a partir de maio 2011

sábado, 16 de julho de 2011

As escolhas possíveis e o determinismo


Em Espiritismo fala-se muito em livre-arbítrio. Sabemos que as plantas possuem apenas sensações, embora estudos apontem comportamentos especiais que poderiam ser classificados como instintivos – o crescimento ou direcionamento do tronco, ramos e folhas, por exemplo, em direção da maior luminosidade para facilitar a fotossíntese, como nas samambaias.
Os animais têm as sensações também, além do instinto e, algumas espécies superiores como cavalos, golfinhos, elefantes, cães e gatos, já apresentam rudimentos de inteligência, por consequência estão em transição para a razão porque tudo evolui, espiritualmente, inclusive.
Mas o ser humano é o único que possui um desenvolvimento, concedamos, completo da razão. E essa capacidade de raciocinar lhe permite tomar decisões e fazer escolhas. A isso denominamos de livre-arbítrio.
Mas esta faculdade, especialmente no espírito encarnado, não é absoluto. Muito pelo contrário é bastante relativo. Não temos a liberdade de agir ao bel-prazer, fazer tudo o que gostaríamos, deixar de fazer outras ou impedir certos acontecimentos que nos são impostos de maneira mais ou menos fatal, segundo o termo utilizado por Allan Kardec em duas obras.
A estes limites à ação humana da vontade os filósofos denominam de determinismo. No homem primitivo, moral e intelectualmente, o determinismo predomina quase que inteiramente. Já no espírito muito evoluído prevalece o livre-arbítrio ou autodeterminação da vontade. Nós, espíritos medianos, também nisto estamos a meio caminho ao desfrutarmos de um grau de autonomia volitiva, sujeitos, porém, a certas leis maiores, as divinas e também àquelas expressas pelas forças da natureza. Mas há ainda um terceiro tipo de tolhimento à nossa liberdade individual representada pelo livre-arbítrio de terceiros como veremos mais abaixo.
Em resumo: em nossas vidas, o determinismo e o livre-arbítrio coexistem simultaneamente. A reencarnação, por exemplo, é uma lei divina e ninguém pode dela se abstrair. Da mesma forma a morte é inevitável. Outra situação é em relação à lei de progresso à qual todos nós estamos submetidos. Deus criou-nos com a destinação final de nos tornarmos seres perfeitos – relativamente, visto que a perfeição absoluta só é encontrada no próprio Deus.
Criados por Ele em momentos distintos, mas sem privilégios ou discriminações, todos chegaremos ao mesmo ponto final, embora não ao mesmo tempo porque além do momento diverso na origem, este objetivo depende fundamentalmente dos esforços que empregamos na tarefa.
Não poder voar e ter que viver preso ao solo é outro tipo de determinismo regido pelas leis da Física. Assim como as demais necessidades fisiológicas são impostas ao homem de forma inelutável pelas leis biológicas. Contudo, o livre-arbítrio manifesta-se mesmo aí. No caso do corpo, podemos exercer o controle parcial sobre aquelas necessidades como a fome, o sono, o sexo, a excreção, criando hábitos e disciplinas.
Também podemos atuar na prevenção e tratamento das doenças. Hoje possuímos os recursos dos transplantes e cirurgias plásticas reparadoras interferindo e corrigindo anomalias e disfunções e contamos com toda a formidável tecnologia da engenharia genética justamente se contrapondo ao determinismo da natureza.
No caso da incapacidade de alçar vôo, o homem dribla criando máquinas diversas, desde uma asa delta a espaçonaves capazes de substituir a carência de membros alados próprios. Ou seja, é o uso da inteligência para tentar atenuar e até neutralizar completamente o determinismo.
Na questão 851 de “ O Livro dos Espíritos” encontramos a seguinte explicação. Ao serem perguntados por Allan Kardec a respeito da fatalidade no sentido de predeterminação de todos os acontecimentos da vida humana, os Espíritos Superiores responderam: A fatalidade não existe senão pela escolha que fez o Espírito, ao se encarnar, de suportar tal ou tal prova. Escolhendo, ele faz uma espécie de destino que é a consequência da posição em que se encontra. Falo das provas físicas, porque para prova moral, o Espírito, conservando o seu livre--arbítrio sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.
Portanto, nosso destino é fruto de escolhas anteriores (exercício do livre-arbítrio teórico formalizado por ideias e intenções) mais a dinâmica da lei de causa e efeito ou ação e reação (livre-arbítrio prático consubstanciado agora em atos realizados, mesmo que seja uma prece ou um pensamento negativo dirigido a alguém), não pode ser considerado nem determinismo nem fatalidade, mas claramente resultante do livre-arbítrio.
Isso vale para indivíduos e coletividades, desde pequenos agrupamentos sociais como a família, até povos e nações e a própria Humanidade como um todo. Grande parte do determinismo a que somos submetidos vem de fora: planetário – tomem-se as preocupações ecológicas atuais -, o social, o econômico, cultural e político.
Às vezes escolhemos, conscientemente ou não – isso antes de reencarnar – o país, a cidade em que viveremos. Talvez sejamos atraídos ou instigados a aceitar determinado bairro e a moradia naquela rua em especial porque ali conheceremos tal vizinho, um amigo, talvez o futuro cônjuge ou lá nos aguarda uma experiência diferenciada.
Mas uma vez ali, partindo-se da casa para o país, a dificuldade de mudar as coisas ou “ o destino” torna-se cada vez maior. Será que já pensamos o quanto do nosso destino é influenciado pelos governantes? É o tal do livre-arbítrio de terceiros que, mais forte que o nosso, nos é imposto e altera substancialmente nossas condições gerais de vida: material, social, cultural, econômica e até religiosa.
Portanto, neste pleito do dia 31, dê o seu voto consciente como manifestação do livre-arbítrio. Talvez seja um “ voto vencido” e aí só restará torcer (orar) para que a pessoa que presidirá os destinos do país nos próximos quatro anos seja iluminada por Deus e inspirada pelos bons espíritos a fazer o melhor por nós.
Mas evitemos a todo custo a opção do voto nulo eu em branco. Apesar de respeitável decisão e inegavelmente também uma forma de expressar a vontade, escolher não escolher é abdicar de participar. Se entre as alternativas – que já foram maiores no primeiro turno – nenhuma nos agrada, se não dá para escolher o melhor, escolhamos o “ menos pior” , mas omissão nunca. Ajude a construir o seu próprio destino!
Wilson Czerski
http://www.adepr.org.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário