a partir de maio 2011

sábado, 16 de julho de 2011

Espírita, de corpo e alma.


Quando decidimos viver a Doutrina Espírita, vamo-nos aprofundando em suas dimensões sutis que só a alma sensível vai percebendo em seu próprio universo interior. Abrangendo áreas até então jamais vistas ou sonhadas. Suas emoções adquirem nuances até então nunca percebidos pelos seus sentidos rústicos. Todo o ser se torna algo novo. Reorganiza sua vidinha que até então era sem sentidos mais profundos e se lança em busca de si mesmo.
A cada tropeço uma lição, a cada decepção um obstáculo para medir suas forças. A cada ofensa um detalhe que deve ser esquecido. E aos gritos do desespero, o silencio da sua paz na eterna confiança no Pai. Rasga seu peito e aos egocêntricos, revela agora sua face. Não mais rituais e oferendas de todos os gêneros, nem formas arcaicas de vivências primitivas. Seu lar agora é o universo e sua pátria, a imensidão cósmica e seu futuro, Deus que irradia pôr todos os recantos do infinito. Não vive mais o estertor agônico das almas presas as agruras da vida humana, seu olhar é de quem é seguro de si, sua presença inspira confiança, sua amabilidade é disputada pôr todo cidadão de sensibilidade sadia, suas opiniões particulares nunca ultrapassa os princípios da lei de equilíbrio, seus sentidos são mais aguçados torna-se dono de uma grande acuidade mental que o possibilita, ingressar em dimensões inimagináveis pelo ser ainda preso aos liames materiais.
Rejuvenesce se a cada ano, corre, brinca mas seu olhar esconde a profundidade dos horizontes no infinito. Não são, mais sérios, e sim, serenos. Seu sorriso sadio agora tem hora certa, seu peito arfa cansado e chora a saudade do infinito, não mais a revolta nas agruras da trilha humana, mas sim o amor pela experiência. Agora aliado do tempo corre em busca do seu passado para acertar no futuro que agora é presente. Nas horas de descanso em prece, dos olhos suas lágrimas rolam, relembra em imagens que define muito bem e rememora os passos daquele jovem que ensinou o amor pelo amor. Agora solitário entre gentes, sente a insignificância do que significa para o seu irmão ainda materializado. A turba se revolta e chora, ele fica em silencio, sua mente atinge a amplidão do cosmos, não pode mostrar seus motivos e razões, eles não podem ser materializados, e pôr isso, em sua alma corta o silencio.
Olha a mãe terra e vagueia pêlos horizontes que ainda outros não sentem e nem vê. O vento lhe toca a face trazendo uma brisa macia e suave todo seu ser estremece e chora, ergue e se abraça a mãe terra e seu pensamento como relâmpago viaja pôr todas as latitudes, vê seus irmãos e de um lado a outro do planeta, com sua simplicidade vai até eles e os sente e os toca. Vivendo este infinito amor sente se pequeno ante a grandeza do Pai, sabe não ser insignificante, agora é consciente do seu valor que não é mais que os outros. De joelhos em pensamento reverencia sua própria grandeza. Está no seu lugar e quer participar da cocriação das vidas agora nascentes. Sua vontade é não ter vontade, mas sim viver a vontade do Pai. Neutraliza-se ante a grandeza de sua lei a qual intrinsecamente está ligado, e recorda ao longe os conselhos de nobres amigos, vai e viva com eles, mas nunca como eles... Retorna no tempo e vê a mulher, a excelsa companheira na sua trajetória evolutiva, percorre pêlos anais da história e sente sua dor, que muito distanciada da efêmera figura da fêmea de outrora, se desdobra ao cumprir suas reais obrigações.
