser estar no Reino do Pai deve servir e obedecer como Ele, que é o maior que esteve entre nós, fez.
Neste ponto cabe uma reflexão e um entendimento, que tipo de sujeição é esta que Cristo exige da igreja? Que tipo de submissão tem ela em relação a Ele?
É importante entendermos isto, pois é esta sujeição que segundo Paulo a mulher tem que ter em relação ao seu marido.
Conforme temos analisado, segundo o pensamento de Paulo, o homem está para Cristo do mesmo modo que Cristo está para Deus; a mulher está para a igreja, como esta está para a humanidade.
Cristo representa o nosso superconsciente, é a meta que devemos alcançar. O homem é a faixa atual em que nos movimentamos, o campo operacional que nos diz respeito através do qual chegaremos ao Cristo e a Deus.
A mulher deve se sujeitar ao marido como a igreja está sujeita a Cristo. Deus é amor, já dissemos anteriormente repetindo o discípulo amado; Cristo que é o cabeça da criação representa o amor de Deus dinamizado, operacionalizado. Onde há amor não há exigência, não há imposição nem constrangimento, portanto Deus não submete a humanidade a nada, por isso ele faculta o livre arbítrio.
Alguns neste ponto podem dizer, “mas há o determinismo”; sim, há, mas o determinismo é fruto do livre arbítrio, quando ele traz dor ou sofrimento é porque foi violada a Lei Divina, não é Deus quem impõe, a criatura é que escolhe o caminho.
Portanto, se Deus não submete a humanidade, do mesmo modo o homem não deve submeter a mulher; a humanidade consciente é que deve se submeter a Deus fazendo uso de sua liberdade, ao que chamamos de “liberdade-obediência”, ou autonomia madura (Baumert, pág. 205); pois ao caminhar nesta submissão liberta-se para conquistas maiores.
Este é o significado da sujeição que Paulo cobra da mulher; não é a sujeição de lá para cá como imposição, mas daqui para lá como elemento de libertação, de desvinculação. A mulher aqui representa toda humanidade, inclusive nós os elementos do sexo masculino.
Para que possamos fundamentar a exposição que aqui realizamos vamos citar um texto de Paulo ao se dirigir à comunidade de Corinto:
Pois eu vos cortejo com o cativante amor de Deus; pois vos desposei, para, como único esposo, entregar uma virgem pura ao Cristo.3
Ou seja, ele prepara a comunidade, a noiva, para que ela se torne uma virgem pura, fiel, para unir-se ao seu esposo único, que é Cristo.
Desta forma, não vemos nesta carta nenhuma colocação para em Paulo lermos que a mulher é inferior ao homem, não foi isto que ele quis dizer e nem é isso que mostra sua personalidade conforme já citamos em textos tanto de suas epístolas, quanto do livro de Emmanuel, “Paulo e Estevão”.
Na 1ª Carta aos Coríntios ele fala claramente desta igualdade dos dois sexos quando responde aos destinatários da carta algumas questões sobre abstinência sexual. Em determinado ponto ele diz:
Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo… (grifo nosso)
Como vemos, não prega a sujeição de um em relação ao outro, mas que estejam de comum acordo, isto é, em estado de igualdade. E notemos que isto ele fala a respeito de um dos temas mais delicados que é a comunhão sexual; se neste tema que é tão íntimo, onde deve vigorar a mais pura verdade, assim deve ser, por que não deve ser em todas manifestações exteriores?
Assim voltamos a reiterar, qual era o ser humano, que naquele tempo, numa cultura extremamente patriarcal, onde a mulher nem era considerada, tratava com tanta delicadeza a mulher em sua relação com o homem?
1 Lucas, 1: 38
2 Examinaremos melhor este assunto quando comentarmos 1 Coríntios, 11 a a partir do versículo 3
3 2 Coríntios, 11: 2
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