a partir de maio 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mulheres Sujeitai-vos a Vosso Marido - Parte 4ª (final)


Mulheres Sujeitai-vos a Vosso Marido Parte 4

Os leitores rápidos do Novo Testamento, refiro-me àqueles que leem apenas superficialmente e tentam tirar conclusões a respeito do que leem como se fossem definitivas, são os que têm usado estas anotações de Paulo para o tacharem de machista; pois têm visto em suas colocações um incentivo à subserviência da mulher.
Talvez estes jamais tenham lido com atenção o versículo 25 deste capítulo 5 da carta que ora comentamos. Nele o apóstolo propõe uma tarefa ao homem muito mais difícil do que havia proposto à mulher. Isto analisando como eles o fazem apenas o sentido literal.
Diz o converso de Damasco: maridos amai vossas mulheres…, e nós perguntamos, o que é mais difícil para nós em nosso atual estágio de evolução, submeter-se ou amar? Obedecer, ou viver na liberdade plena do amor?
Obedecer, mesmo que com muita dificuldade temos feito em nosso dia a dia. Assim fazemos em relação ao pai, ao chefe, às injunções da vida, aos superiores de um modo geral[1]. E amar, em algum momento temos expressado este sentimento com profundidade?
E percebamos que Paulo orienta aos maridos que amem suas mulheres, mas não com qualquer amor, pois diz: como Cristo amou a igreja, isto é, a assembleia, a humanidade, e continua: e entregou-se (a si mesmo) por ela.
Portanto, o que Paulo exige dos homens é um amor total, integral, à sua mulher. Um amor tão grande que o capacita a se entregar por ela, a dar a própria vida por ela, como Cristo fez pela humanidade.
E a partir destas colocações podemos dizer que o autor deste texto é machista? Se for, penso que todas as mulheres do mundo, que tenham um mínimo de sensibilidade, vão querer ter ao lado um companheiro machista como Paulo.
Já dissemos, esta relação marido/esposa é a representação da relação de Deus com a humanidade, da Aliança feita por IHVH com o povo de Israel.
Assim, podemos representar Deus pelo elemento masculino e a humanidade como sendo o elemento feminino. Para que haja uma comunhão sexual perfeita é preciso que Deus (elemento masculino) fecunde a humanidade (elemento feminino).
A fecundação é um ato de amor em seu momento positivo (ativo): maridos, amai vossas mulheres, enquanto que no momento opositivo (passivo) a mulher é fecundada pelo, isto é, recebe, submete-se ao, seu marido.
Isto é muito mais profundo do que podemos supor com uma simples leitura deste texto; não diz respeito só a uma relação entre sexos opostos, mas fala-nos do próprio processo educacional.
O mestre quando ensina a seu aluno, o conferencista quando em conferência, representam o momento positivo, masculino, está fecundando o aluno ou a assembléia que ouve. Esta por sua vez na função receptora é feminina, submete-se àquele que a ensina. Lembrando Paulo, esta é a relação entre Cristo e a assembléia (humanidade). Todavia o mestre ou o conferencista estão por sua vez numa posição feminina em relação aos Espíritos que os intuem, ou como dizem outro grupamento religioso, ao Espírito Santo, que neste caso é masculino, pois é quem fecunda, ensina, ama, dá de si em favor do outro.[2]
Deste modo, sejamos humildes, aprofundemos nossa faixa de entendimento que na maioria das vezes é tão acanhada. Reconheçamo-nos pequenos e aprendamos com o apóstolo. Como já pudemos notar pelo andamento deste texto, ele que tinha por líderes de comunidades várias mulheres, jamais podia desenvolver a ideia de subserviência destas em relação aos homens, mas sempre um respeito mútuo conforme expressa o próprio texto já comentado:
Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Muitos podem alegar que estamos exagerando em nossas interpretações deste texto paulino, porém toda esta carta é um convite à unificação através do Cristo, que encabeça todas as coisas[3]; e cabeça da igreja, isto é, da reunião de pessoas que comungam com o seu Evangelho[4], e corpo desta comunidade. Os que estavam separados, são agora tornados próximos.[5]
Outros versículos poderiam ser citados para fundamentar nossa exposição, porém, não é objetivo deste trabalho senão fazer uma releitura de Paulo demonstrando que em suas anotações nada há que justifique a sujeição da mulher ao homem num sentido de que esta lhe é inferior. Diferentes são (cf. O Livro dos Espíritos, questão 822, item A), porém não há entre eles relação de inferioridade e superioridade.
Aqueles que quiserem aprofundar mais sobre este tema, que estudem estas cartas versículo por versículo como muitas comunidades cristãs de várias épocas fizeram, os que assim fizerem só terão a ganhar; nós, porém para encerrarmos nossos breves comentários sobre este trecho da epístola, nos ocuparemos apenas dos versículos 31 e 32 deste capítulo 5 da Carta aos Efésios:
Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher, e serão uma só carne. É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e a sua Igreja.
Paulo não apenas cita o Gênesis, 2: 24, ele explica o texto e propõe novas abordagens.
Para iniciar ele diz que é grande este mistério. Mistério é uma verdade profunda (Baumert, 203), é algo que desafia o nosso entendimento, está além de nossa capacidade de compreensão.
Na citação do Gênesis ele vê uma profecia no que diz respeito à união de Cristo e de sua comunidade, é o casamento perfeito, a comunhão de homem e mulher representando a integração da humanidade em Deus, a realização da Aliança.
Nesta relação não há sujeição de nenhuma das partes, ambas estarão em pé de igualdade tornando-se uma carne. É o amante e o amado em perfeita comunhão; lembrando Jesus, quando, segundo as anotações de João disse:
Eu e o Pai somos um[6].
 Ou ainda:
…para que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em Ti, que eles estejam em nós... para que sejam um, como nós somos um.[7]
Lembrando ainda que esta citação feita por Paulo, do Gênesis, espelha a relação existente antes da queda, quando era plena a harmonia do éden. O domínio do homem sobre a mulher só surgirá mais adiante com o rompimento da Aliança (Gênesis, 3: 16), o que mais tarde os religiosos chamariam de pecado.
É a revelação do mistério.
Dito isto damos por encerrada esta parte buscando ainda avançar no entendimento de outros textos do mesmo Paulo.


[1] Apesar de não este o sentido do submeter-se desejado por Paulo
[2] Por este motivo Deus é Pai (masculino), pois é Irradiador Sempre, Eternamente doador, fecundante, não pode ser acrescentado em nada. Apesar de em sua essência não ser nem masculino nem feminino, pois masculino e feminino limitam, e Deus é o Ilimitado.
[3] Efésios, 1: 10
[4] Ibidem, 1 22
[5] Ibidem, 2: 13; veja ainda Baumert, pág. 200.
 João, 17: 21 e 22
[6] 
http://amigoespirita.ning.com

João, 10: 30

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