a partir de maio 2011

domingo, 17 de julho de 2011

A cura verdadeira




Na vivência do Evangelho encontraremos a cura para
todos os nossos males

“E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: é chegado a vós o reino de Deus.”  – Jesus. (Lucas, 10:9.)

Muito se fala das curas aos enfermos que Jesus realizou, e são inúmeras as passagens nas quais tais fatos são relatados. Todavia, é importante entendermos que não podemos dizer que estamos curados desta ou daquela doença – e que por isso temos saúde –, quando estamos apenas nos referindo ao corpo físico. Por esta razão, o tema que nos propomos tratar é o da cura legítima, e não apenas o da ausência de doenças. Estamos falando de saúde integral que significa condição de bem-estar.

No Evangelho de Lucas, capítulo 18, versículo 41, existe uma das mais belas figuras dos ensinamentos evangélicos: o cego de Jericó. Narra o apóstolo que o “infeliz andava pelo caminho mendigando e, sentindo a presença do Mestre, põe-se a gritar, implorando misericórdia. Irritavam-se os populares em face dos insistentes pedidos. Tentam impedi-lo, recomendando-lhe calar as solicitações. Contudo, Jesus ouve-lhe a súplica, e aproximando-se dele interroga-o com amor: “Que queres que te faça?”, indaga o Mestre. E diante de tão grande liberdade, disse apenas: “Senhor, quero ver”.

O tema leva-nos a refletir sobre esse propósito do honesto e humilde cego, porque este deveria ser, também, o nosso propósito diante das circunstâncias da vida. Somos, muitas vezes, o cego de Jericó a esmolar a Jesus a misericórdia pelo nosso sofrimento. E somos atendidos. Todavia, lembra Emmanuel, de forma bastante oportuna, que quando surge a oportunidade do nosso encontro com Cristo, além de sentirmos que o mundo se volta contra nós, colocamo-nos com indiferença diante do chamamento à tarefa renovadora. E esse  posicionamento que temos diante da resposta divina está ligado à forma insensata com que pedimos ajuda.

A passagem evangélica lembra-nos, de maneira amorosa, que não é  necessário pedirmos muito, mas apenas ver, com compreensão, a exata importância de cada momento do nosso processo evolutivo. Observar com amor e justiça todas as coisas, pessoas e situações a fim de podermos sair desse labirinto que construímos ao nosso redor, e que nos impede de chegar ao seu fim. Por essa razão, é preciso traduzir a palavra saúde em harmonia, equilíbrio e bem-estar do corpo e da alma. Em uma palavra: cura.

E as “doenças” persistem porque não sabemos receber o que pedimos. Senão, vejamos: a vida nos chama ao trabalho de renovação e somos abençoados com a luz do conhecimento. O que fazemos? Permanecemos indecisos, sem coragem de caminhar para a realização da tarefa que nos elevaria. Somos conduzidos ao trabalho de ajuda ao próximo, para fortalecer nossos objetivos de crescimento, mas por aguardarmos gratidão ou reconhecimento pelos nossos atos, afastamo-nos do serviço, quando isso não acontece. Companheiros difíceis são colocados a conviver conosco, seja no lar ou no trabalho, como atendimento de Jesus às nossas rogativas, e, no entanto, nos afligimos, revoltamo-nos, abandonando a luta redentora, afastando-nos deles.

A inércia diante dessas respostas aparece porque esperamos, muitas vezes, a resposta materializada de Jesus. Esperamos o dinheiro, a evidência social sem trabalho ou merecimento e, quase sempre, exigimos d`Ele a transformação das circunstâncias que nos trazem aflições, e às quais estamos sujeitos no caminho evolutivo.

Em todas as curas que o Mestre realizou, uma constante pode ser observada, seja no cego de Jericó ou na mão ressequida do paralítico, que se fez sã: é a de não lhes ter dado nada material, mas, sim, de lhes devolver os instrumentos para o trabalho de crescimento, na conquista de realizações pessoais.

As lições do Excelso Amigo são para todos, em todos os tempos e em qualquer lugar, não importa quais sejam os templos de oração aos quais estejamos ligados. Não basta, somente, estender a mão a Jesus, rogando curas, sejam físicas ou do Espírito. É imprescindível aprendermos a receber Suas bênçãos. Não basta, tão-somente, o interesse pela recomposição do veículo carnal, porque, acima de tudo, necessitamos da cura do Espírito.

O Evangelho alerta-nos para que entendamos o valor da saúde. A moléstia do corpo é sempre difícil de ser compreendida e muito menos aceita, pois ainda sequer conseguimos entender por que o trabalho no bem nos traz equilíbrio orgânico! Quem de nós já percebe a lição oculta de Deus na moléstia que nos assalta? Certamente, nenhum de nós. Todavia, ela ali está, e quando pedimos para que nossas forças sejam restauradas, esperamos, sempre, não precisar fazer qualquer esforço para que isso se concretize.

