a partir de maio 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Exteriorização do ser humano - Telepatia - Desdobramento - Os fantasmas dos vivos.


Às vezes, durante o sono ou na vigília, a alma se exterioriza, se objetiva em sua forma fluídica e aparece, a distância. Daí o fenômeno dos fantasmas dos vivos.
Um dos mais notáveis casos é o de Emília Sagée, professora em Volmar, cujo desdobramento pôde ser inúmeras vezes observado pelas quarenta e duas pessoas residentes no internato.
A esse se pode acrescentar o caso do reverendo Tr. Benning, citado pela Sra. Hardinge-Britten no “Manner of Light”. Seu duplo se transportou a Troy, onde devia realizar urna conferência no dia seguinte, a fim de dar aviso de que uma indisposição o impedia de cumprir sua promessa. Lá esteve e foi visto e ouvido por três pessoas, em uma das quais deu um empurrão. Durante esse tempo seu corpo não havia deixado Nova Iorque.
Uma jovem criada alemã, de Boston (Massachusetts), acometida de febre acompanhada de delírio, se transportava, em sonho, à casa de sua família, na Europa. Aí, durante quinze noites consecutivas, todos os seus parentes a ouviram bater à porta da casa paterna e viram entrar o seu fantasma. Todos a acreditaram morta; ela, porém, se restabeleceu.
O “Times”, em sua edição hebdomadária de 1º de janeiro de 1908, consagra um longo artigo a um fato de desdobramento, que teria ocorrido na paróquia de East Rudham. O reverendo Dr. Astley, que aí exercia suas funções, em seguida a um acidente de estrada de ferro, na linha de Biskra, foi conduzido para o hospital dos ingleses, em Alger. Enquanto nele se achava em tratamento, seu fantasma foi repetidas vezes percebido e distintamente reconhecido por três pessoas, particularmente pelo reverendo Brock, vigário encarregado de substituir o Dr. Astley, na paróquia de East Rudham, durante o seu impedimento.
Os mais numerosos testemunhos são fornecidos pela Sociedade de Investigações Psíquicas, de Londres. Essa Sociedade, composta de homens eminentes, erigiu um verdadeiro monumento científico com a publicação do livro “The Phantasms of the Living” e a dos “Proceedings”, compilação de narrativas, que formam vinte e dois volumes e abrangem um período de vinte anos de estudos. Essas obras relatam milhares de casos de aparições, observados com todo o rigor que os sábios aplicam ao estudo dos fenômenos e assinalam as circunstâncias e as provas que dão a cada fato o seu cunho de autenticidade e o apoio de testemunhos severamente esmerilhados.
Esses fatos estabelecem de modo incontestável as relações que existem entre a aparição do duplo e a pessoa viva que ele representa.
Não seria lícito atribuir a todos esses fenômenos um caráter subjetivo. Em certos casos, como vimos, só o cérebro do percipiente é impressionado pelas vibrações de um pensamento longínquo, as vibrações que se transmitem ao foco visual e aí fazem surgir a imagem do manifestante. Aqui, porém, na maior parte dos casos, os fenômenos observados não se prestam de modo algum a essa interpretação. Sua objetividade fica demonstrada no fato de serem vistos os fantasmas por muitas pessoas ao mesmo tempo, ou ainda sucessivamente, quando, por exemplo, o fantasma se transporta aos diversos pavimentos de uma casa.
Os fantasmas dos vivos atuam sobre a matéria; abrem e fecham portas, agitam campainhas, fazem ouvir acordes em pianos fechados. Impressionam animais domésticos, deixam sinais de mãos e dedos na poeira dos móveis e, às vezes, mesmo comunicações escritas, que permanecem como uma irrecusável prova de sua passagem.
Os desdobramentos dos vivos têm sido comprovados em todos os tempos. Deles relata a História numerosos casos, firmados em valiosos testemunhos.
Tácito refere que Basilides apareceu a Vespasiano em um templo de Alexandria, achando-se na ocasião retido pela enfermidade a muitas léguas de distância.
A mística cristã registra, como fatos miraculosos, casos de bilocação ou bicorporeidade, em que facilmente reconhecemos fenômenos de exteriorização.
Santo Afonso de Liguóri foi canonizado por se ter mostrado simultaneamente em dois lugares diferentes. Achando-se adormecido em Arienzo, pôde assistir à morte do papa Clemente XIV, em Roma, e anunciou, ao despertar, que, acabava de ser testemunha desse acontecimento. O caso de Santo Antônio de Pádua é célebre. Estando em Pádua a pregar, interrompeu-se de repente, em meio do sermão, e adormeceu. Nesse mesmo instante, em Lisboa, seu pai, acusado falsamente de homicídio, era conduzido ao suplício. Santo Antônio aparece, demonstra a inocência de seu pai e faz conhecer o verdadeiro culpado.
Encontram-se numerosos fatos análogos na vida dos santos, particularmente nas de Santo Ambrósio, São Francisco Xavier, São José de Cupertino, Santa Maria d'Agreda, Santa Liduína, etc.
O ser humano, desprendido dos liames carnais pela prece, pelas elevadas aspirações e por uma vida pura e sóbria, torna-se mais apto a exteriorizar-se.
A possibilidade dessas manifestações acha-se igualmente demonstrada pelas experiências dos magnetizadores, como Du Potet, Deleuze, Billot, por Kerner, Perty, D'Assier, etc.
Convém notar que esses fenômenos não se produzem somente durante o sono. Uma emoção violenta, certas enfermidades, a agonia, a morte, podem provocar o desprendimento psíquico.

Léon Denis - No Invisível

Nenhum comentário:

Postar um comentário