Sente a irmã que ela é e a seu lado quer estar, sente a sua realeza escravizada aos instintos mais vis e mais torturantes. Seus mais nobres sonhos ainda manipulados e tripudiados pela sórdida teia de apetites rudes daqueles que nasceram para caminhar lado a lado com ela. Projeta se para o futuro e delineia nos arcanos do seu porvir e sua mente queima, mas vence os padrões rígidos da matéria. Cresce em seu intimo o êxtase e se aquieta, agora sabe, agora confia, o futuro da irmã não é mais segredo, só lamenta vê-la atrelada aos arreios instintivos da dor que vergasta sua excelsa figura, sua imagem como voz sem som pinta em sua tela mental em contornos angelicais e vê a miniatura translúcida de Maria refletida em cada rosto feminino. Mesmo que a primitividade das linhas filogenéticas lhe traem os sagrados contornos da forma ainda nascente, mesmo que ainda requeimada pelo sol causticante, mesmo que ainda torturada pela tempestade vergastante do seu primitivismo interior, mesmo assim deixa transparecer a terna e suave Maria de Nazaré.
Vastos horizontes no infinito sua visão busca, acelera em seu peito um minúsculo coração, mas sua febre do perfeito se acalma, agora vê o enigma da criação, a sente, a toca. Seus olhos voltam-se para infinito e de algum ponto que não pode definir nem materializar vê que milhares de fagulhas como miríades multicores se desprendem de algum lugar e jorra para o cosmos num rendilhado de intraduzível beleza. Seus sentidos ainda imperfeitos ouvem a voz sem som, a perceba, a sente, mas não a vê, a música evola de todos pontos e o toca, o faz viver, sente-se arrebatado e contempla no êxtase e se esforça para não se desintegrar. Aquela força gigantesca o atravessa penetrando todo o seu ser, o amor e a beleza como jamais viu ou sentiu atinge as culminâncias. Seu peito arfa e de seus olhos duas lágrimas quentes rolam, prostra-se de joelhos perante o irmão maior e no estertor da felicidade infinita clama, Pai!... Sua voz se entrecorta no átimo daquele instante e se nega, mas sua dor é percebida, sente um raio de safirina luz o atingir, no fragor da tempestade de sons e cores se acalma, sabe quem está ali, o sente, o percebe, o ouve, mas não pode materializar a linguagem do amor e do perfeito enquanto o instante parece ser uma eternidade.
Observa mais uma vez a seu redor, como se dissesse adeus quer levar tudo aquilo e depositar no coração de cada ser, mas não pode, sente aquele que o arrebatou e sente a sua profunda tristeza pela humanidade irmã e com ele chora o pranto dos que vencera as dimensões e até ali, as trilhas da animalidade, não mais odiada, mas sim compreendida, imensa é sua dor, mas gravou em si a férrea lógica, e a perdoou, ao Pai nada pede, só agradece, tudo já recebeu e não deve nada, aquele que o criou não o criou devedor e agora sabe porque existir, respondeu a ultima pergunta que o atormentava. E no silencio seu olhar volta para o cosmos infinito e absorve toda beleza do criado, sua visão não mais limitada pêlos horizontes dos universos materializados penetra livre os escaninhos cósmicos e observa, e no ápice da sua paixão pelo Criador, contempla as fagulhas do seu amor rodopiando na figura das galáxias e seus sistemas. Sente que deve e quer participar e antecipa a sede do saber sente o ser que o observa e não quer que ele se sinta pequeno. Diante do imenso que o envolve sabe ser confiante e não teme, se entrega, ele nada lhe impõe apenas compartilha seu imenso amor, num rastilho de ternura como a dizer, vede teu futuro, não temas, venha à min, sou teu irmão, Eu sou... Os olhos como se fechassem no silencio do segundo que passa, esta só, somente a suave melodia e a mãe terra e a multidão de irmãos que junto a eles sente estar cada vez mais. Fecha os olhos mais uma vez e ouve seu silencio, sabe agora estar em seu lugar e ao mundo abraça e ergue sua bandeira e nela somente uma palavra que sente definir seu objetivo, TRABALHO...