O problema nessa atitude imatura prende-se ao fato de desejarmos ser curados para continuarmos a cometer atos desequilibrantes, que nos levariam a quedas maiores. E como não conseguimos a cura desejada, segundo nossa vontade e caprichos, dizemos que Deus nos abandonou, e a fé que já não era firme, se acaba. Infelizmente, existem doentes que lastimam a retenção no leito e choram aflitos, não porque desejam reformular seus conceitos de vida, voltando-se para princípios mais nobres, mas, sim, porque se sentem impossibilitados de continuarem na prática dos seus desregramentos.

Todo enfermo deseja curar-se, e isso é justo. Mas é importante que ele conheça, também, o valor de todos os recursos colocados à sua disposição, para que sua experiência terrena seja coroada de benesses, benesses essas conquistadas em árdua luta contra a adversidade.

O Evangelho explica a todos nós que muitas das nossas doenças têm origem nas aflições que acumulamos, e no nosso comportamento desregrado, seja ele qual for. Assim, se analisarmos nossos pensamentos e nossa conduta, vamos nos deparar com alimentações abusivas, consumo de álcool, fumo, abusos sexuais, pensamentos negativos, sentimentos inferiores como os de mágoa, ressentimentos, inveja, raiva, ciúme, medo e tantos outros que se refletem em nosso corpo físico, às vezes imediatamente, sob forma de enfermidades, que os médicos não conseguem diagnosticar.

Não importa que sejamos nós o doente ou outra pessoa: a cura só pode ser conquistada pela renovação mental, ainda que estejamos sob cuidados de médico da matéria. Quantos doentes se recusam a tomar o remédio receitado, ou a seguir as recomendações médicas para uma recuperação mais rápida, preferindo continuar com seus queixumes, e assim sentirem-se vítimas e infelizes e, às vezes, até abandonados. Estão doentes e desejam continuar assim, a menos que não precisem realizar qualquer esforço para sua cura.

Jesus, o Médico divino, receitava a vigilância, a oração, o perdão e a prática da caridade como profilaxias. Recomendava, constantemente: “Buscai e achareis”, deixando claro a necessidade do nosso movimento em direção à cura, a fim de nos fazermos credores dos benefícios recebidos. Ao curar, explicava: “a tua fé te salvou”, “teus pecados te são perdoados”, “vai e não peques mais”. Em momento algum Ele nos eximiu da responsabilidade sobre nossas doenças e sobre nossa cura.

Por isso, torna-se tão importante aprendermos a orar, sabendo agradecer, a pedir e a receber...  Há imensa necessidade de modificarmos nosso interior pela transformação dos nossos sentimentos. Necessário se faz que busquemos o conhecimento e o amparo do Evangelho Redentor, mas, sobretudo que aprendamos a praticar a caridade.

Os Amigos Espirituais estão sempre nos assistindo em nossas reais necessidades, seja através da ciência médica, seja através da assistência espiritual que buscamos nas casas de oração. O amparo de Deus ao homem faz-se através do próprio homem; mas, sem que queiramos nos curar, ninguém poderá nos ajudar.

Emmanuel recorda que é sempre útil curar os enfermos, quando haja permissão de ordem superior para isso. Todavia, diz ele, em face de semelhante concessão do Altíssimo, é razoável que o interessado reconsidere as questões que lhe dizem respeito, compreendendo que um novo dia chegou para a sua redenção. Aceitá-lo ou não será escolha de cada um de nós.

Estamos hoje encontrando ou reencontrando a palavra do Cristo, que perdemos em algum momento na nossa caminhada redentora. Já não é  mais possível adiar o trabalho de renovação das nossas predisposições íntimas. E, por isso mesmo, sentimos o peso da nossa responsabilidade, dando-nos conta do tempo que permanecemos cegos, surdos e paralíticos ao chamamento à transformação. Estamos todos cansados de carregar o fardo das aflições e o peso da indecisão.

Talvez este seja o momento mais decisivo da nossa vida. Jesus nos amparará  nas decisões mais acertadas e nos intuirá a retomar o caminho do bem, caso insistamos em nos desviar da rota, porque somente na vivência do Evangelho encontraremos a cura para todos os nossos males.

O “Vai e não peques mais” é certamente a chave para que isso ocorra.                              
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Bibliografia: 

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, itens 18 e 19.

EMMANUEL (Espírito). Pão Nosso, [psicografado por] F. C. Xavier, 17ª ed., Rio: FEB, 1996, Lição 44.

Idem – Caminho, Verdade e Vida, [psicografado por] F. C. Xavier, 17ª ed., FEB, RIO DE JANEIRO/RJ - 1997, Lição 44.

Ibidem – Vinha de Luz, [psicografado por] F. C. Xavier, 14ª ed., FEB, RIO DE JANEIRO/RJ – 1996, Lição 4
LEDA MARIA FLABOREA
ledaflaborea@uol.com.br

http://www.oconsolador.com.br
São Paulo, SP (Brasil)

 

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