Educado pela dor e pelo sofrimento vergastante, cansado da refrega, repousa um instante e ouve a sinfonia da vida, que num convite a prece lhe afaga o peito, como suave brisa na alma a lhe dizer: Filho! Estás cansado da luta que te abates? Descansa um instante no eterno caminho da vida, deixa o fardo das tuas expiações e repousa. Recobra suas forças e não teme mais a morte nem a dor, elas não são extinção ou maldade, mas representam o ritmo da renovação e da vida em sua evolução. Não mais presos a formas arcaicas, não mais os padrões ensandecidos e animalescos de outrora, todas as formas de vida educacional do passado, já não servem mais. Agora pleno de sua consciência e liberto dos liames que acicatava as emoções inferiores veste o seu traje nupcial e se coloca à frente do trabalho com amor ao seu e ao progresso de todos. Fraternidade amor e humildade, esse o lema da sua bandeira agora, não mais pedaços de pano pintando o separatismo, sua pátria o universo, seu futuro Deus que irradia pôr toda eternidade.
Iluminado pela luz do progresso no amor, volta então para a ciência do espírito e com o seu toque mágico procura melhorar e embelezar todos os setores de aprendizagem e de convivência social. Uma nova capacidade de penetração psíquica revela sem sombras o mistério da alma. Desnudo aparece todo o ser, não mais é possível a mentira, pois ao lado de uma concepção diversa da vida, um novo estado de alma paira nas coisas, uma harmonização completa com as leis para sentir e viver o criador. O espírito repousa numa grande calma interior, a paz de quem conhece a meta. E consciente de sua personalidade e da gênese de todo o seu instinto, cujos traços encontram se no eterno passado. Sabe a sua história, tecida de férrea lógica cujos traços ficou no tempo que nada morre. Nenhum valor se perde nunca e sobre essas bases antecipa o seu futuro, o preparou, daí o domínio de todas as forças e do próprio Eu. Com o saber conduzir-se dominador dos impulsos da vida, compreendeu a dor e não se debate mais no tormento da rebelião, da ira e da inveja. Reconstruindo no silencio consciente, assume todo labor do próprio dever sem transferi-lo a ninguém.
A harmonia interior é a sua grande festa. A alegria de sentir unido a grande harmonia cósmica o leva a revogar sua tristeza ao passado e agarrar se a charrua e sereno tijolo a tijolo reconstruir seu destino. Humanos são os motivos, mas reais os são. Redescobriu os pedaços de sua face que se quebrou num passado distante. Na Terra agora solitário entre gentes, chora e não define seu pranto, mas sabe conviver com sua imperfeição. Na alma a saudade não sabe de onde ou de quem, é preciso ser assim, sente o amargo na sua doce prisão e à medida que o corpo envelhece a sua liberdade se aproxima. Não teme mais o pecado e nem chora o erro cometido, pois viveria melhor se eles... Sente que eles ainda fazem parte de sua intrínseca inferioridade temporária e não se envergonha, pois ainda sentindo o calor do abraço do irmão maior que o fez compreender os dois ápices de sua vida, quem poderá censurar então? Percorrem os continentes idos e a dor vencida deixa do seu pranto cada lágrima no chão que formou seu berço e sua índole. Acena triste aos alunos que nela fica e a pátria o acena, vive a dor dos antepassados e busca suas raízes no espírito dos tempos. Dos Atlantas aos Cirílicos, do Egito as Gálias, do Oriente ao novo continente poucas são as páginas para receber o que nele se passa, desde lugares e paisagens como num filme que nunca termina e eterniza o desenrolar constante de sua dor e lágrimas num misto de felicidade e sofrer. Deixo os poetas a tecer no verbo cortante a definir sob a pena a unir os fragmentos da paixão e enternecer com sua poesia cósmica, os rebentos a formar nos labirintos do tempo, novas culturas e como base nossa dor e nossas lágrimas, pois o entardecer de uma civilização é sempre a alvorada de outra, mais consciente e mais perfeita na compreensão do criador.
Fontes de estudos: literatura Espírita.

Nenhum comentário:

Postar um comentário